O tecelão

Torturado pelas apreensões constantes da sua nova vida, chegou a Cesareia decidido a não se deter ali muito tempo. Entregou as cartas de Pedro que o recomendavam aos amigos fieis. Recebido com simpatia por todos, não teve dificuldades em retomar o caminho da cidade natal.
Batendo à porta do lar paterno, pela fisionomia indiferente dos servos, compreendeu como voltava transformado. Os dois criados mais antigos não o reconheceram. Ao fim de longa espera, o genitor foi recebê-lo. O velho Isaac, amparando-se ao cajado, nas adiantadas expressões de um reumatismo pertinaz, não dissimulou um gesto largo de espanto. É que reconhecera de pronto o filho.
-Meu filho!… – disse com voz enérgica, procurando dominar a emoção – será que os olhos me enganam? Saulo abraçou-o, afetuosamente, dirigindo-se ambos para o interior. Isaac sentou-se, e, buscando penetrar o íntimo do filho, com o olhar percuciente, interrogou em tom de censura:
-Será que estás mesmo curado?
Para o rapaz, tal pergunta era mais um golpe desferido na sua sensibilidade afetiva. Sentia-se cansado, derrotado, desiludido; necessitava de alento para recomeçar a existência num idealismo maior e até o pai o reprovava com perguntas absurdas! Ansioso de compreensão, retrucou de maneira comovedora:
-Meu pai, por piedade, acolhei-me!… Não estive doente, mas sou agora necessitado pelo espírito! Sinto que não poderei reiniciar carreira na vida sem algum repouso!… Estendei-me vossas mãos!…
O ancião israelita contemplou-o firme, solene, e sentenciou sem compaixão:
-Não estiveste doente? Que significa, então, a triste comédia de Damasco? Os filhos podem ser ingratos e conseguem esquecer, mas os pais, se nunca os retiram do pensamento, sabem sentir melhor a crueldade do seu proceder… Não te doeria ver-nos vencidos e humilhados com a vergonha que lançaste sobre nossa casa? Ralada de desgostos, tua mãe encontrou lenitivo na morte; mas, eu? Acreditas-me insensível à tua deserção? Se eu resisti foi porque guardava a esperança de buscar Jeová, supondo que tudo não passasse de mal-entendido, que uma perturbação mental houvesse atirado contigo na incompreensão e nas críticas injustificáveis do mundo!…
Criei-te com todo o desvelo que um pai, da nossa raça, costuma dedicar ao único filho varão… Sintetizavas gloriosas promessas para nossa estirpe. Sacrifiquei-me por ti, cumulei-te de afagos, não poupei esforços para que pudesses contar com mestres mais sábios, cuidei da tua mocidade, enchi-te com a ternura do coração e é desse modo que retribuis as dedicações e os carinhos do lar?
Saulo podia enfrentar muitos homens armados, sem abdicar a coragem desassombrada que lhe assinalava as atitudes. Podia verberar procedimento condenável dos outros, ocupar a mais perigosa tribuna para o exame das hipocrisias humanas, mas, diante daquele velhinho que não mais podia renovar a fé, e considerando a amplitude dos seus sagrados sentimentos paternais, não reagiu e começou a chorar.
-Choras? – acentuou o ancião com grande secura. – Mas nunca te dei exemplos de covardia! Lutei com heroísmo nas dias mais difíceis, para que nada de faltasse. Tua fraqueza é filha do perjúrio, da traição. Tuas lagrimas vêm do remorso inelutável! Como enveredaste, assim, pelo caminho da mentira execrável? Com que fim engendraste a cena de Damasco para repudiar os princípios que te alimentaram do berço? Como abandonar a situação brilhante do rabino de que tanto esperávamos, para arvorar-se em companheiro de homens desclassificados, que nunca tiveram a tradição amorosa de um lar? Ante as acusações injustas, o moço tarsense soluçava, talvez pela primeira vez na vida.
