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Definindo rumos

Em verdade, meu amigo, terás encontrado no Espiritismo a tua renovação mental.
O fenômeno terá modificado as tuas convicções.
As conclusões filosóficas alteraram, decerto, a tua visão do mundo.
Admites, agora, a imortalidade do ser.
Sentes a excelsitude do teu próprio destino.
Mas se essa transformação da inteligência não te reergue o coração com o aperfeiçoamento íntimo, se os princípios que abraças não te fazem melhor, à frente dos nossos irmãos da Humanidade, para que te serve o conhecimento? Se uma força superior te não educa as emoções, se a cultura te não dirige para a elevação do caráter e do sentimento, que fazes do tesouro intelectual que a vida te confia?
Não vale o intercâmbio, somente pelo capricho atendido.
A expressão gritante do inabitual pode estar vazia de substância.
A ventania impetuosa que varre o solo, com imenso alarido, costuma gerar o deserto, enquanto que o rio silencioso e simples garante a floresta e a cidade, os lares e os rebanhos.
Se procuras contacto com o plano espiritual, recorda que a morte do corpo não nos santifica. Além do túmulo, há também sábios e ignorantes, justos e injustos, corações no céu e consciências no inferno purgatorial…
As excursões no desconhecido reclamam condutores.
O Cristo é o nosso Guia Divino para a conquista santificante do Mais Além…
Não te afastes dEle.
Registrarás sublimes narrações do Infinito na palavra dos grandes orientadores, ouvirás muitas vozes amigas que te lisonjearão a personalidade, escutarás novidades que te arrebatam ao êxtase, entretanto, somente com Jesus no Evangelho bem vivido é que reestruturaremos a nossa individualidade eterna para a sublime ascensão à Consciência do Universo.

Estas páginas despretensiosas constituem um apelo à congregação de nossas forças em torno do Cristo, nosso Mestre e Senhor.
Sem a Boa Nova, a nossa Doutrina Consoladora será provavelmente um formoso parque de estudos e indagações, discussões e experimentos, reuniões e assembleias, louvores e assombros, mas a felicidade não é produto de deduções e demonstrações.
Busquemos, pois, com o Celeste Benfeitor a lição da mente purificada, do coração aberto à verdadeira fraternidade, das mãos ativas na prática do bem e o Evangelho nos ensinará a encontrar no Espiritismo o caminho de amor e luz para a Alegria Perfeita.

Emmanuel, prefácio do livro Roteiro, psicografado por Chico Xavier, em 1952

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Hoje e nós

Tempo e nós, vida e alma. Nós e hoje, alma e vida.
Tempo capital inesgotável ao nosso dispor. Hoje, cheque em branco que podemos emitir, sacando recursos, conforme a nossa vontade.
Comparemos a Providência Divina a estabelecimento bancário, operando com reservas ilimitadas, em todos os domínios do mundo. Pela Bolsa de Causa e Efeito, cada criatura retém depósito particular, com especificação de débitos e haveres, nitidamente diversos, mas, pela Carteira do Tempo, todas as concessões são iguais para todos.
Para sábios e ignorantes, felizes ou menos felizes, a hora se constitui do valor matemático e invariável de sessenta minutos.
Hoje é a partícula de crédito que possuis, em condomínio perfeito com todos aqueles que conheces e desconheces, que estimas ou desestimas, dom que te cabe, a fim de angariares novos dons.
Aproveita, assim, o agora em renovação e promoção. Renovação é progresso, promoção é serviço.
Não te prendas ao passado por aquilo que o passado te apresente de cadeias e sombras e nem te transtornes pelo futuro por aquilo que o futuro encerre de fantasia ou de incerteza.
Pelas forças do espírito, estamos enredados aos pensamentos do pretérito, à feição do corpo físico que permanece saturado de agentes da hereditariedade. Conquanto vinculados aos nossos ancestrais, nenhum de nós é chamado a terra para reproduzir a existência deles, e, por muito devamos às ideias dos instrutores que nos estenderam auxílio, estamos convocados a expressar as nossas.
Respeitemos quantos nos ajudaram e dignifiquemos os pioneiros do bem que nos prepararam caminho; no entanto, sejamos nós próprios.
Espíritos eternos, saibamos construir a nossa felicidade pelo atendimento às leis do amor e justiça. Esquecer o mal e fazer o bem, estudar e realizar, trabalhar e servir, renovar e aperfeiçoar sempre e infatigavelmente. Para isso, reflitamos: o ontem nos terá trazido à luz da experiência e amanhã decerto nos sugere luminosa esperança. A melhor oportunidade, entretanto, não se chama ontem nem amanhã. Chama-se hoje. Hoje é o dia.

Do livro “Estude e Viva”. Chico Xavier/Emmanuel

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Indicações de paz

Faça o bem que puder.
Não se irrite.
Não censure a ninguém.
Conserve a paciência.
Desculpe sem condições.
Não crie adversário.
Adquira amigos por onde passe.
Não atrase o socorro possível a quem sofre.
Converse auxiliando para o bem
Esqueça o mal, seja ele qual seja.
Não lamente.
Ensine a prática da bondade e da tolerância começando da própria casa.
Guarde silêncio ante qualquer insulto.
Tolere com serenidade a palavra ou o gesto de qualquer agressor.
Aceite os seus problemas, buscando resolvê-los, sem levantar problemas para os outros.
Mantenha o seu sorriso de compreensão e solidariedade.
Dentro da consciência tranquila, transforme, quanto possível, o que lhe apareça na feição do mal em benefício concreto.
Trabalha servindo.
Não esmoreça, diante as provas necessárias, persistindo com o melhor que você possa fazer.
Em qualquer obstáculo ou situação difícil, imagine o que Jesus faria ou não faria, em seu lugar, e prefira estar com Jesus, em sua consciência e em seu coração, porque atendendo às indicações de Jesus, nunca perderemos o tesouro da paz.

