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No bom combate

Meu jovem amigo.
Enquanto brilha a manhã, atendamos à conscrição divina.
Convida-nos o Senhor a operar no grande combate da luz contra a sombra e do bem contra o mal.
Não longe de nós, há continentes do espírito por descobrir e desbravar.
Armemos o coração de amor e humildade, coragem e entendimento.
Enquanto o entusiasmo juvenil te povoa a alma sensível, ao nosso lado, marcham lidadores desiludidos que as amarguras da Terra desencantaram, quase vencidos ao gelado sopro do desânimo, e, enquanto o hino da alegria ressoa na acústica de teus sonhos diante do altar da vida, junto de nós, seguem companheiros sem a graça da esperança, quase perdidos sob o nevoeiro da angústia que lhes parece irremediável…
Há inimigos na vizinhança de nossa experiência pessoal, reclamando-nos socorro sereno e vigilância pacífica.
São eles a ignorância e o ódio, o desalento e a discórdia, o egoísmo e a vaidade… Há irmãos nossos, na longa estrada, caídos sob o gládio desses antigos verdugos da Humanidade.
Contra esses adversários da felicidade e da paz é indispensável detonar o alfabeto e arremessar os raios divinos do amor, semear o bom ânimo e fortalecer a união fraterna, irradiar a bondade e exemplificar a vida simples.
Não te separes da esperança.
O caminho do progresso é cimentado com o suor dos trabalhadores leais ao Supremo Bem, que descobrem no próprio sacrifício e no heroísmo silencioso e anônimo a glória da libertação espiritual.
Estamos recrutados para ajudar e servir.
Sigamos, pois, para a vanguarda da redenção terrestre, sem exigir do mundo senão o direito de sermos úteis, no setor da atividade individual, porque em nosso exército de servidores cada batalhador dará testemunho de si mesmo, de coração ligado ao Divino Comandante que preferiu o escárnio público, a solidão íntima e a morte na cruz, para que o Amor resplandecesse em vitória sublime e imperecível sobre a Terra inteira.

Agar

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O Julgamento Final

Jesus virá sobre as nuvens para julgar os vivos e os mortos. Sim, Deus o enviará, como o envia todos os dias, para dar essa justiça soberana nas planícies imensas do éter.
Ah! Quando São Tiago foi precipitado do alto da torre do templo de Jerusalém, pelos pontífices e pelos fariseus, por ter anunciado, ao povo reunido, essa verdade ensinada pelo Cristo e seus apóstolos, lembrai-vos de que, a essa palavra do justo, a multidão se prosterna exclamando:
Glória a Jesus, filho de Deus, no mais alto dos Céus!
Ele virá sobre as nuvens em terrível reunião plenária: não é para vos dizer, ó Espíritas, que ele venha perpetuamente receber as almas daqueles que entram na erraticidade? Passai à minha direita, diz às suas ovelhas o pastor, vós que bem agistes segundo as vistas de meu Pai, passai à minha direita e subi até ele; quanto a vós que vos deixastes dominar pelas paixões da Terra passai à minha esquerda, estais condenados.
Sim, estais condenados a recomeçar o caminho percorrido, numa nova existência terrestre, até que estejais saciados de matérias e de iniquidades, e que, enfim, tenhais expulsado o impuro que vos domina. Sim, estais condenados; ide e retornai, pois, ao inferno da vida humana, enquanto que vossos irmãos da mão direita vão se lançar para as esferas superiores, de onde as paixões da Terra estão excluídas, até o dia em que entrarão no reino de meu Pai para uma maior purificação.
Sim, Jesus virá julgar os vivos e os mortos; os vivos: os justos, os de sua direita; os mortos: os impuros, os de sua esquerda; e quando as asas empurrarem os justos, a matéria se apoderará ainda dos impuros; e isto, até que estes saiam vencedores dos combates contra a impureza, e se despojem, enfim, para sempre, de suas crisálidas humanas.
Ó Espíritas! Vedes que vossa doutrina é a única que consola, a única que dá a esperança, e não condenando a uma condenação eterna os infelizes que se comportaram mal durante alguns minutos da eternidade; a única, enfim, que prediz o fim verdadeiro da Terra pela elevação gradual dos Espíritos.
Progredi, pois, despojando o velho homem, para entrar na região dos Espíritos amados por Deus.
Erasto, Paris 1861

Revista Espírita, fevereiro de 1868