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Futuro do Espiritismo

Depois de suas primeiras etapas, o Espiritismo acostumando-se aos perigos, livrando-se cada vez mais das obscuridades que lhes serviram de cueiros, fará logo seu aparecimento no grande palco do mundo.
Os acontecimentos caminham com uma rapidez tal, que não se pode menosprezar a poderosa intervenção dos Espíritos que presidem aos destinos da Terra. Há como um estremecimento nos flancos de vosso globo em trabalho de parto; novas raças saídas das altas esferas veem turbilhonar ao vosso redor, esperando a hora de sua encarnação messiânica, e ali se prepara pelo estudo de vastas questões que comovem hoje a Terra.
Veem-se, de todos os lados, sinais de decrepitude nos usos e nas legislações que não estão mais em relação com as ideias modernas.
As velhas crenças, adormecidas há séculos, parecem despertar de seu torpor secular, e se admiram de se ver em luta com as novas crenças emanadas dos filósofos e dos pensadores deste século e do século passado. O sistema degenerado de um mundo que não era senão um simulacro se desmorona diante da aurora do mundo real, do mundo novo.
A lei de solidariedade da família passou aos habitantes dos Estados para conquistar em seguida a Terra inteira; mas essa lei tão sábia, tão progressista, essa lei divina, em uma palavra, não se limita a esse resultado único; infiltrando-se nos corações de grandes homens, ensinou-lhes que, não só era necessária ao grande melhoramento de vossa morada, mas que se estendia a todos os mundos de vosso sistema solar para se estender dali a todos os mundos da imensidade!
Ela é bela, essa lei da solidariedade universal, porque nessa lei se encontra esta sublime máxima: Todos por um e cada um por todos.
Eis, meus filhos, a verdadeira lei do Espiritismo, a verdadeira conquista de um futuro próximo. Caminhai, pois, em vosso caminho imperturbavelmente, sem vos preocupar com as zombarias de uns e amor-próprio ferido de outros.
Estamos e ficaremos convosco, sob a égide do Espírito de Verdade, meu Senhor e o vosso Senhor.
ERASTO, Paris 1863.

Revista Espírita, fevereiro de 1868

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Lacordaire – Os Messias do Espiritismo

Eis uma pergunta que se repete por toda parte: O Messias anunciado é a mesma pessoa do Cristo?
Junto de Deus estão os Espíritos numerosos chegados ao cume da escala dos Espíritos puros, que mereceram ser iniciados em seus desígnios, para dirigir-lhes a execução. Deus escolhe entre eles seus enviados superiores encarregados das missões especiais. Podeis chamá-los Cristos: é a mesma escola; são as mesmas ideias modificadas segundo os tempos.
Não vos admireis, pois, de todas as comunicações que vos anunciam a vinda de um Espírito poderoso sob o nome do Cristo; é o pensamento de Deus revelado a uma certa época, e que é transmitido pelo grupo dos Espíritos superiores que se aproximam de Deus, e que dele recebe as emanações para presidir ao futuro dos mundos gravitando no espaço.
Aquele que morreu sobre a cruz tinha uma missão a cumprir, e essa missão se renova hoje por outros Espíritos desse grupo divino, que vêm, eu o repito, presidir aos destinos de vosso mundo.
Se o Messias, do qual falam essas comunicações, não for a personalidade de Jesus, é o mesmo pensamento. É aquele que Jesus anunciou quando disse: “Eu vos enviarei o Espírito de Verdade que deverá restabelecer todas as coisas”, quer dizer, conduzir os homens à sadia interpretação de seus ensinos, porque ele previa que os homens se desviariam do caminho que lhes havia traçado.
Era preciso, aliás, completar o que não havia podido dizer então, porque não teria sido compreendido. Foi porque uma multidão de Espíritos de todas as ordens, sob a direção do Espírito de Verdade, veio em todas as partes do mundo e em todos os povos, revelar as leis do mundo espiritual, das quais Jesus havia adiado o ensinamento, e lançar, pelo Espiritismo, os fundamentos da nova ordem social. Quando todas as bases lhe forem postas, então virá o Messias que deverá coroar o edifício e presidir à reorganização com a ajuda dos elementos que terão sido preparados. Mas não creiais que esse Messias esteja só; haverá vários deles que abraçarão, pela posição que cada um ocupará no mundo, as grandes partes da ordem social: a política, a religião, a legislação, a fim de fazê-las concordar com o mesmo objetivo.
Além dos Messias principais, Espíritos de elite surgirão em todas as partes do detalhe, e que, como lugares-tenentes animados da mesma fé e do mesmo desejo, agirão de comum acordo sob o impulso do pensamento superior.
Será assim que, pouco a pouco, se restabelecerá a harmonia do conjunto; mas é necessário, preliminarmente, que certos acontecimentos se realizem.
LACORDAIRE; Paris, 1862.

Revista Espírita, fevereiro de 1868