Hilário Silva, do livro Seara da Fé, psicografado por Chico Xavier

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Colabora

… Sai de ti mesmo e ampara aos que esmorecerem de inanição na vida íntima…
Se a compreensão já se te fez luz nos recessos da alma, reflete nos problemas da fome espiritual.
Não existiria a delinquência na Terra, em tamanha extensão, não fosse a carência de recursos na sustentação da alma.
Indaguemos dos companheiros internados em sanatórios e instituições outras de trabalho reeducativo, para tratamento das alterações psicológicas de que são portadores, se teriam entrado em qualquer processo culposo, caso soubessem quanto lhes custaria a recuperação.
Conheces as estatísticas, referentes às áreas do Planeta, ameaçadas pela falta de pão.
Medita nas multidões, em todos os setores das experiências terrestre que clamam por esclarecimento e consolo, segurança e tranquilidade.
Fotografas a presença de certas enfermidades no corpo, através da radiografia.
A biópsia fornece exata notícia do câncer.
Quem fará a identificação do desânimo no caráter juvenil ou da tempestade de lágrimas que arrasa um coração materno?
Sai de ti mesmo e ampara aos que esmorecem de inanição na vida íntima.
A fome do estômago grita e agride.
A fome do coração, no entanto, é anestesiada pelas sombras da ignorância, quando as sombras da ignorância acerca de Deus e da Imortalidade alcançam as forças do sentimento.
Tolera, serve, eleva e abençoa.
Para auxiliar na extinção das trevas de espírito, ninguém te pede espetáculos de grandeza.
Basta te disponhas a estender essa ou aquela migalha de amor num raio de luz.

Meimei, do livro Amizade, psicografia de Chico Xavier

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Conclusão simples

Todos nos reconhecemos filhos de Deus.

Nessa condição, habitualmente, quase todos nós, no mundo, solicitamos à Divina Providência nos forneça tudo aquilo de que necessitamos.

Efetivamente, o Todo Misericordioso nos concede, por meios múltiplos, todos os recursos básicos à sustentação da vida, através da Natureza.

Todo Pai, no entanto, forma o caráter e a personalidade dos filhos, através da disciplina e do estudo, do trabalho e da experiência.

Na Terra, assim, permanecem por nossa conta os cuidados com o solo, os irmãos-problemas, os filhos por educar e certas dificuldades a suprimir.

Muito comum, porém, no Plano Físico, quase todas as criaturas reclamarem a presença de Deus, quando esse ou aquele problema apareça.

Queremos que o Pai Supremo nos tome o lugar nos momentos de crise.

Exigimos que o Criador nos solucione as questões do relacionamento recíproco.

Rogamos ao Eterno Doador de Todas as Bênçãos nos concerte esses ou aqueles familiares doentes ou desorientados.

Recordemos, no entanto, que somos filhos de Deus e Deus que tudo pode realizar, reserva alguma parcela de serviço e responsabilidade para cada um de nós, a fim de que aprendamos a fazer pelos outros o que Ele faz constantemente por nós.

André Luiz, do livro Sinais de Rumo, psicografia de Chico Xavier

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Obediência e resignação

Segundo a ideia muito falsa de que não se pode reformar a própria natureza, o homem se julga dispensado de fazer esforços para se corrigir dos defeitos em que se compraz voluntariamente, ou que para isso exigiram muita perseverança. É assim, por exemplo, que o homem inclinado à cólera se desculpa quase sempre com seu temperamento. Em vez de se considerar culpado, atribui a falha ao seu organismo, acusando assim a Deus pelos seus próprios de feitos. É ainda uma consequência do orgulho, que se encontra misturado a todas as suas imperfeições. Não há dúvida que existem temperamentos que se prestam melhor aos atos de violência, como existem músculos mais flexíveis que melhor se prestam a exercícios físicos. Não penseis, porém, que seja essa a causa fundamental da cólera, e acreditai que um Espírito pacífico, mesmo num corpo bilioso, será sempre pacífico, enquanto um Espírito violento, num corpo linfático, não seria dócil. Nesse caso a violência apenas tomaria outro caráter. Não dispondo de seu organismo apropriado à sua manifestação, a cólera seria concentrada enquanto no caso contrário seria expansiva.
O corpo não dá impulsos de cólera a quem não os tem, com não dá outros vícios. Todas as virtudes e todos os vícios são inerente ao Espírito. Sem isso, onde estariam o mérito e a responsabilidade. O homem que é deformado não pode tornar-se direito, porque o Espírito nada tem com isso, mas pode modificar o que se relaciona com Espírito, quando dispõe de uma vontade firme. A experiência não vos prova, espíritas, até onde pode ir o poder da vontade, pelas transformações verdadeiramente miraculosas que se operam aos vossos olhos? Dizei, pois, que o homem só permanece vicioso porque o quer, mas que aquele que deseja corrigir-se sempre o pode fazer. De outra maneira, a lei do progresso não existiria para o homem.

Hahnemann, Paris, 1863, em O Evangelho Segundo o Espiritismo