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Homenagens a João Huss

“Seguem-se trinta assinaturas de membros do comitê, advogados, literatos, industriais.
“O apelo dos patriotas boêmios não poderia deixar de suscitar viva simpatia entre os amigos da liberdade.
“Um jornal de Praga tivera a desastrada ideia de propor uma petição ao futuro concílio para pedir a revisão do processo de João Huss. O Jornal Norodni Listy refutou com vigor esta estranha proposição, dizendo que a revisão se efetuara perante o tribunal da civilização e da História, que julga os papas e os concílios.
“A nação boêmia, acrescenta o Norodni, perseguiu esta revisão com a espada na mão, em cem batalhas, no dia seguinte mesmo da morte de João Huss.”
“A Folha Tcheca tem razão: João Huss não precisa ser reabilitado, assim como Joana d’Arc não precisa ser canonizada pelos sucessores dos bispos e doutores que os queimaram.
Por nosso lado, vimos juntar às homenagens prestadas à memória de João Huss o nosso testemunho de simpatia e de respeito pelos princípios de liberdade religiosa, de tolerância e de solidariedade que ele popularizou em vida. Esse espírito eminente, esse inovador convicto, tem direito à primeira fila entre os precursores da nossa consoladora filosofia. Como tantos outros, tinha a sua missão providencial, que realizou até o martírio, e sua morte, como sua vida, foi um dos mais eloquentes protestos contra a crença num Deus mesquinho e cruel, bem como aos ensinos rotineiros, que deviam ceder ante o despertar do espírito humano e o exame aprofundado das leis naturais.
Como todos os inovadores, João Huss foi incompreendido e perseguido; ele vinha corrigir abusos, modificar crenças que não mais podiam satisfazer às aspirações de sua época.

Revista Espírita, setembro de 1869

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Fénelon – Os Messias do Espiritismo

Incontestavelmente, está reconhecido que vossa época é uma época de transição e de fermentação geral, mas ela ainda não chegou a esse grau de maturidade que marca a vida das nações. É ao vigésimo século que está reservado o retoque da Humanidade; todas as coisas que vão aqui se cumprir não são senão os preliminares da grande renovação. O homem chamado a completá-la, ainda não está amadurecido para cumprir sua missão, mas ele já nasceu, e sua estrela apareceu na França marcada com uma auréola, e vos foi mostrado na África há pouco tempo. Seu caminho está marcado antecipadamente. A corrupção dos costumes, as infelicidades que serão a consequência do desencadeamento das paixões, o declínio da fé religiosa, serão os sinais precursores de seu advento.
A corrupção, no seio das religiões, é o sintoma de sua decadência, como ela é o da decadência dos povos e dos regimes políticos, porque é o indício de uma falta de fé verdadeira; os homens corrompidos arrastam a Humanidade a um pendor funesto, de onde ela não pode sair senão por uma crise violenta. Ocorre o mesmo com as religiões que substituem, ao culto da Divindade, o culto do dinheiro e das honras, e que se mostrem mais ávidos de bens materiais da Terra do que de bens espirituais do céu.
(FÉNELON, Constantinopla, dezembro de 1861).

Revista Espírita, fevereiro de 1868