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Aniversário do Brasil

Mensagem de sete de maio de 1937.
Vem o Brasil de comemorar o 437º ano do seu descobrimento. Em todos os centros culturais do País foi lembrada a célebre expedição de Pedro Álvares Cabral, que, em março de 1500, deixou Lisboa com as mais severas recomendações para os régulos da Ásia e que aportou primeiramente na ilha de Vera Cruz, cheia de árvores fartas e de rolas morenas cantando a inocência das terras inexploradas e virgens, cujo domínio Portugal havia pleiteado em Tordesilhas.
Os naturais ainda pareciam permanecer com a benção divina no paraíso terrestre, pois não conheciam o sentimento que fizera Adão e Eva buscarem a folha de parra, envergonhados dos seus pormenores anatômicos; mas, frei Henrique de Coimbra, na primeira missa celebrada naquele deserto maravilhoso, tentou pregar para as gentes de Porto Seguro, que não lhe compreenderam as palavras, tomando, logo após aquele ato católico, os seus arcos e os seus tacapes, prosseguindo nas danças exóticas, sobre as ervas rasteiras da praia.
Sobre as grandes comemorações brasileiras destes últimos dias, não podemos mencionar as da política administrativa, que, no momento, estava preocupada com a eleição do Presidente da Câmara Federal, sendo de destacar-se, somente, a Congregação Mariana no Rio de Janeiro. A Igreja, conhecendo profundamente a psicologia das massas, reuniu mais de dez mil católicos na capital do País, realizando os seus movimentos com o apoio governamental.
Mas, não nos surpreendemos. Não se tratou de um congresso para a generalização do livro ou de novas facilidades da vida. Como Frei Henrique de Coimbra, no dia 3 de maio de 1500, entre as madeiras toscas da Bahia, Monsenhor Leovigildo Franca, na Feira de Amostras do Rio de Janeiro, dava explicações da missa ao povo do Brasil, com a diferença de que falava pelo rádio e com pouca esperança de ser entendido pelos seus patrícios, que, como outrora, se levantariam dali, com as suas cuícas e os seus pandeiros, procurando a Favela ou a Mangueira, para um samba de quintal. Aliás, semelhante fato não será estranhável, considerando-se que o governo que apoiou a última concentração católica é o mesmo que subvenciona as festas carnavalescas, incentivando, por essa forma, o turismo no Brasil.
Todavia, longe das apreciações superficiais, que teria feito à nação em mais de quatrocentos anos de vida histórica e mais de um século de independência política? Com um território imenso, onde caberá possivelmente toda a população da Europa moderna, ela apenas conhece pouco mais de um décimo de suas possibilidades econômicas. Do vale soberbo do Amazonas às planícies do Rio da Prata, há um perfume de matas virgens na terra misteriosa e o mesmo livro infinito de sua Natureza extraordinária espera ainda a raça ciclópica que escreverá nas suas páginas, ainda em branco, a mais bela talvez de todas as epopeias da Humanidade, nos triunfos do Espírito.
É lastimável que as paixões políticas aí permaneçam, intoxicando inteligências e corações.
A esses sentimentos nefastos deve-se a sensação de angustiosa expectativa que o País vem experimentando, nestes anos derradeiros, perturbando os seus surtos de trabalho e empobrecendo as suas fontes de produção. Os espíritos, que aí se entregam ao vinho sinistro do interesse e da ambição, andam esquecidos de que são criminosos todos aqueles que destroem um abrigo diante da tempestade furiosa, sem apresentar um refúgio melhor aos náufragos desesperados. Como inaugurar-se uma nova experiência de novos regimes políticos no País, se o próprio princípio democrático ainda não foi devidamente assimilado?
Contudo, o que vemos no Brasil, nos últimos tempos, é a tendência para a desagregação das forças construtivas da nacionalidade, em lutas esterilizadoras.
Reza a História que, nos séculos passados, quando as hordas de bárbaros ameaçavam a Europa medieval, o sultão Amurat submeteu ao seu domínio as províncias gregas da Trácia, da Albânia e da Macedônia. Cheio de galardões e de vitórias, avançou para o norte em direção dos sérvios e dos búlgaros que, comandados por Lázaro e Sisman, lhe opuseram a mais encarniçada resistência. O orgulhoso sultão ganhou-lhes a grande batalha de Kossovo, mas, quando vitorioso contemplava com feroz alegria o campo forrado de sangue e de cadáveres, orgulhoso do seu feito e da sua glória, o sérvio Miloch levantou-se, no silêncio da praça destruída, e, lesto, cravou-lhe um punhal no coração.
A política brasileira dos últimos anos tem sido a repetição do mesmo quadro. Sempre um Amurat escalando o caminho da glória e da evidência, sobre as humilhações dos seus semelhantes, e sempre um Miloch saindo do seu anonimato para desferir-lhe o golpe supremo.
Mas… Não falemos de assunto tão ingrato, quanto inoportuno.
No dia de aniversário do Brasil, recordemos que o professor Tyndall acaba de anunciar os dez problemas mais importantes que a ciência terrestre terá de resolver nos próximos cem anos, neles incluindo a viagem à Lua e alimentação química, lembrando ao ilustre catedrático da Pensilvânia que, não obstante as suas mestranças, esqueceu a questão da vitória do Evangelho. E olhando o país maravilhoso onde todas as raças do Planeta se encontraram para a glorificação da fraternidade e do amor, saudemos, com as emoções de nossa esperança, as terras afortunadas de Santa Cruz.

