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Ternura e esperança

A bondade infinita do Céu nos prepara devagarinho, à frente da luta, procedendo à maneira do carinho maternal que não nos relega ao mau tempo, sem agasalho e sem proteção.

Querida Mamãe:
Vamos orar, pois a prece é a luz sublime a clarear o caminho para o Alto.
Que Deus, por seus Divinos Emissários, nos proteja, fortaleça e abençoe.
Sou eu a encontrá-la, através do lápis, para redizer o meu carinho e a minha vigilância afetuosa.
A vida é sempre a mesma em toda parte.
E, porque a criatura se encontre encarnada, isso não é razão para sentir-se isolada do agrupamento comum.
Estamos, assim, em plena romagem para a redenção, invariavelmente juntas, embora, na aparência, separadas por simples véu de ilusão.
Quantos sofrimentos constituem o séquito de suas experiências! Quantas chagas ocultas lhe sitiam o coração dedicado a nós todos! Todavia, se vemos o diamante emergir do carvão, é desse amálgama de trevas terrenas que recolheremos a verdadeira luz.
Tempo virá em que a sua voz bendirá as lutas e as dores de hoje que a lubrificam por dentro.
Aquela viagem sob a tempestade, a que me reportei em nosso primeiro encontro espiritual, continua…
O vento brande gelado açoite sobre a nossa embarcação.
E, ao lado da tormenta que sopra no horizonte perdido, no tempo se desenha o abismo das ondas sob a nau frágil em que peregrinamos em busca da salvação verdadeira.
É o passado e o presente que se conjugam em dores atrozes, provocando o temporal das lágrimas que nos lavam a alma, nas mais recônditas profundezas.
Deixe que a nuvem do firmamento das suas esperanças de Mãe se desfaça em chuva de pranto nos seus olhos fatigados.
Cada gota desse orvalho divino cai sobre a terra viva do coração, fertilizando-a com bênçãos desconhecidas no mundo, para a plantação gloriosa do futuro.
A Senhora tem suportado o furacão à maneira da árvore que sofre e se despedaça sem morrer, a fim de frutificar sempre.
Nós, seus filhos na Vida do Espírito, muito poderemos fazer ao seu lado.
Construiremos, agora, um novo ninho para aguardá-la.
Plantaremos flores, diferentes da Terra, para que sua senda esteja perfumada de esperanças.
E cantaremos, em comunhão perfeita, a fim de que lhe seja doce o despertar…
A passagem na carne é, por vezes, um pesadelo terrível.
Imaginamos que a dor é uma realidade, que o martírio é infindável e que o corpo será sempre uma cadeia inexpugnável…
Entretanto, Mamãe, quando menos esperamos, surge a claridade da aurora espiritual.
Termina a grande sombra, esvai-se a ilusão e a vida real começa…
Enquanto o relógio diminui o nosso afastamento, continue, com a mesma devoção, na sementeira da caridade.
Não percamos o dia, para que o tempo não nos desconheça.
Desprendamo-nos de tudo aquilo que na Terra constitua prisão, mesmo doce, para o nosso espírito.

A bondade infinita do Céu nos prepara devagarinho, à frente da luta, procedendo à maneira do carinho maternal que não nos relega ao mau tempo, sem agasalho e sem proteção.

A verdadeira felicidade para nós não mora na Terra, assim como o contentamento perfeito de uma criança não reside na escola.
O mundo em que estagiamos é casa grande de treinamento espiritual, de lições rudes, de exercícios infindáveis.
Começamos o curso pela cartilha de vagidos no berço; continuamos pela página dos sonhos e das aspirações habitualmente desfeitos e terminamos o aprendizado em enormes testemunhos de lágrimas, que valem por legítima aferição de valores do espírito.
Por isso mesmo, a nossa união tem de ser mais íntima e, sobretudo, mais intensa.
Não recue em sua marcha abençoada.
Não se deixe vencer pelo desânimo.
Tempestades fatais, ciladas traiçoeiras, serpes envenenadas e pedregulhos contundentes vão sendo gradativamente vencidos por nossos pés.
E, aqui nos achamos, repletas de calma e desassombro para os deveres que nos competem.
Nosso lar, de semana a semana, evolui para a condição de santuário, em que a senhora é o generoso altar de amor que nos alimenta.
Com a proteção de Jesus que não nos desampara, peço-lhe distribuir as minhas lembranças com todos os nossos, rogando-lhe receber, com as minhas saudades, o coração afetuoso de sua Agar.

Espírito Agar, do livro Relicário de Luz, psicografado por Chico Xavier.

2 respostas em “Ternura e esperança”

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