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Paz por dentro

Aceita a fatalidade do progresso.
Trabalha e segue adiante.
Medita na necessidade dos outros.
Procura colocar-te no lugar do próximo, exercitando compreensão.
Não guarde ressentimentos.
Auxilia para o bem geral quanto se te faça possível.
Atende às próprias obrigações.
Não tentes felicidade fora da consciência tranquila.
Observa que não estás sem motivo em teu grupo familiar.
Honra os encargos que abraçaste.
Ama sem o cativeiro das afeições possessivas.
Agradece o carinho que recebes sem exigi-lo.
Estuda e melhora-te para ser mais útil.
Não intentes transformar a ninguém pela força.
Ampara sem reclamar retribuição
Atravessa as dificuldades com paciência.
Não zombes dos sentimentos alheios.
Não peças para que outrem caminhe com teus passos.
Habitua-te à simplicidade e à disciplina.
Suporta com calma aquilo que não possas modificar.
Usa o descanso apenas como pausa para mais trabalho.
Não te queixes.
Não percas tempo com atividades inúteis.
Conserva, quanto possível, os contatos com a natureza.
Abençoa todos os companheiros, sem lamentar os que se afastem de ti.
Não te voltes para trás.
Evita o pessimismo.
Recorda sempre que a esperança é uma luz eterna.
Não te envaideças com vantagens que são empréstimos de Deus.
Considera por vitória o desempenho dos próprios compromissos.
Cultiva equilíbrio e serenidade.
Foge a qualquer forma de violência.
Aceita a realidade de que possuis unicamente aquilo que constróis por amor.
Entrega-te a Deus, na oração, cada dia.
Desse modo, terás contigo a paz por dentro e assim pacificarás.

Emmanuel

Citações de tratamento

Evite menosprezar-se.
Você é uma criação de Deus.
Terás deficiências, é claro, mas é justo observar que todos nos achamos no cadinho do progresso.
Dificuldade é medida de avaliação dos nossos recursos.
Dor é sublimação.
Erro é experiência.
Recorde a sua originalidade.
Ninguém possui ideias totalmente iguais às suas.
Sua voz e suas mãos são únicas.
As marcas de sua presença destacam-se inconfundíveis.
Aceite-se, desse modo, tal qual é, procurando melhorar-se.
Trabalhe, quanto se lhe faça possível, no bem geral, reconhecendo que se os outros precisam de você, também você necessita dos outros.
Guarde a consciência tranquila, vivendo a existência que Deus lhe concedeu.
E lembre-se: cada qual de nós, até que se integre na Grandeza Suprema, é uma obra-prima de inteligência em processo de habilitação na oficina da vida, a caminho da Perfeição.

André Luiz

Montaigne – Os Messias do Espiritismo

O Espiritismo estende, cada dia, o círculo de seu ensino moralizador. Sua grande voz ressoou de um extremo da Terra ao outro. A sociedade com ele se emocionou, e de seu seio partiram os adeptos e os adversários.
Adeptos fervorosos, adversários hábeis, mas cuja própria habilidade e reputação serviram à causa que queriam combater, chamando sobre a nova doutrina o olhar das massas, e dando-lhes o desejo de conhecer os ensinos regeneradores que seus adeptos preconizam, e que os fazem zombar e cair no ridículo.
Contemplai o trabalho realizado e alegrai-vos do resultado! Mas que efervescência indizível se produzirá nos povos, quando os nomes de seus escritores mais queridos virão se juntar aos nomes mais obscuros, ou menos conhecidos, daqueles que seguem de perto em torno da bandeira da verdade!
Vede o que produziram os trabalhos de alguns grupos isolados, para a maioria entravados pela intriga e a má vontade, e julgai da revolução que se operará quando todos os membros da grande família Espírita se estenderem as mãos, e declararão, cabeça alta e o coração confiante, a sinceridade de sua fé e de sua crença na realidade do ensino dos Espíritos.
As massas amam o progresso, procuram-no, mas o temem. O desconhecido inspira um secreto terror às crianças ignorantes de uma sociedade embalada em preconceitos, que tenta seus primeiros passos no caminho da realidade e do progresso moral. As grandes palavras de liberdade, de progresso, de amor, de caridade, tocam o povo sem comovê-lo; frequentemente, prefere seu estado presente e medíocre a um futuro melhor, mas desconhecido.
A razão desse terror do futuro está na ignorância do sentimento moral num grande número, e do sentimento inteligente nos outros. Mas não é verdade, como disseram vários filósofos célebres, que uma concepção falsa da origem das coisas fez errar, como eu mesmo disse, – por que envergonhar-me de dizê-lo; não pude me enganar? – Não é verdadeiro, digo-vos eu, que a Humanidade seja má por essência. Não. Aperfeiçoando sua inteligência, ela não dará um voo mais longo às suas qualidades más. Afastai de vós esses pensamentos desesperadores que repousam sobre um falso conhecimento do espírito humano.
A Humanidade não é má por natureza, mas é ignorante, e, por isto mesmo, mais apta a se deixar governar por suas paixões. Ela é progressiva e deve progredir para alcançar seus destinos; esclarecei-a; mostrai-lhe seus inimigos escondidos na sombra; desenvolvei sua essência moral, que é inata nela, e somente adormecida sob a influência dos maus instintos, e reanimareis a centelha da eterna verdade, da eterna presciência do infinito, do belo e do bom que reside para sempre no coração do homem, mesmo o mais perverso.
Filhos de uma doutrina nova, reuni vossas forças; que o sopro divino e o socorro dos bons Espíritos vos sustentem, e fareis grandes coisas. Tereis a glória de ter colocado as bases dos princípios imperecíveis, dos quais vossos descendentes recolherão os frutos.
Montaigne, Paris, 1865

