As pretensões romanas

Perdido o cetro da sua hegemonia na antiguidade, o espírito de supremacia perdurou, entretanto, na grande cidade, outrora teatro de todos os aviltamentos e corrupções da Humanidade. Foi dessa ânsia de operar um retrospecto da História que nasceu, provavelmente, o desejo de o bispo romano arvorar-se em chefe do Cristianismo; o que Roma perdera, com o progresso e com a expansão dos povos, reaveria nos domínios das coisas espirituais.
E assim aconteceu.
O Vaticano, porém, não soube senão produzir obras de caráter exclusivamente material, tornando-se potência de poder e autoridade temporais. Afogou-se na vaidade, obtendo o que procurava, porquanto tem o seu império na Terra, que ainda não é o Reino de Jesus.
O seu fastígio, as suas suntuosas basílicas, as suas pomposas solenidades recordam o politeísmo e as dissipações da sociedade romana e, quando o sumo pontífice aparece, em vossos dias, na sédia gestatória (atualmente Papa móvel), é o retrato dos cônsules do antigo senado quando saiam a público, precedidos de lictores. O símile é perfeito.
Meu objetivo foi mostrar-vos a inexistência do selo divino nas instituições católicas. Toda a força da Igreja, na atualidade, vem da sua organização política, que busca contemporizar com a ignorância. O milagre que se operou nalguns espíritos de eleição, como o divino inspirado da Úmbria, gerou-se da beleza do Evangelho e dos tempos apostólicos, unicamente, porque entre Jesus e o papa, entre os apóstolos e os clérigos, há uma distância imensurável.
O Vaticano conservará seu poderio, enquanto puder adaptar-se a todos os costumes políticos das nacionalidades; mas, quando o Evangelho for integralmente restabelecido, quando a onda de uma reforma visceral purificar o ambiente das democracias com a luminosa mensagem da fraternidade humana, desaparecerá, não podendo ser absolvido na balança da História, porque ao lado dos poucos bens que espalhou está o peso esmagador das suas muitas iniquidades.

Emmanuel, do livro homônimo, psicografado por Chico Xavier

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Por Jose Valim

Meu nome é José Valim, tenho 80 anos, e o meu objetivo é a divulgação da Doutrina Espírita Cristã.

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