Relações interplanetárias

O Espiritismo, renascença do Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo, é uma Doutrina Racional, sem quistos dogmáticos que lhe deformem o corpo de revelações simples e puras, brilhando por luminoso caminho de aperfeiçoamento das almas e assimilando, sem resistência, todas as conquistas filosóficas e científicas da Humanidade.
No campo de nossos postulados, reconhecemos a Terra como singelo degrau evolutivo no Sistema Solar em que nos integramos, nosso precioso domicílio cósmico, que, por sua vez, empalidece, quase insignificante, quando confrontado com os largos domínios do Universo, além da Galáxia em que a Vida Infinita nos situa o aprendizado.
Não ignoramos, assim, que outros mundos enxameiam no Espaço, revelando a Sabedoria do Criador, e que outras Humanidades evoluem no rumo da perfeição, qual acontece conosco, através do trabalho e da experiência.
Semelhantes conclusões, a nosso ver, todavia, agravam as nossas responsabilidades no serviço que devemos ao mundo, porque qualquer conquista da Terra no campo das relações interplanetárias não modificaria o quadro inquietante de nossas necessidades morais, junto ao qual nos compete o incessante esforço de educação, para que se identifiquem e aperfeiçoem as relações espirituais entre a plenitude do Cristo e a carência dos Homens.
Cabe-nos tão somente, por agora, a vós outros e a nós, trabalhadores encarnados e desencarnados, o árduo ministério de nossa própria reforma intima, com o bem infatigável aos nossos semelhantes, nos padrões de Jesus, a fim de que o Reino do Amor se estabeleça na Terra, habilitando-nos à comunhão com os Planos Superiores.
Desse modo, segundo cremos, qualquer manifestação próxima ou remota dos habitantes de outros Planetas, em nosso Globo, não pode alterar-nos o esquema de trabalho, de vez que a nossa missão é estritamente espiritual, não obstante abranger, como é justo, qualquer estudo digno em torno de problemas que nos firam a marcha.
Somos operários do espírito, colaborando na edificação do mundo novo, a começar pelo aprimoramento de nós mesmos, sob a inspiração do Cristo, nosso Divino Mestre.
Essa é a nossa felicidade maior. Não seria, pois, razoável desertar do nosso setor de ação edificante para substituir astrônomos e estadistas na esfera de observação e de luta que se lhes descerra à inteligência na ordem material.
Estejamos firmes na obra silenciosa e redentora que nos cabe realizar, sob a égide do Senhor, porque, de outro modo, estaríamos menosprezando os “talentos da oportunidade” de nossa cooperação no Evangelho, convertendo o santuário de nossos princípios em mais um dos pontos conturbados de conflito humano, dentro dos quais a indagação, muitas vezes desorientada e insensata, reclama a luz da verdade sem o concurso do tempo, através da perturbação e do estardalhaço sem razão de ser.

Emmanuel, do livro Perante Jesus, psicografado por Chico Xavier

Por Jose Valim

Meu nome é José Valim, tenho 80 anos, e o meu objetivo é a divulgação da Doutrina Espírita Cristã.

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