A sociedade em geral, ou, melhor dizendo, a reunião de seres, tanto encarnados quanto desencarnados, que compõem a população flutuante de um mundo, em uma palavra, uma Humanidade, não é outra senão uma grande criança coletiva que, como todo ser dotado de vida, passa por todas as fases que se sucedem em cada um, desde o nascimento até a idade mais avançada; e, do mesmo modo que o desenvolvimento do indivíduo é acompanhado de certas perturbações físicas e intelectuais que incumbem, mais particularmente, em certos períodos da vida, a Humanidade tem suas doenças de crescimento, seus transtornos morais e intelectuais.
É a uma dessas grandes épocas, que terminam um período e que começam outro, a que vos é dado assistir. Participando, ao mesmo tempo, das coisas do passado e as do futuro, aos sistemas que se desmoronam e às verdades que se fundem, tende cuidado, meus amigos, de vos colocar ao lado da solidez, do progresso e da lógica, se não quereis ser arrastados à deriva; e abandonar os palácios suntuosos quanto à aparência, mas vacilantes pela base, e que enterrarão logo sob suas ruínas os infelizes bastante insensatos para não querer sair deles, apesar das advertências de toda natureza que lhes são prodigalizadas.
Todas as frontes se entristecem e a calma aparente, que julgais gozar, não serve senão para acumular um maior número de elementos destruidores.
Algumas vezes, a tempestade que destrói o fruto dos suores de um ano é precedida de precursores que permitem tomar as precauções necessárias para evitar, tanto quanto possível, a devastação. Desta vez, isso não será assim. O céu ensombrado parecerá clarear; as nuvens fugirão; depois, de repente, todos os furores por muito tempo comprimidos desencadear-se-ão com uma violência estranha.
Infelizes daqueles que não tiverem preparado um abrigo! Infelizes dos fanfarrões que irão ao perigo com o braço desarmado e o peito descoberto! Infelizes daqueles que afrontarão o perigo com a taça à mão! Que decepção terrível os espera! A taça presa em sua mão não chegará aos seus lábios, que serão feridos!
À obra, pois, Espíritas, e não vos esqueçais de que devereis ser todo prudência e todo previdência. Tendes um escudo, sabei dele servir-vos; uma âncora de salvação, não a negligencieis.
Clélie Duplantier, Paris 1867.
Revista Espírita, fevereiro de 1868.
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