Categorias
Espiritualidade

Roteiro / Route

A requisição de palpites do plano invisível é tão velha quanto o mundo.
O primeiro templo consagrado à fé religiosa na Terra terá sido, certamente, um tribunal de súplicas, em que o homem primitivo buscava a manifestarão dos deuses.
E, em todos os tempos, o grito de socorro abafou o hino de hosanas.
O espírito encarnado no Planeta desempenha, acima de tudo, o papel de Édipo, rolando na tela das circunstâncias tecida por ele mesmo. O filho de Laio, contudo, decifrou os enigmas que lhe eram propostos pela Esfinge, nos arredores de Tebas, enquanto que o homem comum se apavora e cai, ante os problemas da Morte, ao redor do sepulcro.
Todavia, não evocamos a imagem para urdir considerações literárias em torno do tema antigo. Lembramos aqui o afã dos amigos terrestres, procurando-nos o concurso fraternal a fim de resolverem as questões que lhes dizem respeito. Os “vivos” pedem orientação aos “mortos” com estranho fervor, como se os esgares do transe final do corpo nos houvessem promovido a magos infalíveis. Organizações caridosas e personalidades mediúnicas são diariamente atormentadas, no Espiritismo, de mil modos, por milhares de solicitações dessa natureza. Com facilidade, renovaríamos no mundo os deliciosos oráculos gregos, cheios de fantasia pagã, se a luz do Cristo não nos presidisse agora aos impulsos, porque, sem dúvida, a massa de reclamações e de pedincharia endereçadas à nossa esfera é de espantar.
Simpatizantes da causa doutrinária querem pareceres do Além, acerca das mudanças do câmbio, de querelas judiciais ou surpresas do subsolo…
No entanto, não é para esses trêfegos consulentes de médiuns invigilantes que alinhavamos as presentes observações.
Reportamo-nos aos companheiros sinceros que pedem um roteiro de espiritualidade para os serviços da vida.
Permanecem cansados e desiludidos, afirmam alguns. Inquietos e torturados, declaram outros. Pretendem de nós, por vezes, longos comunicados repletos de itens informativos.
Exigem particularidades. Desejam que nos pronunciemos sobre a conduta que lhes compete na sociedade e no lar. Muitos nos situam ingenuamente entre os juízes de toga flamejante e aguardam de nossas mãos libelos fulminatórios, como se não estivéssemos igualmente em luta por extinguir os próprios defeitos e sanar as próprias imperfeições.
É para esses que recordamos as normas esposadas atualmente por nós. A única diretriz respeitável que poderíamos indicar aos companheiros de reta intenção é o retorno à estrada do Cristo. À exceção dos espíritos missionários que consumiram a existência na renúncia santificante, o que estamos fazendo além do túmulo, em boa linguagem, é o trabalho de lavanderia. Temos a roupa suja e é impossível prosseguir sem vestes limpas, através de caminhos iluminados e claros.
A receita lógica, portanto, para a comunidade dos irmãos encarnados, é o reajustamento no bem legítimo. Os interessados na aquisição de conhecimento e santidade encetem o esforço no próprio círculo. Quem se candidate à elevação, principie por elevar-se, quem pretenda o convívio das entidades superiores, comece por emergir do vale fundo em que se concentram os motivos mais baixos da vida e subam para o monte da iluminação…
Não esperem que os desencarnados lhes venham assinalar deficiências. Também nós, convalescentes da alma, experimentamos a sede de cura definitiva.
Certa feita, enunciou Oscar Wilde que a arte de dar conselhos consiste em indicarmos para os outros aquilo de que mais carecemos. Não incidiríamos, depois da morte, pelo menos nós, os pecadores confessos, em erro semelhante.
Busquemos todos o Conselheiro Divino.
Conjuguemos com Ele os verbos orar e vigiar, perdoar e amar, ajudar e servir. Iniciemos a tarefa pelos irmãos incompreensivos mais próximos.
A época da revelação espiritual, por entre laboratórios e gabinetes de pesquisa, deve ter passado para os estudiosos leais, que procuram a luz. A atualidade pede recolhimento no próprio ser. A mente necessita centralizar-se, a fim de sentir a claridade sublime do Alto, na intimidade da consciência.
Ai dos que não dominarem o corcel da imaginação na corrida que a civilização moderna improvisou para a morte!…
Se os aprendizes do mundo permanecem, efetivamente, à espera de orientação, por parte daqueles que os precederam na grande jornada, ouçam nosso apelo: Recorramos a Jesus, não só no título de Salvador Glorioso da Humanidade, mas também na condição de Mestre para a nossa experiência individual. Quantos estiverem entediados da exibição de “compridas túnicas” da extravagância, entre os fariseus de todos os tempos, voltem conosco à simplicidade original. Lavemos o pensamento nas fontes cristalinas da Verdade. Façamo-nos crianças e, buscando o Eterno Amigo, supliquemos a Ele com sinceridade infantil:
—Senhor, ouvimos-Te a palavra, quando chamavas os pequeninos. Ensina-nos a caminhar, a servir e a viver!…
E estejamos convictos de que o Guia dos Séculos nos tomará as mãos frágeis, sereno e acolhedor, para conduzir-nos “através dos vales da sombra e da morte”, onde, em companhia d’Ele, “não temeremos mal algum”.