-Quando soube que ias desposar uma jovem sem pais conhecidos – prosseguia o velho implacável –, surpreendi me e esperei que te pronunciasses diretamente. Mas Dalila e o marido eram compelidos a deixar Jerusalém, precipitadamente, ralados de vergonha com a ordem de prisão que a sinagoga de Damasco requisitava contra ti. Várias vezes conjeturei se não seria essa criatura inferior, que elegeste, a causa de tamanhos desastres morais. Há mais de três anos levanto-me, diariamente, para refletir no teu criminoso proceder em detrimento dos mais sagrados deveres! Ao ouvir aqueles conceitos injustos à pessoa de Abigail, o rapaz cobrou ânimo e murmurou com humildade:
-Meu pai, essa criatura era uma santa! Deus não a quis neste mundo! Talvez, se ela ainda vivesse, teria eu o cérebro mais equilibrado para harmonizar a minha nova vida.
-Nova vida? – glosou o pai irritado – que queres dizer com isso? -Quero dizer que o episódio de Damasco não foi ilusão e que Jesus reformou minha vida.
-Não poderias ver em tudo isso rematada loucura? – continuou o pai com espanto. Como abandonar o amor da família, as tradições veneráveis do teu nome, as esperanças sagradas dos teus, para seguir um carpinteiro desconhecido? Saulo compreendeu o sofrimento moral do genitor quando assim se exprimia. Teve ímpetos de atirar-se-lhe nos braços amorosos; falar-lhe do Cristo, proporcionar-lhe entendimento real da situação. Mas, prevendo, simultaneamente, a dificuldade de se fazer compreendido, observava-o, resignado, enquanto ele prosseguia de olhos úmidos, revelando a mágoa e a cólera que o dominavam.
-Como pode ser isso? Se a doutrina malfadada do carpinteiro de Nazaré impõe criminosa indiferença pelos laços mais santos da vida, como lhe negar nocividade e bastardia? Será justo preferir um aventureiro, que morreu entre malfeitores, ao pai digno e trabalhador que envelheceu no serviço honesto de Deus?!…
Isaac pareceu agravar a própria fúria.
-Mas, pai – dizia o moço em voz súplice –, o Cristo é o Salvador prometido!…
-Blasfemas? – gritou.
– Não temes insultar a Providência Divina? As esperanças de Israel não poderiam repousar numa fronte que se esvaiu no sangue do castigo, entre ladrões!… Estás louco! Exijo a reconsideração de tuas atitudes. -É certo que meu passado está cheio de culpas, quando não hesitei em perseguir as expressões da verdade; mas, de três anos a esta parte, não me recordo ato algum que necessite reconsideração.
O ancião pareceu atingir o auge da cólera e exclamou áspero:
-Sinto que as palavras generosas não quadram à tua razão perturbada. Vejo que tenho esperado em vão, para não morrer odiando alguém. Infelizmente, sou obrigado a reconhecer nas tuas atuais decisões um louco, ou um criminoso vulgar. Portanto, para que nossas atitudes se definam, peço-te que escolhas em definitivo, entre mim e o desprezível carpinteiro!…
-Meu pai, ambos precisamos de Jesus!…
-Tua escolha está feita! Nada tens a fazer nesta casa!…
O velhinho estava trêmulo. Via-se-lhe o esforço espiritual para tomar aquela decisão. Criado nas concepções intransigentes da Lei de Moisés, Isaac sofria como pai; entretanto, expulsava o filho depositário de tantas esperanças, como se cumprisse um dever. O coração amoroso sugeria-lhe piedade, mas, o raciocínio do homem, encarcerado nos dogmas implacáveis da raça, abafava-lhe o impulso natural.
Saulo contemplou-o em atitude silenciosa e suplicante. O lar era a derradeira esperança que ainda lhe restava. Não queria crer na última perda. Cravou no ancião os olhos quase lacrimosos, e, depois de longo minuto de expectação, implorou num gesto comovedor que lhe não era habitual:
-Falta-me tudo, meu pai. Estou cansado e doente! Não tenho dinheiro algum, necessito da piedade alheia. E acentuando a queixa dolorosa:
-Também vós me expulsais?!…
Isaac sentiu que a rogativa lhe vibrava no mias íntimo do coração. Mas, julgando, talvez, que a energia era mais eficiente que a ternura, no caso, respondeu secamente:
-Corrige as tuas impressões, porque ninguém te expulsou. Foste tu que votaste os amigos e os afetos mais puros ao supremo abandono!… Tens necessidades? É justo que peças ao carpinteiro as providências acertadas… Ele que fez tamanhos absurdos, terá poder bastante para valer-te.
