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Há um século

 

I

Allan Kardec, o Codificador da Doutrina Espírita, naquela triste manhã de abril de 1860, estava exausto, acabrunhado.
Fazia frio.
Muito embora a consolidação da Sociedade Espírita de Paris e a promissora venda de livros, escasseava o dinheiro para a obra gigantesca que os Espíritos Superiores lhe haviam colocado nas mãos.
A pressão aumentava…
Missivas sarcásticas avolumavam-se à mesa.
Quando mais desalentado se mostrava, chega a paciente esposa, Madame Rivail – a doce Gaby –, a entregar-lhe certa encomenda, cuidadosamente apresentada.

II

O professor abriu o embrulho, encontrando uma carta singela.
E leu:

“Sr. Allan Kardec:
Respeitoso abraço.
Com a minha gratidão, remeto-lhe o livro anexo, bem como a sua história, rogando-lhe, antes de tudo, prosseguir em suas tarefas de esclarecimento da Humanidade, pois tenho fortes razões para isso.
Sou encadernador desde a meninice, trabalhando em grande casa desta capital. Há cerca de dois anos casei-me com aquela que se revelou minha companheira ideal. Nossa vida corria normalmente e tudo era alegria e esperança, quando, no início deste ano, de modo inesperado, minha Antoinette partiu desta vida, levada por sorrateira moléstia.
Meu desespero foi indescritível e julguei-me condenado ao desamparo extremo. Sem confiança em Deus, sentindo as necessidades do homem do mundo e vivendo com as dúvidas aflitivas de nosso século, resolvera seguir o caminho de tantos outros, ante a fatalidade…
A prova da separação vencera-me, e eu não passava, agora, de trapo humano. Faltava ao trabalho e meu chefe, reto e ríspido, ameaçava-me com a dispensa.
Minhas forças fugiam.
Namorara diversas vezes o Sena e acabei planeando o suicídio.
“Seria fácil, não sei nadar” – pensava.
Sucediam-se noites de insônia e dias de angústia. Em madrugada fria, quando as preocupações e o desânimo me dominaram mais fortemente, busquei a Ponte Marie. Olhei em torno, contemplando a corrente… E, ao fixar a mão direita para atirar-me, toquei um objeto algo molhado que se deslocou da amurada, caindo-me aos pés.
Surpreendido, distingui um livro que o orvalho umedecera. Tomei o volume nas mãos e, procurando a luz mortiça de poste vizinho, pude ler, logo no frontispício, entre irritado e curioso:
“Esta obra salvou-me a vida. Leia-a com atenção e tenha bom proveito. – A. Laurent.”
Estupefato, li a obra O LIVRO DOS ESPÍRITOS, ao qual acrescentei breve mensagem, volume esse que passo às suas mãos abnegadas, autorizando o distinto amigo a fazer dele o que lhe aprouver.”

Ainda constavam da mensagem agradecimentos finais, a assinatura, a data e o endereço do remetente.
O Codificador desempacotou, então, um exemplar de O LIVRO DOS ESPÍRITOS ricamente encadernado, em cuja capa viu as iniciais do seu pseudônimo e na página do frontispício, levemente manchada, leu com emoção não somente a observação a que o missivista se referira, mas também outra, em letra firme:
“Salvou-me também. Deus abençoe as almas que cooperaram em sua publicação. – Joseph Perrier.”

III

Após a leitura da carta providencial, o Professor Rivail experimentou nova luz a banhá-lo por dentro…
Conchegando o livro ao peito, raciocinava, não mais em termos de desânimo ou sofrimento, mas sim na pauta de radiosa esperança.
Era preciso continuar, desculpar as injúrias, abraçar o sacrifício e desconhecer as pedradas…
Diante de seu espírito turbilhonava o mundo necessitado de renovação e consolo.
Allan Kardec levantou-se da velha poltrona, abriu a janela à sua frente, contemplando a via pública, onde passavam operários e mulheres do povo, crianças e velhinhos…
O notável obreiro da Grande Revelação respirou a longos haustos e, antes de retomar a caneta para o serviço costumeiro, levou o lenço aos olhos e limpou uma lágrima…

Chico Xavier/Hilário Silva – Do livro “O Espírito da Verdade”