Revista Espírita, fevereiro 1868

Como perdoar

Na maioria dos casos, o impositivo do perdão surge entre nós e os companheiros de nossa intimidade, quando o suco adocicado da confiança se nos azeda no coração.
Isso acontece porque, geralmente, as mágoas mais profundas repontam entre os Espíritos vinculados uns aos outros na esteira da convivência.
Quando nossas relações adoeçam, no intercâmbio com determinados amigos que, segundo a nossa opinião, se transfiguram em nossos opositores, perguntemo-nos com sinceridade: “como perdoar, se perdoar não se resume à questão de lábios e sim a problema que afeta os mais íntimos mecanismos do sentimento?”
Feito isso, demo-nos pressa em reconhecer que as criaturas em desacerto pertencem a Deus e não a nós; que também temos erros a corrigir e reajustes em andamento; que não é justo retê-las em nossos pontos de vista, quando estão, qual nos acontece, sob os desígnios da Divina Sabedoria que mais convém a cada um, nas trilhas do burilamento e do progresso. Em seguida, recordemos as bênçãos de que semelhantes criaturas nos terão enriquecido no passado e conservemo-las em nosso culto de gratidão, conforme a vida nos preceitua.
Lembremo-nos, também, de que Deus já lhes terá concedido novas oportunidades de ação e elevação em outros setores de serviço e que será desarrazoado de nossa parte manter processos de queixa contra elas, no tribunal da vida, quando o próprio Deus não lhes sonega Amor e Confiança.
Quando te entregares realmente a Deus, a Deus entregando os teus adversários como autênticos irmãos teus, – tão necessitados do Amparo Divino quanto nós mesmos, penetrarás a verdadeira significação das palavras de Cristo: “Pai, perdoa as nossas dívidas, assim como perdoamos aos nossos devedores”, reconciliando-te com a vida e com a tua própria alma.
Então, saberás oscular de novo a face de quem te ofendeu, e quem te ofendeu encontrará Deus contigo e te dirá com a mais pura alegria no coração: “bendito sejas”…

Chico Xavier/Emmanuel
Do livro Alma e Coração

Hoje e nós

Tempo e nós, vida e alma. Nós e hoje, alma e vida.
Tempo capital inesgotável ao nosso dispor. Hoje, cheque em branco que podemos emitir, sacando recursos, conforme a nossa vontade.
Comparemos a Providência Divina a estabelecimento bancário, operando com reservas ilimitadas, em todos os domínios do mundo. Pela Bolsa de Causa e Efeito, cada criatura retém depósito particular, com especificação de débitos e haveres, nitidamente diversos, mas, pela Carteira do Tempo, todas as concessões são iguais para todos.
Para sábios e ignorantes, felizes ou menos felizes, a hora se constitui do valor matemático e invariável de sessenta minutos.
Hoje é a partícula de crédito que possuis, em condomínio perfeito com todos aqueles que conheces e desconheces, que estimas ou desestimas, dom que te cabe, a fim de angariares novos dons.
Aproveita, assim, o agora em renovação e promoção. Renovação é progresso, promoção é serviço.
Não te prendas ao passado por aquilo que o passado te apresente de cadeias e sombras e nem te transtornes pelo futuro por aquilo que o futuro encerre de fantasia ou de incerteza.
Pelas forças do espírito, estamos enredados aos pensamentos do pretérito, à feição do corpo físico que permanece saturado de agentes da hereditariedade. Conquanto vinculados aos nossos ancestrais, nenhum de nós é chamado a terra para reproduzir a existência deles, e, por muito devamos às ideias dos instrutores que nos estenderam auxílio, estamos convocados a expressar as nossas.
Respeitemos quantos nos ajudaram e dignifiquemos os pioneiros do bem que nos prepararam caminho; no entanto, sejamos nós próprios.
Espíritos eternos, saibamos construir a nossa felicidade pelo atendimento às leis do amor e justiça. Esquecer o mal e fazer o bem, estudar e realizar, trabalhar e servir, renovar e aperfeiçoar sempre e infatigavelmente. Para isso, reflitamos: o ontem nos terá trazido à luz da experiência e amanhã decerto nos sugere luminosa esperança. A melhor oportunidade, entretanto, não se chama ontem nem amanhã. Chama-se hoje. Hoje é o dia.

Do livro “Estude e Viva”. Chico Xavier/Emmanuel