As alusões ao Cristo doíam-lhe muito mais que as reprimendas diretas que recebera. Sem conseguir refrear a própria angústia, sentiu que lágrimas ardentes rolavam-lhe nas faces queimadas pelo sol do deserto. Nunca experimentara pranto assim amargo. No pranto que lhe borbulhava dos olhos, recordou-se, porém, de Ananias. Quando todos o abandonavam em Damasco, surgira o mensageiro do Mestre, restituindo-lhe o bom ânimo. Seu pai falara-lhe, ironicamente, dos poderes do Senhor. Sim, Jesus não lhe faltara com os recursos indispensáveis. Lançando ao genitor um olhar inolvidável, disse humildemente:
-Então, adeus, meu pai!… Dizeis bem, porque estou certo de que o Messias não me abandonará!…
A passos indecisos, aproximou-se da porta de saída. Olhou, indiferente, o movimento da rua, como alguém que houvesse perdido todo o interesse de viver.
Não dera ainda muitos passos, no seu incerto destino, quando ouviu chamarem-no com insistência.
Em poucos instantes, o criado do pai entregava-lhe uma bolsa pesada exclamando em tom amistoso:
-Vosso pai manda este dinheiro como lembrança.
Saulo experimentou no íntimo a revolta do “homem velho”. Imaginou invocar a própria dignidade para devolver a dádiva humilhante. Assim procedendo ensinaria ao pai que era filho e não mendigo. Dar-lhe-ia uma lição, mostraria o valor próprio, mas, considerou ao mesmo tempo, que as provações rigorosas talvez se verificassem com assentimento de Jesus, para que seu coração ainda voluntarioso aprendesse a verdadeira humildade. Assim compreendeu, num relance, e, buscando vencer-se a si mesmo, tomou a bolsa com resignado sorriso, guardou-a humildemente entre as dobras da túnica, saudou o servo com expressões de agradecimento e disse, esforçando-se por evidenciar alegria:
-Sinésio, conte a meu pai o contentamento que me causou com a sua carinhosa oferta e diga-lhe que rogo a Deus que o ajude.
Com o dinheiro que o pai lhe deu resolveu comprar um tear. Seria o recomeço da luta. Assim, durante três anos, o solitário tecelão das vizinhanças do Tauro exemplificou a humildade e o trabalho, esperando, devotadamente, que Jesus o convocasse ao testemunho.
Transformado em rude operário, Saulo de Tarso apresentava notável diferença fisionômica. Acentuara-se-lhe a feição de asceta. Os olhos, contudo, denunciando o homem ponderado e resoluto, revelavam igualmente uma paz profunda e indefinível.
A existência corria sem outros pormenores de maior importância, quando, um dia foi surpreendido com a visita inesperada de Barnabé. O ex-levita de Chipre encontrava-se em Antioquia, a braços com sérias responsabilidades. A igreja ali fundada reclamava a cooperação de servos inteligentes. A instituição fora iniciada por discípulos de Jerusalém, sob os alvitres generosos de Simão Pedro. Ainda, aí, entrou a compreensão de Pedro para que não faltasse ao tecelão de Tarso o ensejo devido. Observando as dificuldades, depois de indicar Barnabé para a direção do núcleo do “Caminho”, aconselhou-o a procurar o convertido de Damasco, a fim de que sua capacidade alcançasse um campo novo de exercício espiritual. O ex-rabino edificou-se com a narração do outro e não teve dúvidas em atender ao apelo. Apenas apresentava uma condição, qual a de prosseguir no seu ofício de maneira a não ser pesado aos seus confrades de Antioquia.
Pressuroso e prestativo, em breve Saulo de Tarso se instalava em Antioquia.
Em breve, o ex-discípulo de Gamaliel tornava-se um amigo amado de todos. Sentia-se imensamente feliz. Tinha enorme satisfação sempre que via a tenda pobre repleta de irmãos que o procuravam, tomados de simpatia. Ali conheceu Trófimo, que lhe seria companheiro fiel em muitos transes difíceis; ali abraçou Tito, pela primeira vez, quando esse abnegado colaborador mal saía da infância.