Saúde

Joaquim Murtinho
Joaquim Murtinho

Se o homem compreendesse que a saúde do corpo é reflexo da harmonia espiritual e, se pudesse abranger a complexidade dos fenômenos íntimos que o aguardam além da morte, certo se consagraria à vida simples, com o trabalho ativo e a fraternidade legitima por normas de verdadeira felicidade.
A escravização aos sintomas e aos remédios não passa, na maioria das ocasiões, de fruto dos desequilíbrios a que nos impusemos.
Quanto maior o desvio, mais dispendioso o esforço de recuperação. Assim, também, cresce o número das enfermidades à proporção que se nos multiplicam os desacertos, e, exacerbadas as doenças, tornam-se cada vez mais difíceis e complicados os processos de tratamento, levando milhões de criaturas a se algemarem a preocupações e atividades que adiam, indefinidamente, a verdadeira obra de educação que o mundo necessita.
O homem é inquilino da carne, com obrigações naturais de preservação e defesa do patrimônio que temporariamente usufrui.
Não se compreende que uma pessoa instruída amontoe lixo e lama, ou crie insetos patogênicos no próprio âmbito doméstico.
Existe, no entanto, muita gente de boa leitura e de hábitos respeitáveis que não se lhe dá atochar dos mais vários tóxicos a residência corpórea e que não acha mal no libertar a cólera e a irritação, de minuto a minuto, dando pasto a pensamentos aviltantes, cujos efeitos por muito tempo se fazem sentir na vida diária.
Sirvamo-nos deste símbolo, para estender-nos em mais simples considerações. Se nós sabemos imprescindível a higiene interna da casa, por que não movermos o espanador da atividade benéfica, desmanchando as teias escuras das ideias tristes? Por que não fazer ato salutar do uso da água pura, em vasta escala, beneficiando os mais íntimos escaninhos do edifício celular e atendendo igualmente ao banho diário, no escrúpulo do asseio? Se nos desvelamos em conservar o domicílio suficientemente arejado, por que não respirar, a longos haustos, o oxigênio tão puro quanto possível, de modo a facilitar a vida dos pulmões?
Quem construa uma habitação, cogita, não somente bases sólidas, que a suportem, senão da orientação, de tal jeito que a luz do sol a envolva e penetre profundamente; jamais voltaria esse alguém a situar o ambiente doméstico numa caverna de troglodita.
Analogamente, deve o homem assentar fundamentos morais seguros, que lhe garantam a verdadeira felicidade, colocando-se, no quadro social onde vive, de frente voltada para os ideais luminosos e santificantes, de modo que a divina inspiração lhe inunde as profundezas da alma.
Frequentemente a moradia das pessoas cuidadosas e educadas se exorna, em seu derredor, de plantas e de flores que encantam o transeunte, convidando-o à contemplação repousante e aos bons pensamentos.
Por que não multiplicar em torno de nós os gestos de gentileza e de solidariedade, que simbolizam as flores do coração?
Ninguém é tentado a descansar ou a edificar-se em recintos empedrados ou espinhosos.
Assim também, a palavra agradável que proferimos ou recebemos, as manifestações de simpatia, as atitudes fraternais e a compreensão sempre disposta a auxiliar, constituem recursos medicamentosos dos mais eficientes, porque a saúde, na essência, é harmonia de vibrações.
Quando nossa alma se encontra realmente tranquila, o veículo que lhe obedece está em paz.
A mente aflita despede raios de energia desordenada que se precipitam sobre os órgãos à guisa de dardos ferinos, de consequências deploráveis para as funções orgânicas.
O homem comumente apenas registra efeitos, sem consignar as causas profundas.
E que dizer das paixões insopitadas, das enormes crises de ódio e de ciúme, dos martírios ocultos do remorso, que rasgam feridas e semeiam padecimentos inomináveis na delicada constituição da alma?
Que dizer relativamente à hórrida multidão dos pensamentos agressivos duma razão desorientada, os quais tanto malefício trazem, não só ao indivíduo, mas, igualmente, aos que se achem com ele sintonizados?
O nosso lar de curas na vida espiritual vive repleto de enfermos desencarnados.
Desencarnados embora, revelam psicoses de trato difícil.
A gravitação é lei universal, e o pensamento ainda é matéria em fase diferente daquelas que nos são habituais. Quando o centro de interesses da alma permanece na Terra, embalde se lhe indicará o caminho das alturas.
Caracteriza-se a mente também, por peso específico, e é na própria massa do Planeta que o homem enrodilhado em pensamentos inferiores se demorará, depois da morte, no serviço de purificação.
Os instrutores religiosos, mais do que doutrinadores, são médicos do espírito que raramente ouvimos com a devida atenção, enquanto na carne.
Os ensinamentos da fé constituem receituário permanente para a cura positiva das antigas enfermidades que acompanham a alma, século trás séculos.
Todos os sentimentos que nos ponham em desarmonia com o ambiente, onde fomos chamados a viver, geram emoções que desorganizam, não só as colônias celulares do corpo físico, mas também o tecido sutil da alma, agravando a anarquia do psiquismo.
Qualquer criatura, conscientemente ou não, mobiliza as faculdades magnéticas que lhe são peculiares nas atividades do meio em que vive. Atrai e repele. Do modo pelo qual se utiliza de semelhantes forças depende, em grande parte, a conservação dos fatores naturais de saúde.
O espírito rebelde ou impulsivo que foge às necessidades de adaptação, assemelha-se a um molinete elétrico, armado de pontas, cuja energia carrega e, simultaneamente, repele as moléculas do ar ambiente; assim, esse espírito cria em torno de si um campo magnético sem dúvida adverso, o qual, a seu turno, há de repeli-lo, precipitando-o numa “roda-viva” por ele mesmo forjada.
Transformando-se em núcleo de correntes irregulares, a mente perturbada emite linhas de força, que interferirão como tóxicos invisíveis sobre o sistema endocrínico, comprometendo-se a normalidade das funções.
Mas não são somente a hipófise, a tireoide ou as cápsulas suprarrenais as únicas vítimas da viciação. Múltiplas doenças surgem para a infelicidade do espírito desavisado que as invoca. Moléstias como o aborto; a encefalite letárgica, a esplenite, a apoplexia cerebral, a loucura, a nevralgia, a tuberculose, a Coréia, a epilepsia, a paralisia, as afecções do coração, as úlceras gástricas e as duodenais, a cirrose, a icterícia, a histeria e todas as formas de câncer podem nascer dos desequilíbrios do pensamento.
Em muitos casos, são inúteis quaisquer recursos medicamentosos, porquanto só a modificação do movimento vibratório da mente, à base de ondas simpáticas, poderá oferecer ao doente as necessárias condições de harmonia.
Geralmente, a desencarnação prematura é o resultado do longo duelo vivido pela alma invigilante; esses conflitos prosseguem na profundeza da consciência, dificultando a ligação entre a alma e os poderes restauradores que governam a vida.
A extrema vibratilidade da alma produz estados de hipersensibilidade, os quais, em muitas circunstâncias, se fazem seguir de verdadeiros desastres organopsíquicos.
O pensamento, qualquer que seja a sua natureza, é uma energia, tendo, conseguintemente, seus efeitos.
Se o homem cultivasse a cautela, selecionando inclinações e reconhecendo o caráter positivo das leis morais, outras condições, menos dolorosas e mais elevadas, lhe presidiriam à evolução.
É imprescindível, porém, que a experiência nos instrua individualmente. Cada qual em seu roteiro, em sua prova, em sua lição.
Com o tempo aprenderemos que se pode considerar o corpo como o “prolongamento do espírito”, e aceitaremos no Evangelho do Cristo o melhor tratado de imunologia contra todas as espécies de enfermidade.
Até alcançarmos, no entanto, esse período áureo da existência na Terra, continuemos estudando, trabalhando e esperando.

