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Lacordaire – Os Messias do Espiritismo

Eis uma pergunta que se repete por toda parte: O Messias anunciado é a mesma pessoa do Cristo?
Junto de Deus estão os Espíritos numerosos chegados ao cume da escala dos Espíritos puros, que mereceram ser iniciados em seus desígnios, para dirigir-lhes a execução. Deus escolhe entre eles seus enviados superiores encarregados das missões especiais. Podeis chamá-los Cristos: é a mesma escola; são as mesmas ideias modificadas segundo os tempos.
Não vos admireis, pois, de todas as comunicações que vos anunciam a vinda de um Espírito poderoso sob o nome do Cristo; é o pensamento de Deus revelado a uma certa época, e que é transmitido pelo grupo dos Espíritos superiores que se aproximam de Deus, e que dele recebe as emanações para presidir ao futuro dos mundos gravitando no espaço.
Aquele que morreu sobre a cruz tinha uma missão a cumprir, e essa missão se renova hoje por outros Espíritos desse grupo divino, que vêm, eu o repito, presidir aos destinos de vosso mundo.
Se o Messias, do qual falam essas comunicações, não for a personalidade de Jesus, é o mesmo pensamento. É aquele que Jesus anunciou quando disse: “Eu vos enviarei o Espírito de Verdade que deverá restabelecer todas as coisas”, quer dizer, conduzir os homens à sadia interpretação de seus ensinos, porque ele previa que os homens se desviariam do caminho que lhes havia traçado.
Era preciso, aliás, completar o que não havia podido dizer então, porque não teria sido compreendido. Foi porque uma multidão de Espíritos de todas as ordens, sob a direção do Espírito de Verdade, veio em todas as partes do mundo e em todos os povos, revelar as leis do mundo espiritual, das quais Jesus havia adiado o ensinamento, e lançar, pelo Espiritismo, os fundamentos da nova ordem social. Quando todas as bases lhe forem postas, então virá o Messias que deverá coroar o edifício e presidir à reorganização com a ajuda dos elementos que terão sido preparados. Mas não creiais que esse Messias esteja só; haverá vários deles que abraçarão, pela posição que cada um ocupará no mundo, as grandes partes da ordem social: a política, a religião, a legislação, a fim de fazê-las concordar com o mesmo objetivo.
Além dos Messias principais, Espíritos de elite surgirão em todas as partes do detalhe, e que, como lugares-tenentes animados da mesma fé e do mesmo desejo, agirão de comum acordo sob o impulso do pensamento superior.
Será assim que, pouco a pouco, se restabelecerá a harmonia do conjunto; mas é necessário, preliminarmente, que certos acontecimentos se realizem.
LACORDAIRE; Paris, 1862.

Revista Espírita, fevereiro de 1868

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Espíritas meditemos

Um templo espírita é, na essência, um educandário em que as leis do Ser, do Destino, da Evolução e do Universo são examinadas claramente, fazendo luz e articulando orientação, mas, por isso, não deve converter-se num instituto de mera preocupação academicista.
Manterá o simpósio dos seareiros experientes, sempre que necessário, mas não o situará por cima da obra de evangelização popular.
Alentará a tribuna em que o verbo primoroso lhe honorificará os princípios, diante de assembleias cultas e atentas; contudo, não se esquecerá do entendimento fraternal, de coração para coração, em que os companheiros mais sábios se disponham, pacientemente, a responder às perguntas e a sossegar as inquietações dos menos instruídos.
Fornecerá informações preciosas aos pesquisadores da Verdade, na esfera dos conhecimentos superiores que veicula, no entanto, trabalhará com maior devotamento em favor dos caídos em provação e necessidade, que lhe batem à porta, esmagados de sofrimento.
Prestigiará a ciência do mundo que suprime as enfermidades e valorizará o benefício da prece e o do magnetismo curativo, no socorro aos doentes.
Divulgará o conceito filosófico e a frase consoladora.
Propiciará o ensino, multiplicando o pão.
Um templo espírita, revivendo o Cristianismo, é um lar de solidariedade humana, em que os irmãos mais fortes são apoio aos mais fracos e em que os mais felizes são trazidos ao amparo dos que gemem sob o infortúnio.
Nesse sentido, é lícito recordar os apelos endereçados pelo Mundo Espiritual aos espíritas, através da Codificação Kardecista, no item 4, do capítulo XX, de “O Evangelho segundo o Espiritismo”, que nos apontam rumo certo:
“Ide, pois, e levai a palavra divina aos grandes que a desprezarão; aos eruditos que exigirão provas; aos pequenos e simples que a aceitarão, porque principalmente entre os mártires do trabalho, na provação terrena, encontrareis fervor e fé. Ide! Esses receberão com hinos de gratidão e louvores a Deus, a santa consolação que lhes levareis, e baixarão a fronte, rendendo-lhe graças pelas aflições que a Terra lhes destina”.
Espíritas, reflitamos!
Estudemos, sentindo, compreendendo, construindo e ajudando sempre.
Auxiliemos o próximo, sustentando, ainda, todos aqueles que procuram auxiliar.
Jesus chamou a equipe dos apóstolos que lhe asseguraram cobertura à obra redentora, não para incensar-se e nem para encerrá-los em torre de marfim, mas para erguê-los à condição de amigos fiéis, capazes de abençoar, confortar, instruir e servir ao povo que, em todas as latitudes da Terra, lhe constitui a amorosa família do coração.

Chico Xavier/Emmanuel – do livro Estude e Viva

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