Arquivo da tag: epístola

Buscando a frente

Buscando a frente

Todavia, andemos de acordo com o que já alcançamos. – Paulo. (Filipenses, 3:16.)
Disse Paulo: prossigo para o alvo… em se referindo às conquistas supremas do espírito.
Baseados em semelhante afirmativa, numerosos aprendizes do Evangelho pretendem justificar aventuras e inovações temerárias a que se confiam. Imaginam programas fantasiosos de trabalho ou mudanças precipitadas de orientação espiritual e endereçam-se ao apóstolo Paulo, procurando apoio evangélico para as atitudes extravagantes que assumem.
Vale, porém, reexaminar sempre como é que o amigo da gentilidade seguia para o alvo.
Paulo marchava para frente, fiel à retaguarda em tudo aquilo que a retaguarda possuía de útil e bom, grande e santo. Caminhava para diante honorificando os compromissos abraçados, adiantava-se no tempo sem perder a visão da tarefa que prometera realizar.
Não propunha realizações prematuras nem se entregava a sonhos marginais. Andava na trilha espinhosa dos deveres que traçara a si mesmo, perante o Cristo, buscando a meta sem contradições ou discrepâncias.

Se a sede de progresso te escalda o raciocínio, lembra-te realmente de Paulo e acompanha-lhe os exemplos no serviço renovador, mas avança para a vanguarda sem fugir ao sentido e à disciplina dos princípios edificantes que esposaste, no encalço da Vida Superior. Não nos será lícito esquecer que o apóstolo da gentilidade, no versículo 14 do capítulo 3 da epístola dedicada por ele aos filipenses, grafou as suas inesquecíveis palavras de entusiasmo e esperança: prossigo para o alvo; entretanto, no versículo 16 do mesmo documento evangélico não deixou de prevenir-nos, sensatamente: todavia, andemos de acordo com o que já alcançamos.

Emmanuel

A Caminho do Alto

Porque eu sou o menor dos apóstolos… – Paulo, I Coríntios,15:9.
Decididamente, muitos defeitos nos caracterizam ainda o progresso moral deficitário. Não nos será lícito, porém, esquecer algumas das bênçãos que já conseguimos amealhar com o amparo do Mestre Divino.
Não temos a santidade; no entanto, já nos matriculamos na escola do bem, aprendendo a evitar as arremetidas do mal.
Não dispomos de sabedoria, mas já percebemos a importância do estudo, diligenciando entesourar-lhe os valores imperecíveis.
Não possuímos a inexpugnabilidade moral; todavia, já sabemos orar, organizando a própria resistência contra o assédio das tentações.
Não nos galardoamos ainda com o total desprendimento de nós mesmos, notadamente no capítulo do perdão incondicional; contudo, já aceitamos a necessidade de abandonar a concha do egoísmo, exercitando-nos em diminutivos gestos de entendimento e fraternidade para alcançar a vivência da grande abnegação.
Não atingimos o sentimento imaculado; entretanto, pelo esforço na disciplina de nossas inclinações e desejos, já nos adestramos, a pouco e pouco, para aquisição do amor puro.
Não entremostramos, de leve, o heroísmo da fé absoluta, mas já assimilamos grau relativo de confiança na Divina Providência, buscando agradecer-lhe a paz dos dias serenos, tanto quanto invocando-lhe a proteção para a travessia das horas difíceis.
Sem dúvida, estamos muito longe, infinitamente muito longe da perfeição… Cabe, porém, a nós, aprendizes do Evangelho, a obrigação de confrontar-nos hoje com o que éramos ontem e, a nosso ver, feito isso, cada um de nós pode, sem pretensão parafrasear as palavras do apóstolo Paulo, nos versículos 9 e 10, do capítulo 15, de sua Primeira Epístola aos Coríntios: Dos servidores do Senhor, sei que sou o menor e o mais endividado perante a Lei, mas com a graça de Deus sou o que sou

Emmanuel