Chico Xavier/Joaquim Murtinho – do livro Falando à Terra

Grandes Mestres e a Reencarnação

 

“Fui mineral, morri e me tornei planta, como planta morri e depois fui animal, como animal morri e depois fui homem, porque teria eu medo? Acaso fui rebaixado pela morte? Vi dois mil homens que eu fui; mas nenhum era tão bom quanto sou hoje. Morrerei ainda como homem, para elevar-me e estar entre os bem-aventurados anjos. Entretanto, mesmo esse estado de anjo terei de deixar.”

Al-Rumi – Poeta Islâmico (1210 – 1273)

“A ciência sem a religião é paralítica, e a religião sem a ciência é cega.”

Albert Einstein (1879 – 1955)

“Nascer, crescer, morrer, renascer ainda e progredir sempre, tal é a lei”.
“Aquele que se esforça seriamente por melhorar assegura para si a felicidade, já nesta vida.”Allan Kardec (1804 – 1869)

“Se um asiático me perguntar por uma definição da Europa, serei forçado a responder-lhe do seguinte modo: É aquela parte do mundo perseguida pela incrível ilusão de que o homem foi criado do nada, e que a sua existência atual é a sua primeira entrada na vida.”

Arthur Schopenhauer – Filósofo Alemão (1788 – 1860)

“Aqui jaz o corpo de Benjamin Franklin, Impressor, Semelhante à capa de um velho livro de páginas arrancadas, abandonadas ao léu, com seu título e seus dourados apagados. A obra não se perderá, pois como ele acreditava, ela aparecerá uma vez mais em nova edição mais elegante, revisada e corrigida pelo autor.”

Benjamin Franklin (1706 – 1790)

“Da mesma forma que nos desfazemos de uma roupa usada para pegar uma nova, assim a alma se descarta de um corpo usado para se revestir de novos corpos.”

Bhagavad Gita (1500 A. C.)

“Os seres humanos que se apegam demasiado aos valores materiais são obrigados a reencarnar incessantemente, até compreenderem que ser é mais importante do que ter.”

Buda (563 – 483 A. C.)

“Não é bastante nascer da água, não basta tomar um corpo de carne neste mundo e nascer aqui, não basta nos encarnarmos aqui nesta Terra, precisamos principalmente “nascer do espírito”; por isso o Mestre acrescenta no capítulo 3, versículo 6 de João: o que é nascido da carne é carne; o que é nascido do espírito é espírito. Quando visitou o Mestre, Nicodemos já havia nascido da água, mas não havia nascido do espírito”.

Cairbar Schutel, no livro Parábolas e Ensinos de Jesus

“Minha vida, tal como a vivi, muitas vezes me pareceu uma história sem começo nem fim. Eu tinha a sensação de ser um fragmento histórico, um trecho ao qual faltavam o trecho anterior e o seguinte. Podia perfeitamente imaginar ter vivido em séculos precedentes, onde encontrava perguntas que ainda não era capaz de responder, que teria de nascer de novo por não ter cumprido a tarefa que me havia sido designada.”

Carl Jung (1875 – 1961)

“Se aceitamos a crença numa continuação da vida, a prática religiosa se torna uma necessidade que nada pode suplantar, para preparar sua encarnação futura… Seja qual for o nome dessa religião, o fato de compreendê-la e praticá-la torna-se a base essencial de uma mente que está em paz, portanto, de um mundo em paz. Se não há paz na mente, não pode haver paz alguma no modo como uma pessoa se relaciona com as outras, e, por conseguinte, não pode haver relações entre os indivíduos ou entre as nações.”

Dalai Lama

“Sei que já estive aqui antes, mas onde e quando não sei dizer; conheço a relva que há lá fora, o cheiro doce e penetrante, as luzes da praia, o som sussurrante”.“Já fostes minha algum dia – Há quanto tempo não sei dizer: “Mas no momento em que viraste o rosto para seguir o voo daquele pássaro, foi como se um véu caísse, – eu vira aquilo antes”.

Dante Gabriel Rossetti (Nasceu em Londres, em 12 de Maio de 1828, e morreu em Birchington-on-Sea, Inglaterra, em 9 de Abril de 1882). Pintor e poeta inglês do século XIX.