Saulo encontrara em tudo isso um mundo diferente. A permanência em Antioquia era interpretada como um auxílio de Deus. A confiança recíproca, os amigos dedicados, a boa compreensão, constituíam alimento sagrado da alma. Procurava valer-se da oportunidade, a fim de enriquecer o celeiro íntimo.
A igreja tornou-se venerável por suas obras de caridade e pelos fenômenos de que se constituíra organismo central.
Viajantes ilustres visitavam-na cheios de interesse. Foi aí que surgiu, certa vez, um médico muito jovem, de nome Lucas. De passagem pela cidade, aproximou-se da igreja animado por sincero desejo de aprender algo novo. Sua atenção fixou-se, de modo especial, naquele homem de aparência quase rude, que fermentava as opiniões, antes que Barnabé empreendesse a abertura dos trabalhos. Aquelas atitudes de Saulo, evidenciando a preocupação generosa de ensinar e aprender, simultaneamente, impressionaram-no a ponto de apresentar-se ao ex-rabino, desejoso de ouvi-lo com mais freqüência. E enquanto permaneceu na cidade, ambos se empenhavam, diariamente, em proveitosas palestras, concernentes ao ensino de Jesus.
Na véspera de partir, fez uma observação que modificaria para sempre a denominação dos discípulos do Evangelho.
-Irmãos, afastando-me de vós, levo o propósito de trabalhar pelo Mestre, empregando nisso todo o cabedal de minhas fracas forças. Não tenho dúvida alguma quanto a extensão deste movimento espiritual. Para mim, transformará o mundo inteiro. Entretanto, pondero a necessidade de imprimirmos a melhor expressão de unidade às suas manifestações. Quero referir-me aos títulos que nos identificam a comunidade. Não vejo na palavra “caminho” uma designação que traduza o nosso esforço. Não seria mais justo chamarmo-nos cristãos uns aos outros. Este título nos recordará a presença do Mestre, nos dará energia em seu nome e caracterizará, de modo perfeito, as nossas atividades em concordância com os seus ensinos. A sugestão de Lucas foi aprovada com geral alegria. O alvitre de Lucas estendeu-se, rapidamente, a todos os núcleos evangélicos, inclusive Jerusalém, que o recebeu com especial simpatia. Dentro em breve, tempo, em toda parte a palavra “cristianismo” substituía a palavra “caminho”. A igreja de Antioquia continuava oferecendo as mais belas expressões evolutivas. As assembleias estavam sempre cheias de revelações. Numerosos irmãos profetizavam, animados do Espírito-Santo. Foi aí que Agabo, grande inspirado pelas forças do plano superior, recebeu a mensagem referente às tristes provações de que Jerusalém seria vítima. Barnabé expediu um mensageiro a Simão Pedro, enviando notícias e exortando-o à vigilância. O emissário regressou, trazendo a impressão de surpresa do ex-pescador, que agradecia os apelos generosos.
Com efeito, daí a meses, um portador da igreja de Jerusalém chegava, apressadamente, a Antioquia, trazendo notícias alarmantes e dolorosas. Em longa missiva, Pedro relatava a Barnabé os últimos fatos que o acabrunhavam. Escrevia na data em que Tiago, filho de Zebedeu, sofrera a pena de morte, em grande espetáculo público. A mensagem de Pedro relatava, também, as penosas dificuldades da igreja. A cidade sofria fome e epidemias. Enquanto a perseguição cruel apertava o cerco, inumeráveis filas de famintos e doentes batiam-lhe às portas. O ex-pescador solicitava de Antioquia os socorros possíveis.
A laboriosa comunidade solidarizou-se, de bom grado, para atender a Jerusalém. Recolhidas as cotas de auxílio, o ex-levita de Chipre prontificou-se a ser o portador da resposta da igreja e Saulo ofereceu-se a acompanhá-lo.