Espírito Irmão X (Humberto de Campos), do livro Luz Acima, psicografado por Chico Xavier.

The request for hunches from the unseen plane is as old as the world.
The first temple dedicated to religious faith on Earth was certainly a court of supplications, in which primitive man sought the manifestation of the gods.
And, at all times, the cry for help drowned out the hymn of hosannas.
The spirit incarnated on the Planet plays, above all, the role of Oedipus, rolling in the fabric of circumstances woven by himself. The son of Laius, however, deciphered the riddles proposed to him by the Sphinx, on the outskirts of Thebes, while the common man is terrified and falls, faced with the problems of Death, around the tomb.
However, we do not evoke the image to weave literary considerations around the ancient theme. Here we recall the eagerness of earthly friends, seeking fraternal cooperation in order to resolve issues that concern them. The “living” ask the “dead” for guidance with strange fervor, as if the grimaces of the body’s final trance had promoted us to infallible magicians. Charitable organizations and mediumistic personalities are daily tormented, in Spiritism, in a thousand ways, by thousands of requests of this nature. With ease, we would renew in the world the delicious Greek oracles, full of pagan fantasy, if the light of Christ did not preside over our impulses now, because, without a doubt, the mass of complaints and begging addressed to our sphere is amazing.
Sympathizers of the doctrinal cause want opinions from the Beyond, about changes in the exchange rate, legal disputes or surprises from the underground…
However, it is not for these consulent traffics of invigilant mediums that we have aligned the present observations.
We report to sincere companions who ask for a spirituality script for life’s services.
They remain tired and disillusioned, say some. Restless and tortured, say others. Sometimes they want from us long communiqués full of informative items.
They demand specifics. They want us to pronounce on their conduct in society and at home. Many naively place us among judges in flaming toga and await fulminating libels from our hands, as if we were not equally struggling to extinguish our own defects and remedy our own imperfections.
It is for these that we remember the norms espoused by us today. The only respectable guideline that we could indicate to companions of right intention is the return to the path of Christ. With the exception of missionary spirits who consumed their existence in sanctifying renunciation, what we are doing beyond the grave, in good language, is laundry work. We have dirty clothes and it is impossible to proceed without clean garments, through lighted and clear paths.
The logical recipe, therefore, for the community of incarnated brothers, is readjustment in the legitimate good. Those interested in acquiring knowledge and holiness take up the effort in their own circle. Whoever is applying for elevation, start by elevating themselves, whoever wants to live with superior entities, start by emerging from the deep valley in which the lowest motives of life are concentrated and climb to the mount of enlightenment…
Do not wait for the disincarnated to point out deficiencies to you. We too, convalescents of the soul, experience the thirst for definitive healing.
Once, Oscar Wilde stated that the art of giving advice consists in indicating to others what we most need. After death, at least we confessed sinners would not fall into a similar error after death.
Let us all seek the Divine Counselor.
Let us combine with Him the verbs to pray and watch, forgive and love, help and serve. Let’s start the task with the nearest incomprehensible brothers.
The age of spiritual revelation, among laboratories and research offices, must have passed for loyal scholars, who seek the light. Current times call for recollection in one’s own being. The mind needs to center itself in order to feel the sublime clarity from on High, in the intimacy of the conscience.
Woe to those who do not master the steed of imagination in the race that modern civilization has improvised towards death!…
If the apprentices of the world remain, effectively, awaiting guidance from those who preceded them on the great journey, hear our appeal: Let us resort to Jesus, not only in the title of Glorious Savior of Humanity, but also in the condition of Master for the our individual experience. How many are weary of the “long robes” display of extravagance, among Pharisees of all ages, return with us to original simplicity. Let us wash our thoughts in the crystalline sources of Truth. Let us become children and, seeking the Eternal Friend, let us beg Him with childlike sincerity:
—Lord, we heard your word, when you called the little ones. Teach us to walk, to serve and to live!…
And let us be convinced that the Guide of the Centuries will take our fragile hands, serene and welcoming, to lead us the “through the valleys of the shadow and of death”, where, in his company, “we will fear no evil”.

Spirit Brother X (Humberto de Campos), from the book Luz Acima, psychographed by Chico Xavier.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.