Teria sido a alma criada no momento da concepção, na mulher, segundo as teorias anti-reencarnacionistas? Como será a preexistência? O Espírito já é criado pela potência suprema do universo, apto a ingressar nas fileiras humanas?
E os pensadores se voltam para os vultos eminentes do passado. As autoridades católicas valem-se de Tomás de Aquino, que acreditava na criação da alma no período de tempo que precede o nascimento de um novo ser, esquecendo-se dos grandes padres da antiguidade, como Orígenes, cuja obra é um atestado eterno em favor das verdades da preexistência.
Outras doutrinas religiosas buscam a opinião falível da sua ortodoxia e de seus teólogos, relutando em aceitar as realidades luminosas da reencarnação. Pascal, escrevendo em tenra idade o seu tratado sobre os cones, e inúmeros espíritos de escol laborando com sua genialidade precoce nas grandes tarefas para as quais foram chamados a Terra, constituem uma prova eloquente aos olhos dos menos perspicazes e dos estudiosos de mentalidade tardas no raciocínio, a prol da verdade reencarnacionista.
O Homem atual recorda instintivamente os seus labores e as suas observações do passado. Sua existência de hoje é continuação de quanto efetuou nos dias do pretérito. As conquistas de agora representam a soma dos seus esforços de antanho, e a civilização é a grande oficina onde cada um deixa estereotipada a própria obra.

Emmanuel, espírito

“Vamos enfrentar os fatos: no fundo, ninguém no seu estado normal, consegue visualizar a sua própria existência sem assumir que sempre viveu e que continuará a viver depois da morte.”

Erik Erikson (1902 – 1994)

“Renascer… eis a vida, o progresso incessante, o eterno evoluir, eis a lei do Criador! Eis do mestre Jesus, como luz rutilante o ensino imortal no evangelho do amor. Renascer… eis lei imutável, constante, pela qual nosso “eu” no cadinho da dor, em sublime ascensão pela luz deslumbrante, subirá para Deus, nosso Pai e Senhor…”

Francisco Cândido Xavier (1920 – 2002)

“A doutrina da reencarnação é clemente para com os que não acreditam nela; ela não fala de inferno nem de paraíso; não faz nenhuma ameaça, aquele que a rejeita só crê numa única e passageira vida. O que me e faz sorrir com a mesma alegria, com que meus contemporâneos riam das religiões de tempos já passados, pois isso não passa de materialismo, crença exclusiva neste mundo que recusa o “além”, um “mundo de retorno.” Entretanto, é preciso viver de tal modo que se possa desejar viver outra vez, como se fosse nosso dever, pois, de toda sorte, viveremos de novo. Marquemos nossa vida com o selo da eternidade, este pensamento é mais rico que todos os dogmas religiosos que nos ensinaram a viver esta vida como sendo efêmera e nos ordenaram a voltar os olhos para o céu, a fim de percebermos uma outra existência, vaga e indefinida.”

Frederich Nietzsche (1844 – 1900)

“Sinto que logo deixarei esta vida terrena. Mas como estou convencido de que nada existe na natureza que possa ser aniquilado, tenho como certeza que o mais nobre de mim mesmo não cessará de viver. Embora eu me arrisque a não ser rei em minha próxima vida… ora, tanto melhor!… viverei mesmo assim uma vida ativa e, o que é melhor, sofrerei menos por ingratidão.”

Frederico “O Grande” (1712 – 1786)

“A duração de uma vida é apenas um momento na evolução eterna.”

Gabriel Delanne – Cientista Francês (1857 – 1926)

“Amigos são todas as almas que conhecemos em vidas passadas. Somos atraídos uns para os outros. Mesmo que os tenhamos conhecido apenas por um dia, isso não importa, pois é possível que antes nos tenhamos encontrado nalgum lado.”

George Harrison – Músico do conjunto “The Beatles” – (1943 a 2001)

“Breves foram meus dias entre vós, e mais breves ainda as palavras que pronunciei, mas se minha voz cessa em vossos ouvidos, e se meu amor se apaga em vossa lembrança, eis que retornarei, e com um coração mais rico e lábios mais submissos, ao espírito falarei. Sim, voltarei com a maré, e mesmo que a morte me oculte, que o maior dos silêncios me envolva, procurarei de novo vossa compreensão… Sabei, pois, que do maior silêncio retornarei… Não esqueçais que voltarei para vós… Um breve instante, e meu desejo recolherá o pó e a espuma para um outro corpo. Um breve instante, um momento de repouso no vento, e uma outra mulher me trará ao mundo.”

Gibran Khalil Gibran (Bicharre, 6 de janeiro de 1883 – Nova Iorque, 10 de abril de 1931) , ensaísta, filósofo, prosador, poeta, conferencista e pintor.

“É na experiência da vida que o Homem Evolui”
Harvey Spencer Lewis (1883 – 1939)

“A Natureza revela seus mais íntimos segredos e partilha a verdadeira sabedoria somente àquele que busca a verdade por amor à própria verdade, e que aspira ao conhecimento para conferir benefícios aos outros, não à sua insignificante personalidade.”

Helena Blavatsky (1831 – 1891)

“Durante toda a minha vida, referi-me subconscientemente a experiências que tive em existências anteriores”… Vivi na Judeia há oitocentos anos, mas nunca soube que havia um Cristo entre os meus contemporâneos. “As estrelas que eu via no céu quando era pastor na Assíria, são as mesmas que hoje vejo como nativo da Nova Inglaterra”.

Henry David Thoreau (Concord, 12 de julho de 1817 — Concord, 6 de maio de 1862), foi autor estadunidense, poeta, naturalista, ativista anti-impostos, crítico da ideia de desenvolvimento, pesquisador, historiador, filósofo, e transcendentalista.

