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Espiritualidade

A Confissão Auricular e sua grande vítima

A confissão auricular constitui uma aberração, dentro do amontoado das doutrinas desvirtuadas do romanismo. E é justamente a mulher, pelo espírito sensível de religiosidade que a caracteriza, a maior vítima do confessionário.
Infelizmente, toda a série de absurdos do inqualificável sacramento da penitência é oriunda dos superiores eclesiásticos, dos teólogos e falsos moralistas da Igreja que, perversamente, criaram os longos e indiscretos interrogatórios, aos quais terá a mulher de submeter-se passivamente, diante de um homem solteiro, estranho, que ela, inúmeras vezes, nem conhece. Os padres, geralmente, em virtude do seu desconhecimento dos sagrados deveres da paternidade, não a vão interpelar no tocante às obrigações austeras do governo da casa; ferem exatamente os problemas mais íntimos e mais delicados da vida do casal, violando o sagrado respeito das questões do lar, dando pasto aos pensamentos mais injustificáveis e, às vezes, repugnantes. E o véu de modéstia e de beleza que Deus concedeu à mulher, para que ela pudesse mergulhar qual lírio de espiritualidade nos pântanos deste mundo, é arrancado justamente por esse homem que se inculca ministro das luzes celestes. Muitas vezes, é no confessionário que começa o calvário social da mulher. Dolorosos e pesados tributos são cobrados das católico-romanas, que, confiadas em Deus, se lançam aos pés de um homem cheio das mesmas fraquezas dos outros mortais, na enganosa suposição de que o sacerdote é a imagem da Divindade do Senhor.

REFORMA NECESSÁRIA

Não podeis calcular as imensidades de crimes perpetrados à sombra dos confessionários penumbrosos, onde almas-aflitas e fervorosas buscam consolação e conforto espiritual.
O que se faz necessário em vossos dias é a reforma de semelhantes costumes. Quando essa renovação não parta das autoridades eclesiásticas, que ela possa nascer dos esforços conjugados de todos os esposos e de todos os pais, substituindo eles os confessores junto de suas esposas e de suas filhas.
Muitas vezes, quando procurado por consciências polutas, que me vinham fazer o triste relato de suas existências repletas de deslizes, eu nunca me senti com autoridade bastante para ouvi-las.

CONFESSAI-VOS UNS AOS OUTROS

Todo espírito do Evangelho, legado pelo Mestre à Humanidade sofredora, foi deturpado pelo homem, dentro dos seus interesses mesquinhos e das suas ideias de antropomorfismo.
Por isso, nós, que já trazemos o coração trabalhado nas mais penosas experiências, podemos declarar, diante da nossa consciência e diante de Deus que nos ouve, que nenhum bem pode prodigalizar a confissão auricular ao espírito, sendo um costume eminentemente nocivo, com seus característicos de depravação moral, merecendo, portanto, toda a atenção da sociologia moderna.
Confessai-vos uns aos outros, buscando de preferência aqueles a quem ofendestes e, quando a vossa imperfeição não vo-lo permita, procurai ouvir a voz de Deus, na voz da vossa própria consciência.

Emmanuel, do livro homônimo, psicografado por Chico Xavier

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