Uma conersão

Conversão de Paulo de Tarso
Conversão de Paulo de Tarso

Um senhor, que designaremos pelo nome de Georges, farmacêutico numa cidade do Sul (da França), há muito havia perdido o pai, objeto de toda a sua ternura e de profunda veneração. O velho Georges aliava a uma instrução muito vasta todas as qualidades que marcam o homem de bem, posto professasse ideias materialistas. A este respeito o filho partilhava das mesmas ideias, se não ultrapassava as do pai; duvidava de tudo:

de Deus, da alma, da vida futura. O espiritismo não se adaptava a tais pensamentos. A leitura do Livro dos Espíritos, entretanto, provocou-lhe uma certa reação, corroborada por uma conversa direta que tivemos com ele. Dizia: “Se meu pai pudesse me responder, eu não duvidaria mais”. Foi, então, que se fez a evocação seguinte, na qual encontramos diversos ensinamentos:

1. Em nome de Deus, Todo Poderoso, Espírito de meu pai, eu lhe peço que se manifeste. O senhor está junto de mim?
—Sim.
2. Porque o senhor não se manifesta diretamente a mim, quando tanto nos amamos?
—Mais tarde.
2. Poderemos nos encontrar um dia?
—Sim, breve.
3. Amar-nos-emos com nesta vida?
—Mais.
4. Em que meio o senhor se acha?
—Sou feliz.
5. O senhor reencarnou ou está errante?
—Errante por pouco tempo.
6. Que sensação experimentou ao deixar o envoltório corporal?
—De perturbação.
7. Quanto tempo durou a perturbação?
—Pouco para mim, muito para você.
8. Pode avaliar a sua duração, de acordo com o nosso modo de contar?
—Dez anos para você, dez minutos para mim.
9. Mas eu não o perdi há tanto tempo. Não há somente quatro meses?
—Se você, como vivo, estivesse em meu lugar, teria sentido aquele tempo.
10. Crê, agora, em um Deus justo e bom?
—Sim.
11. Quando vivo na Terra também acreditava?
—Eu tinha a presciência mas não acreditava.
12. Deus é Todo Poderoso?
—Não subi até Ele, para avaliar o seu poder: só Ele conhece os limites de seu poder, porque só Ele é seu igual.
13. Ele se ocupa com os homens?
—Sim.
14. Seremos punidos ou recompensados conforme nossos atos?
—Se você fizer o mal, sofrerá.
15. Serei recompensado se fizer o bem?
—Avançará em seu caminho.
16. Estou no bom caminho?
—Faça o bem e verá.
17. Creio ser bom; mas seria melhor se um dia o pudesse encontrar, como recompensa.
—Que este pensamento o sustente e o encoraje.
18. Meu filho será como seu avô?
—Desenvolva suas virtudes e extirpe seus vícios.
19. Isto é tão maravilhoso que chego a não crer que nos comunicamos neste momento.
—De onde lhe vem a dúvida?
20. É que, partilhando de suas opiniões filosóficas, fui levado a atribuir tudo à matéria.
—Você vê de noite aquilo que vê de dia?
21. Meu pai, então eu me acho na noite?
—Sim.
22.Que é que o senhor vê de mais maravilhoso?
—Explique-se melhor.
23. Encontrou minha mãe, minha irmã e Ana, a boa Ana?
—Eu as revi.
24. O senhor volta a vê-las quando quiser?
—Sim.
25. É penoso ou agradável que me comunique com o senhor?
—É uma felicidade para mim, se eu lhe puder fazer o bem.
26. Voltando para casa, que poderia fazer para me comunicar com o senhor, já que lhe dá prazer? Serviria para que me conduzisse melhor e me ajudaria a educar os meus filhos?
—Cada vez que um movimento o levar ao bem eu ali estarei; inspirá-lo-ei.
27. Calo-me com receio de o importunar.
—Fale ainda, se quiser.
28. Já que o permite, farei mais algumas perguntas. De que afecção o senhor morreu?
—Minha prova havia chegado a termo.
29. O senhor contraiu o abscesso pulmonar que se manifestou?
—Pouco importa; o corpo nada é; o Espírito é tudo.
30. Qual a natureza da doença que me desperta, tão frequentemente, durante a noite?
—Sabê-lo-á mais tarde.
31. Considero minha afecção grave e queria ainda viver para os meus filhos.
—Ela não o é. O coração do homem é uma máquina de vida; deixe a Natureza agir.
32. Sob que forma o senhor aqui se acha?
—Sob a aparência de minha forma corpórea.
33. Encontra-se num determinado lugar?
—Sim; por detrás de Ermance (a médium).
34. Poderia tornar-se visível?
—Não vale a pena. Vocês teriam medo.
35. O senhor nos vê a todos aqui presentes?
—Sim.
36. Quer dizer alguma coisa a cada um de nós?
—Em que sentido me faz esta pergunta?
37. Do ponto de vista moral.
—De outra vez; por hoje basta.

Atualmente o sr. Georges não só deixou de ser materialista, mas é um dos adeptos mais fervorosos e mais dedicados do Espiritismo, o que faz duplamente feliz, pela confiança que agora tem no futuro e pelo prazer que experimenta em praticar o bem.
Esta evocação, inicialmente muito simples, não é menos notável em muitos aspectos. O caráter do velho Georges reflete-se nas respostas breves e sentenciosas, que estavam em seus hábitos: falava pouco, jamais dizia uma palavra inútil; mas já não é o céptico que fala; reconhece seu erro; seu Espírito é mais livre, mais clarividente, e retrata a unidade e o poder de Deus por estas palavras admiráveis:
“Só Ele é seu igual”.
Ele, que em vida tudo atribuía à matéria,, diz agora: “O corpo nada é; o Espírito é tudo”; e esta outra frase sublime: “Você vê de noite aquilo que vê de dia”? Para o observador atento, tudo tem um alcance; e é assim que, a cada passo, encontra a confirmação das grandes verdades ensinadas pelos Espíritos.

Allan Kardec, Revista Espírita, janeiro de 1858

Por Jose Valim

Meu nome é José Valim, tenho 80 anos, e o meu objetivo é a divulgação da Doutrina Espírita Cristã.

Deixar um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.