“Os gênios são almas mais velhas. Alguns pensam que se trata de uma benção ou de um talento, mas na verdade é o fruto de uma longa experiência em muitas vidas passadas.”

Henry Ford (1863 – 1947)

“Ele viu todas aquelas formas e faces em mil relacionamentos um com o outro… Nenhum deles morreu, eles apenas se transformaram, continuamente renasceram e obtiveram novas faces”…

Hermann Hesse – Novelista e Poeta Alemão (1877 – 1962)

“Todos os seres humanos experimentaram vidas anteriores… Quem sabe quantas formas físicas o herdeiro do céu ocupa, antes que ele possa compreender o valor daquele silêncio e solidão, cujas planícies estreladas são apenas a antecâmara dos mundos espirituais?”

Honoré de Balzac – Escritor Francês (1799 – 1850)

“Não comecei quando nasci nem quando fui concebido. Eu tenho crescido e evoluído através de incalculáveis miríades de milênios.”

Jack London – Escritor Americano (1876 – 1916)

“Há pessoas que acreditam que nós continuamos a vida num outro corpo depois da morte e que já vivemos antes. Eles chamam a isso reencarnação. Isto é, que vivemos antes na Terra milhares de vezes ou num outro planeta.”

James Joyce – Poeta e novelista Irlandês (1882 – 1941)

“O que fazes é sair do teu corpo quando morres… todos fizemos isso milhares de vezes. Só porque não nos lembramos isso não significa que não tenhamos feito”

Jerome David Salinger – Escritor Americano (1919 – 2010)

“Havia entre os fariseus um homem chamado Nicodemos, um dos principais dos judeus. Este, de noite, foi ter com Jesus e lhe disse: Rabi, sabemos que és Mestre vindo da parte de Deus; porque ninguém pode fazer estes sinais que tu fazes, se Deus não estiver com ele. A isto respondeu Jesus: Em verdade, em verdade te digo que se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus. Perguntou-lhe Nicodemos: Como pode um homem nascer, sendo velho? Pode ele, porventura, voltar ao ventre materno e nascer pela segunda vez? Respondeu Jesus: Em verdade, em verdade te digo: Quem não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus”.

Jesus Cristo – João capítulo 3, versículos 3 a 5

“Estou certo de que estive aqui, como estou agora, mil vezes antes e espero retornar mil vezes… A alma do homem é como a água; Vem do Céu e sobe para Céu, para depois voltar a Terra, em um eterno ir e vir.”

Johann Wolfgang von Goethe (Frankfurt am Main, 28 de Agosto de 1749 — Weimar, 22 de Março de 1832). Escritor alemão e pensador que também fez incursões pelo campo da ciência. Como escritor, Goethe foi uma das mais importantes figuras da literatura alemã e do Romantismo europeu. De sua vasta produção fazem parte: romances, peças de teatro, poemas, escritos autobiográficos, reflexões teóricas nas áreas de arte, literatura e ciências naturais.

“Acredito que quando uma pessoa morre, sua alma regressa de novo à Terra Envolta nalgum disfarce de carne, uma outra mãe o dá à luz com membros mais fortes e cérebro mais brilhante. A velha alma prossegue a sua jornada.”

John Edward Masefield, (01 de junho de 1878 – 12 de Maio de 1967) foi um poeta e escritor Inglês. Poeta laureado do Reino Unido de 1930 até sua morte. Ele é lembrado como o autor de novelas, clássicos infantis e poemas, incluindo “A Misericórdia Everlasting” e “Mar-Fever”.

“Lê-me, leitor, se encontras prazer em ler-me, porque muito raramente eu voltarei a este mundo”.

Leonardo di Ser Piero da Vinci, ou simplesmente Leonardo da Vinci, (Anchiano, 15 de abril de 1452 – Amboise, 2 de maio de 1519) foi um polímata italiano, uma das figuras mais importantes do Alto Renascimento, que se destacou como cientista, matemático, engenheiro, inventor, anatomista, pintor, escultor, arquiteto, botânico, poeta e músico.

“Assim como nos cruzamos por milhares de sonhos na vida presente, também a existência atual é apenas uma entre milhares de vidas para as quais entramos provenientes de uma outra vida mais real… E para a qual retornamos após a morte.”

Liev Tolstói – Escritor Russo (1828 – 1910)

“Outro forte indício de que os homens sabem a maioria das coisas antes do nascimento é que, quando criança aprendem fatos com enorme rapidez, o que demonstra que não os estão aprendendo pela primeira vez, e sim os relembrando”…

Marco Túlio Cícero, estadista, orador e filósofo romano, Marco Túlio Cícero nasceu a (13 de janeiro do ano 106 a. C. em Arpino, Itália, e morreu em 7 de dezembro de 43 a. C. em Formia, Itália). Recebeu aprimorada educação, com os maiores oradores e jurisconsultos de sua época.

“Não posso pensar em inimizade permanente entre homem e homem, e, acreditando, como acredito na teoria do renascimento, vivo na esperança de que, se não nesta existência, mas em alguma outra, poderei abrir os braços a toda a Humanidade, num amplexo amigo.”

Mohandas Karamchand Gandhi, (Porbandar, 2 de outubro de 1869 — Nova Déli, 30 de janeiro de 1948), mais conhecido popularmente por Mahatma Gandhi (do sânscrito “Mahatma”, “A Grande Alma”) foi o idealizador e fundador do moderno Estado indiano e o maior defensor do Satyagraha (princípio da não agressão, forma não violenta de protesto) como um meio de revolução.

