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Espiritualidade

O cólera

Artigo sobre a pandemia do cólera, publicado na Revista Espírita de novembro de 1865, mensagem do Dr. Demeure, médico desencarnado.

Uma vez que o cólera é uma questão de atualidade, e que cada um traz seu remédio para repelir o terrível flagelo, permitir-me-ei, se o consentirdes, dar igualmente minha opinião, se bem que me pareça pouco provável que tendes a temer-lhe os ataques de maneira cruel. No entanto, como é bom que, se possível, os meios não faltem, coloco minha pouca luz a vossa disposição.
Essa afecção, o que quer que dela se diga, não é imediatamente contagiosa, e aqueles que se encontram em um lugar onde ela grassa não devem temer em dar seus cuidados aos enfermos.
Não existe remédio universal contra essa moléstia, seja preventivo, seja curativo, tendo em vista que o mal se complica com uma multidão de circunstâncias que resistem, seja ao temperamento dos indivíduos, seja ao seu estado moral e aos seus hábitos, seja às condições climatéricas, o que faz que tal remédio triunfe em certos casos e não em outros. Pode-se dizer que em cada período de invasão e segundo as localidades, o mal deve ser o objeto de um estudo especial, e requer uma medicação diferente. É assim que, por exemplo, o gelo, a triaga, etc., puderam curar casos numerosos nos cóleras de 1832, de 1849, e em certas regiões poderiam não dar senão resultados negativos em outras épocas e em outros países. Há, pois, uma multidão de remédios bons, e nenhum que seja específico. Foi essa adversidade nos resultados que confundiu e confundirá por muito tempo ainda a ciência, e que faz com que nós mesmos não possamos dar remédio aplicável a todo o mundo, porque a natureza do mal não o comporta. No entanto, há regras gerais, fruto da observação, e das quais importa não se afastar.
O melhor preservativo consiste nas precauções de higiene sabiamente recomendadas por todas as instruções dadas para esse efeito; são acima de tudo o asseio, o distanciamento de toda causa de insalubridade e dos focos de infecção, a abstenção de todo excesso.
Com isto é preciso evitar de mudar seus hábitos alimentares, se isso não for para suprimir as coisas debilitantes. É preciso igualmente evitar os resfriamentos, as transições bruscas de temperatura, e abster-se, a menos de necessidade absoluta, de toda medicação violenta, podendo trazer uma perturbação na economia.
O medo, como o sabeis, frequentemente, em semelhante caso, é pior do que o mal; o sangue-frio não se impõe, infelizmente, mas vós, Espíritas, não tendes necessidade de nenhum conselho sobre este ponto; olhais a morte impassíveis, e com a calma que dá a fé.
Em caso de ataque, importa não negligenciar os primeiros sintomas. O calor, a dieta, uma transpiração abundante, as fricções, a água de arroz na qual se pôs algumas gotas de láudano, são medicamentos de pouco custo e cuja ação é muito eficaz, se a energia moral e o sangue-frio vêm se juntar a eles. Como é frequentemente difícil se proporcionar o láudano na ausência de um médico, pode-se a isto suprir, em caso de urgência por outra composição calmante, e em particular pelo suco de alface, mas empregado em dose fraca. Aliás, pode-se ferver simplesmente algumas folhas de alface na água de arroz.
A confiança em si e em Deus é, em semelhante circunstância, o primeiro elemento da saúde.
Agora, que a vossa saúde material está posta ao abrigo do perigo, permiti-me ocupar-me de vosso temperamento espiritual, ao qual uma epidemia de um outro gênero parece querer atacar. Não temais nada deste lado; o mal não poderia atingir senão os seres a quem a vida verdadeiramente espiritual faz falta, e já mortos sobre o tronco.
Todos aqueles que se sentem votados, sem retorno e sem pensamento dissimulado, à Doutrina nela haurirão, ao contrário, novas forças, para fazer frutificar os ensinamentos que nos fazemos um dever vos transmitir. A perseguição, qualquer que ela seja, é sempre útil; ela põe à luz os corações sólidos, e se ela destaca do tronco principal, alguns galhos mal presos, os jovens rebentos, amadurecidos pelas lutas nas quais, em seguindo nossos conselhos, se tornarão homens sérios e refletidos. Assim, pois, boa coragem; caminhai sem medo no caminho que vos está traçado e contai com aquele que não vos fará jamais falta na medida de suas forças.

Doutor Demeure (Espírito), Médium, Senhores Desliens e Morin.

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