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Espiritualidade

E a família como vai?

Por Alberto Almeida

Estes são dias desafiadores, em que se veem famílias destroçadas por seus próprios membros, assinalando momentos penumbrosos, em tempos de transição planetária.
A família é um sistema que se define como saudável, ou não, conforme esteja operando funcional ou disfuncionalmente, respectivamente.
Quando saudável, reveste-se de relações ricas em emoção – seus membros se comunicam abertamente, e há trocas afetivas gratificantes; o lar obedece a uma hierarquia de funções, na qual a autoridade parental (pai e mãe) fica assegurada para o devido cumprimento dos papéis que lhes cabe perante os filhos: proteção, nutrição, cuidados, afetividade, etc.
No lar equilibrado, existem regras nítidas que regulam as interações entre os subsistemas: conjugal (esposos), parental (pais-filhos) e fraternal (entre irmãos), garantindo bom desempenho doméstico, claramente percebido pela união amorosa entre seus membros e, ao mesmo tempo, pela diferenciação e crescimento de cada um de seus integrantes. Essas normas estruturam a liberdade responsável dentro do lar, por meio de direitos e deveres, que são bem definidos para todos os componentes da família.
A educação nobre, comandada pelos pais, estabelece valores e princípios morais que vão sendo insculpidos gradativamente, em cada elemento da prole criando ambiente e cultura, harmonia e paz, que favorecerá, para todos, um futuro esperançoso e feliz.

Desempenho e comportamento
Quando a família não observa esse desempenho, perde sua função, adoece e mostra que não está bem, por meio de seu membro mais sensível e vulnerável, que assume comportamento alterado, variando desde a simples irritação até a enfermidade orgânica; da ação agressiva destrutiva ao uso de drogas; do desequilíbrio emotivo até o transtorno psiquiátrico…
Isso é o que se observa, nestes casos, quando, com muitas exceções, a família ressente-se da ausência da hierarquia pai-filho, com perda da autoridade e da alteridade, apresentando desmandos, ora consagrados em filhos ditadores, comandando pais inertes; ora por meio de pais castradores e violentos, que esmagam seus filhos com punições rudes, bem longe da boa educação que poderiam lhes oferecer.
Identifica-se, em casa, a diminuição da convivência nos rituais de família (refeições, roda de conversa, entretenimento compartilhado, acompanhamento dos estudos com os filhos, fins de semana juntos, celebrações, etc.), com repercussões negativas para a afetividade, que não tem espaço para ser cultivada e permutada, gerando carências sentimentais inevitáveis. Sem contar os prejuízos psicológicos, em face dos problemas do dia a dia, que vão se acumulando como conflitos, porque deixam de ser tratados numa convivência familiar de cumplicidade.
Percebe-se que os valores cultuados em casa passam a centrar-se no sucesso material e, às vezes, até mesmo sendo estimulado o sacrifício de princípios morais comezinhos, a fim de alcançar os objetivos estritamente mercantis.
Registra-se, no lar, ampla competição entre seus membros, numa ausência de solidariedade, como se fossem oponentes, e não pertencentes ao mesmo clã.
Nota-se que a prole é inclinada ao cumprimento de um culto religioso, sem o incentivo real à vivência da religiosidade…

Circulo vicioso
Também é nessas horas que a sociedade, com valores bem diversificados e, muitas vezes, ambivalentes, vem, por meio dos grupos sociais que a compõem, replicar para os lares o que deles vem recebendo, realimentando um círculo vicioso.
Assim:
– Multiplicam-se louváveis academias para deixar o “corpo sarado”; mas escasseiam os investimentos nas academias de educação, para permitir ao povo a formação de cidadãos saudáveis.
– Instalam-se, em canais de televisão (aberta e fechada), programas onde vale – tudo – dos gladiadores modernos ao noticiário estritamente de crimes. Todavia, são raras as iniciativas de incremento às programações que incentivem o cultivo da arte (concursos de poesia, de música, de pintura, etc.) e os nobres valores humanos, como nas biografias dos ícones pacifistas, incluindo aqueles que receberam o Nobel da Paz.
– Desdobra-se, ao lado da violência virtual dos vídeos games em casa, a violência real nas ruas (no trânsito, nos assaltos, ,sequestros relâmpagos, etc.), aumentando a insegurança e o medo das pessoas, que passam a cultivar ai a carga de estresse.
– Distende-se a falta de políticas públicas adequadas para a saúde, educação, segurança pública, determinando a ignorância, as enfermidades epidêmicas e a tensão psicossocial no povo.
– Amplia-se a presença de gestores e políticos que malversam o dinheiro público, atuando criminosamente e ficando impunes, diante da revolta da população.
Enfim, com todo esse cenário externo pressionando a estrutura do lar, não é de se estranhar que a violência doméstica assuma graves proporções, especialmente quando se inclui a compreensão da reencarnação, que traz espíritos muitas vezes antipáticos ou inimigos para conviver sob o mesmo teto, objetivando reconciliações adiadas em passado longínquo… Por não encontrarem lares revestidos de suficiente amorosidade, capazes de assegurar o perdão libertador, esses espíritos dão margem ao surgimento das tendências animosas de outrora; reacendendo conflitos pregressos, com consequências imprevisíveis.
Igualmente, não se podem esquecer as influências espirituais negativas, que se aproveitam da falta de análise, vigilância e oração, apregoadas por Jesus, para maximizar a agressividade até o nível da delinquência, denunciando lamentável desconexão entre os membros da família e os espíritos guardiães, que em vão buscam tutelar seus pupilos em nome de Deus.

Alberto Almeida é médico homeopata, terapeuta de família e terapeuta transpessoal.

Transcrito da Folha Espírita de outubro de 2013

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