“Como cem anos não seriam suficientes para ganharmos á vitória final, foi necessário que um longo tempo nos fosse concedido, interrompido por intervalos de sono profundo, mais profundo que de nosso sono de todos os dias. Alguns desses períodos de sono são chamados de morte. È verdade que cada existência é acompanhada pelo esquecimento das existências que a precederam, mas essa perda de memória é providencial e facilita a evolução. Se nos lembrássemos das vidas anteriores, seria difícil mudar nosso plano de vida. Quando finalmente despertamos um número suficiente de vezes para atingirmos o objetivo de nossos esforços, que é a espiritualidade, morremos pela última vez e não mais voltamos a terra.”

Papus (1865 – 1916)

“Quando o organismo físico falece a alma sobrevive. Depois toma conta de outro corpo.”

Paul Gauguin – Pintor Francês (1848 – 1903)

“No chão de uma floresta, uma folha seca lamentava-se de sua sorte com as companheiras, Deus não deu nenhum sentido a minha vida, enquanto estava verde, eu podia ver as montanhas, os homens e o rio que corre lá embaixo, agora estou aqui neste chão, e só me resta apodrecer, pois é justamente este o sentido da sua vida neste momento, disse uma companheira. Antes você era apenas uma folha, algo que não foi feito para durar, mas agora você esta no chão, apodrecerá e irá virar o adubo para a terra. Em seguida, as raízes virão lhe procurar, você retornará ao caule, será absorvida pela seiva e se transformará de novo em folha. Este é o ciclo do esterno renascimento.”

Paulo Coelho (1947)

“A Alma nunca morre, mas recomeça uma nova vida, ela nada mais faz que mudar de domicílio, tomando uma outra forma. Quanto a mim, que vos revelo estas misteriosas verdades, já fui Euforbes numa outra vida, no tempo da guerra de Troia  lembro-me perfeitamente bem de meu nome e de meus pais, assim como do modo como fui morto em combate com o rei de Esparta. Em Micenas, no templo de Juno, vi suspenso na parede o meu próprio escudo de um outro tempo. Mas, embora vivendo em vários corpos, a Alma é sempre a mesma, pois só a forma muda.”

Pitágoras (572 – 492 A. C.)

“Ó tu, moço ou jovem que te julgas abandonado pelos deuses, saiba que, se te tornares pior, irás ter com as piores almas, ou, se melhor, juntar-te-ás melhores almas, e em toda sucessão de vida e morte farás e sofrerás o que um igual pode merecidamente sofrer nas mãos de iguais. É esta a justiça dos céus.”

Platão (Atenas, provavelmente 428/427 a. C. – Atenas, 348/347 a. C.) filósofo e matemático do período clássico da Grécia Antiga, autor de diversos diálogos filosóficos e fundador da Academia em Atenas, a primeira instituição de educação superior do mundo ocidental. É considerado um dos principais pensadores gregos, pois influenciou profundamente a filosofia ocidental. Suas ideias baseiam-se na diferenciação do mundo entre as coisas sensíveis (mundo das ideias e a inteligência) e as coisas visíveis (seres vivos e a matéria).

“Morrer é mudar de corpo, como os atores mudam de roupa.”

Plotino (205 – 270)

“A alma entra num domicilio temporário e sai dele renovado… passa para outras habitações porque a alma é imortal. Já não é segredo para o mundo que todas as coisas sobrevivem e não morrem, apenas se retiram temporariamente da vista para depois uma vez mais regressarem. Nada morre; os homens fingem que morrem e aguentam funerais ridículos e obituários tristes, quando na verdade eles ali estão olhando através da janela, com excelente aparência revestida apenas de um estranho disfarce.”

Ralph Waldo Emerson – Poeta e ensaísta Americano (1803 – 1882)

“Fazes ideia de quantas existências devemos ter passado antes mesmo de termos ideia que a vida é mais do que comer, lutar ou ter poder no rebanho? Uns milhares de vidas, John, dez mil! Nós escolhemos o nosso próximo mundo pelo que aprendemos neste… Mas tu, John, aprendeste tanto de uma só vez que não tiveste que passar por mil existências para alcançar esta vida…”

Richard Bach – Escritor Americano (1936)

“Estou convencido que vivemos novamente e que os vivos emergem dos que morreram e que as almas dos que morreram estão vivas.”

Sócrates – Filósofo Grego (470 – 399 A. C.)

“E a sua dor não passava. Finalmente, deu à luz outro menino, e grande foi a alegria do pai, que exclamou: ‘Um filho!’ Naquele dia, ele foi o único a sentir-se tão feliz, pois a mãe, prostrada e pálida, jazia deitada, o espírito entorpecido… E gemeu, angustiada, pensando menos no novo filho do que no filho ausente: “O meu anjo está morto e eu não estou ao seu lado”! Foi então que, falando através da criança que tinha nos braços, ela ouviu mais uma vez a voz adorada: “Sou eu que estou aqui – mas não contes a ninguém! E a criança fitou seu rosto.” “A morte não é o fim de tudo. Ela não é senão o fim de uma coisa e o começo de outra. Na morte o homem acaba, e a alma começa.”

Victor Marie Hugo (Besançon, 26 de fevereiro de 1802 — Paris, 22 de maio de 1885). Poeta, dramaturgo, ensaísta, artista, estadista e ativista francês pelos direitos humanos. É autor de Les Misérables e de Notre-Dame de Paris, entre diversas outras obras.