Imensas surpresas aguardavam os emissários de Antioquia, que já não encontraram Simão Pedro, em Jerusalém. As autoridades haviam efetuado a prisão do ex-pescador de Cafarnaum, logo após a dolorosa execução do filho de Zebedeu. Mas, dias depois, um anjo visitara o cárcere do Apóstolo, restituindo-o à liberdade. Os companheiros mais ponderados induziram-no, então, a sair de Jerusalém e esperar na igreja incipiente de Jope a normalidade da situação. João e Filipe haviam partido. As autoridades apenas toleravam a igreja em consideração à personalidade de Tiago, que, pelas suas atitudes de profundo ascetismo, impressionava a mentalidade popular, criando em torno dele uma atmosfera de respeito intangível.
A ausência eventual de Simão transformara a estrutura da obra evangélica. O filho de Alfeu, elevado à chefia provisória, não os convidou para se hospedarem na igreja. À vista disso, o discípulo de Pedro foi procurar a casa de sua irmã Maria Marcos, mãe do futuro evangelista, que os recebeu com grande júbilo.
A palestra de Saulo impressionou-a, vivamente. Seduziam-na, sobretudo, as descrições do ambiente fraternal da igreja antioquiana, cujas virtudes Barnabé na cessava de glosar constantemente.
Maria expôs ao irmão o seu grande sonho. Queria dar o filho, ainda muito jovem, a Jesus. De há muito, vinha preparando o menino para o apostolado. Não seria melhor que João Marcos se transferisse para Antioquia, junto do tio?
Dentro de poucos dias os três demandavam a formosa cidade do Orontes. Enquanto João Marcos extasiava-se na contemplação das paisagens, Saulo e Barnabé entretinham-se em longas palestras, relativamente aos interesses do Evangelho.
-Francamente – dizia Saulo a Barnabé, mostrando-se apreensivo –, regresso de ânimo quase abatido aos nossos serviços de Antioquia. Jerusalém dá impressão de profundo desmantelo e acentuada indiferença pelas lições do Cristo. As altas qualidades de Simão Pedro, na chefia do movimento, não me deixam dúvidas, mas precisamos cerrar fileiras em torno dele. Mais que nunca me convenço da sublime realidade de que Jesus veio ao que era seu, mas não foi compreendido. -Sim – obtemperava o ex-levita de Chipre, desejoso de dissipar as apreensões do companheiro –, confio, antes de tudo, no Cristo; depois, espero muito de Pedro… -Tenho uma idéia que parece vir de mais alto – disse o ex-doutor da Lei, sinceramente comovido. Suponho que o Cristianismo não atingirá seus fins, se esperarmos tão só dos israelitas anquilosados no orgulho da Lei. Jesus afirmou que seus discípulos viriam do Oriente e do Ocidente. Nós, que pressentimos a tempestade, e eu, principalmente, que a conheço nos seus paroxismos, por haver desempenhado o papel de verdugo, precisamos atrair esses discípulos. Quero dizer, Barnabé, que temos necessidade de buscar esses gentios onde quer que se encontrem. Só assim reintegrar-se-á o movimento em função da universalidade. Barnabé pareceu entusiasmar-se com a idéia. Mas, depois de pensar um minuto, acrescentou:
-Entretanto, esse empreendimento não deveria partir de Jerusalém?
-Penso que não – sentenciou Saulo, de pronto. Seria absurdo agravar as preocupações de Pedro. Excede a tudo esse movimento de pessoas necessitadas e abatidas, convergentes de todas as províncias, a lhe baterem às portas. Simão está impossibilitado para o desdobramento dessa tarefa. Restringir o Evangelho a Jerusalém será condená-lo à extinção, no foco de tantos dissídios religiosos, sob a política mesquinha dos homens. Necessitamos levar a notícia de Jesus a outras gentes, ligar as zonas de entendimento cristão, abrir novas estradas.
Barnabé rejubilava-se com perspectivas tão sedutoras. As advertências de Saulo eram mais que justas. Haveria que prestar informações amplas ao mundo.
-Tens razão – disse admirado –, precisamos pensar nesses serviços, mas, como? -Ora – esclareceu Saulo tentando aplainar as dificuldades –, se quiseres chefiar qualquer esforço neste sentido, podes contar com a minha cooperação incondicional. Nosso plano seria desenvolvido na organização de missões abnegadas, sem outro fito que servir, de forma absoluta, à difusão da Boa Nova do Cristo.

A primeira viagem

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