“Nascer duas vezes não é mais surpreendente que nascer uma vez: tudo na natureza é ressurreição.” Voltaire (1694 – 1778)

“Sei que sou imortal. Sem dúvida já morri antes mil vezes. Rio-me daquilo que chamam de dissolução, e conheço a amplitude do tempo.”

Walt Whitman – Poeta Americano (1819 – 1892)

“Nosso nascer não passa de um sono e de um esquecimento; A Alma que nasce conosco, o Sol de nossa vida, teve o seu ocaso em outro lugar, e vem de longe, não em completo olvido e não inteiramente nua”. “Mas trazemos conosco nuvens de esplendor, vindos de Deus, que é o nosso lar. O céu está em torno de nós em nossa infância”!

William Wordsworth (Cockermouth, 7 de abril de 1770 – Rydal Mount, 23 de abril de 1850) foi o maior poeta romântico inglês que, ao lado de Samuel Taylor Coleridge, ajudou a lançar o romantismo na literatura inglesa com a publicação conjunta, em 1798, das Lyrical Ballads (“Baladas Líricas”).

“Aquele que retorna para a terra e faz o bem, segundo o seu conhecimento, suas palavras, ações e intenções, recebe um dia uma recompensa, que convenha aos seus méritos… Aqueles que durante o período de vida na terra, vivem na dor e no desgosto, sofrem com isso por causa de suas palavras mesquinhas ou suas más ações num corpo anterior, pelo é punido no presente.”

Zoroastro (1000 A. C.)

 

A viagem

Viagem de trem
Viagem de trem

 

Um dia desses, eu li um livro que comparava a vida a uma viagem de trem. Uma comparação extremamente interessante, quando bem interpretada. Interessante, porque nossa vida é como uma viagem de trem, cheia de embarques e desembarques, de pequenos acidentes pelo caminho, de surpresas agradáveis, com alguns embarques e de tristezas com os desembarques. Quando nascemos, ao embarcarmos nesse trem, encontramos duas pessoas que acreditamos que farão conosco a viagem até o fim: nossos pais. Não é verdade. Infelizmente, em alguma estação, eles desembarcam, deixando-nos órfãos de seus carinhos, proteção e amor. Mas isso não impede que, durante a viagem, embarquem pessoas interessantes que virão ser especiais para nós: nossos irmãos, amigos e amores. Muitas pessoas tomam esse trem a passeio. Outras fazem a viagem experimentando somente tristezas. E no trem há, também, outras que passam de vagão em vagão, prontas para ajudar quem precisa. Muitos descem e deixam saudades eternas. Outros tantos viajam no trem de tal forma que, quando desocupam seus assentos, ninguém sequer percebe. Curioso é considerar que alguns passageiros que nos são tão caros acomodam-se em vagões diferentes do nosso. Isso nos obriga a fazer essa viagem separados deles. Mas isso não nos impede de, com grande dificuldade, atravessarmos nosso vagão e chegarmos até eles. O difícil é aceitarmos que não podemos sentar ao seu lado, pois outra pessoa estará ocupando esse lugar. Essa viagem é assim: cheia de atropelos, sonhos, fantasias, esperas, embarques e desembarques. Sabemos que esse trem jamais volta. Façamos essa viagem da melhor maneira possível, tentando manter um bom relacionamento com todos, procurando, em cada um, o que tem de melhor, lembrando sempre de que, em algum momento do trajeto poderão fraquejar, e, provavelmente, precisaremos entender isso. Nós mesmos fraquejamos algumas vezes.
E, certamente, alguém nos entenderá. O grande mistério é que não sabemos em qual parada desceremos. E fico pensando: quando eu descer desse trem sentirei saudades? Sim. Deixar meus filhos viajando sozinhos será muito triste. Separar-me dos amigos que nele fiz, do amor da minha vida, será para mim dolorido. Mas me agarro na esperança de que, em algum momento, estarei na estação principal, e terei a emoção de vê-los chegar com sua bagagem, que não tinham quando embarcaram. E o que me deixará feliz é saber que, de alguma forma, eu colaborei para que essa bagagem tenha crescido e se tornado valiosa. Agora, nesse momento, o trem diminui sua velocidade para que embarquem e desembarquem pessoas. Minha expectativa aumenta, à medida que o trem vai diminuindo sua velocidade… Quem entrará? Quem sairá? Eu gostaria que você pensasse no desembarque do trem, não só como a representação da morte, mas, também, como o término de uma história, de algo que duas ou mais pessoas construíram e que, por um motivo ínfimo, deixaram desmoronar. Fico feliz em perceber que, como nós, certas pessoas, têm a capacidade de reconstruir para recomeçar. Isso é sinal de garra e de luta, é saber viver, é tirar o melhor de “todos os passageiros”. Agradeço muito por você fazer parte da minha viagem, e por mais que nossos assentos não estejam lado a lado, com certeza, o vagão é o mesmo.

O aprendiz chegou ao recanto de antigo orientador da vida cristã e perguntou, em seguida às saudações costumeiras:
-Instrutor, posso acaso receber as suas indicações quanto ao melhor caminho para o encontro com Deus?
A resposta do mentor não se fez esperar:
-A viagem para o encontro com Deus é repleta de obstáculos por vencer… Espinheirais, precipícios, charcos e pedreiras perigosas…
Silenciando o interpelado, o moço prosseguiu:
-Isso tudo conheço… Já visitei vários templos da Índia, quando estive por vários dias na intimidade de faquires famosos, todos eles revestidos de faculdades supranormais; arrisquei-me a cair nos despenhadeiros do Tibete para conviver com os monges santos; orei na Grande Pirâmide do Egito; demorei-me nas impressões da paisagem na qual Jesus viveu, no entanto, estou saciado de excursões à procura da Divina Providência…
O orientador escutou com humildade e esclareceu, em seguida:
-Sim, é verdade que todas essas peregrinações e práticas auxiliam na busca do Supremo Senhor, mas, ao que me parece, há um engano de sua parte…
E rematou:
-A viagem para o encontro com Deus é para dentro de nós.

Do livro “Agora é o Tempo” – Francisco Cândido Xavier/ Emmanuel.

A criança

A criança
A criança

Se nos propomos a edificar o futuro com o Cristo de Deus é necessário auxiliar a criança.
Se desejamos solucionar os problemas do mundo, de maneira definitiva, é indispensável ajudar a criança.
Se buscamos sustentar a dignidade humana, abolindo a perturbação e imunizando o povo contra as calamidades da delinquência, é preciso proteger a criança.
Se anelamos a construção da Era Nova, na qual as criaturas entrelacem as mãos na verdadeira fraternidade, em bases de serviço e sublimação espiritual, é imprescindível socorrer a criança.
Entretanto, convenhamos que os grandes malfeitores da Terra, os fazedores de guerras e os verdugos das nações, via de regra, foram crianças primorosamente resguardadas contra quaisquer provações na infância.
E ainda hoje os jovens transviados habitualmente procedem de climas domésticos em que a abastança material não lhes proporcionou ensejo a qualquer disciplina pelo conforto excessivo.
Urge, pois, não amparar a criança, mas educar a criança e induzi-la ao esforço de construção do Mundo Melhor.

Francisco Cândido Xavier/Batuíra – da obra Despertador – Junho/Julho de 1976.

Toques espirituais maturidade e consciência

Não espere a compreensão dos outros, seja você mesmo essa compreensão.
Não espere ser feliz pela presença de alguém amado na sua vida; seja feliz só porque você existe, independentemente de qualquer um.
Não espere que um salvador celeste venha salvar sua alma, apenas evolua e cresça, para você ser salvo de sua própria ignorância.
Não espere o perdão de alguém, seja você esse perdão.
Não espere que alguém se desculpe de você, seja você essa desculpa.
Não espere que a morte surja para provar que você vive além dela; use o discernimento e saiba disso agora!
Não espere a vida passar para que você passe sem compreender coisa nenhuma.
Cada momento é importante, cada vida é importante, e cada coisa que se aprende é importante; por isso é muito importante viver e valorizar essa existência atual, que tem de ser a melhor de todas as existências, independentemente de vidas anteriores.
O que você possa ter sido lá atrás já passou…
Se você foi Hitler ou Buda não interessa!
O que interessa é essa vida e que você seja feliz aqui e agora, sem jamais depender de algo (ou de alguém) fora de si mesmo.
E toda transformação que você quiser que ocorra, seja você mesmo essa transformação, sem lugar de procurar pedir essa transformação fora de si mesmo, dos outros, do mundo ou do que quer que seja.
O que quer que aconteça na sua vida, seja lá o que for: a chegada de alguém ou sua partida, não dependa disso para que seu discernimento se acenda.
Independentemente de quem chega ou de quem parte, é você que está aí dentro e, ao longo da eternidade, você estará acompanhado por si mesmo, o tempo todo.
Então, se amanhã, ou em outras vidas, você quiser estar bem acompanhado, comece a crescer agora, para que você seja boa companhia  de você mesmo para sempre.

Autoria atribuída a Kuan Yin

Nossa casa

A mente é a casa viva onde cada um de nós reside, segundo as nossas próprias concepções.
A imaginação é o arquiteto de nosso verdadeiro domicílio.
Se julgarmos que o ouro precisa erigir-se em material único, adequado à nossa construção, cedo sofremos a ventania destruidora ou enregelante da ambição e da inveja, do remorso e do tédio, que costuma envolver a fortuna, em seu castelo de imprevidência.
Se supusermos que o poder humano deve ser o agasalho exclusivo de nosso espírito, somos apressadamente defrontados pela desilusão que, habitualmente, assinala a fronte das criaturas enganadas pelos desvarios da autoridade.
Se encontrarmos alegria na crítica ou na leviandade, naturalmente nos demoramos em cárceres de perturbação e maledicência.
Moramos, em espírito, onde projetamos o pensamento.
Respiramos o bem ou o mal, de acordo com as nossas preferências na vida.
Na Terra, muitas vezes temos a máscara física emoldurada em honrarias e esplendores, conservando-nos intimamente em deploráveis cubículos de padecimentos e trevas.
Só o trabalho incessante no bem pode oferecer-nos a milagrosa química do amor para a sublimação do lar interno.
Por isso mesmo, disse Jesus:- “meu Pai trabalha até hoje e eu trabalho também.”
Idealizemos mais luz para o caminho.
Abracemos o serviço infatigável aos semelhantes e a nossa experiência, de alicerces na Terra, culminará, feliz e vitoriosa, nos esplendores do Céu.

Emmanuel e Chico Xavier – Do livro: Coragem – C. E. C.

A reflexão
A mente é a sede do governo das sensações.
Acúmulo de problemas sem solução imediata, inquietude, perspectivas de qualquer dificuldade, tudo isto opera certos desequilíbrios inevitáveis.

Arthur Joviano e Chico Xavier Do livro: Pérolas de Sabedoria