Capítulo 32 do livro Crônicas de Além Túmulo
Espírito de Humberto de Campos, recebido por Chico Xavier

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Carta aberta

CARTA ABERTA AO SENHOR PREFEITO DO RIO DE JANEIRO
18 de dezembro de 1936

Senhor Prefeito do Distrito Federal. Dirijo-me a V. Excelência para ponderar um dos últimos atos de sua administração na velha cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro, não obstante as minhas condições de jornalista desencarnado, e apesar do estado de guerra vigente no país.
Todavia, declinando essas circunstâncias, devo confessar, em defesa de meu gesto, que minha palavra humilde não visa a nenhum intuito político ou social do Brasil, para fixar-se somente na questão da humanidade.
É verdade inconteste que V Excelência se torna duplamente respeitável, não só pela sua condição de autoridade suprema de uma cidade em que palpitam seguramente dois milhões de corações humanos, senão também pela sua qualidade de sacerdote, e é talvez por isso que a minha ponderação se faz um tanto mais grave.
Não lhe venho falar dos inquéritos administrativos nos departamentos públicos, afetos à sua autoridade, e sim dizer-lhe do seu ato pessoal, opondo o veto à subvenção de cinquenta contos, concedida pelos seus antecessores ao Abrigo Teresa de Jesus, instituição venerável que um punhado de espiritistas abnegados fundou no Rio, há alguns anos, e que todos os cariocas se habituaram a admirar, com o seu apoio e com o seu respeito.
A atitude de V. Excelência é estranhável, não só em face da sua condição de ministro da Igreja Católica, como pelo seu conhecimento acerca das misérias da nossa urbe, que os apaixonados do samba brasileiro apelidaram de cidade maravilhosa.
Cinquenta contos, Senhor Prefeito, como subvenção a uma instituição dessa natureza, que já conseguiu afastar os antros viciosos algumas centenas de criaturas, infundindo-lhes a noção do dever social, cívico e humano, modelando heróis para os combates com as adversidades terrenas, representa uma porcentagem muito mesquinha, em face das verbas despendidas com as obras suntuosas dos serviços públicos.
Antes de regressar desse mundo, onde perdi todas as ilusões e todas as esperanças, com respeito à objetivação de uma sociedade organizada na base dos verdadeiros interesses cristãos, muitas vezes deixei escapar do peito dilacerado o meu grito de dor pela nossa infância desvalida. Enquanto os governos instituíam as mais grossas subvenções para as festas carnavalescas e para a propaganda turística do Brasil no estrangeiro, via eu as nossas crianças desamparadas, doentes e esqueléticas, estendendo a mão mirrada à piedade das praças públicas. Se as dores não me viessem sufocar tão cedo os sagrados entusiasmos do coração, teria objetivado um largo movimento intelectual, em favor da instituição do livro e do pão para o menino dos nossos morros, onde com as vozes inocentes do samba se misturam os gemidos de todas as misérias.
Veja pois, Excelência, a necessidade de se subvencionarem, e largamente, todas as iniciativas sociais que se organizem para proteger a criança desamparada, que virá a ser o homem de amanhã. Nesses tempos de negro materialismo, que parece invadir todos os institutos criados com o rótulo da civilização cristã, as autoridades legalmente constituídas têm de colocar os interesses humanos acima de todos os preconceitos sociais e religiosos.
Seu coração de administrador e de cristão possui vasta experiência desses assuntos, sendo desnecessário que a minha palavra lhe encareça a importunidade do seu veto pessoal a esse auxílio financeiro à instituição referida, que é um admirável núcleo cultural do Rio de Janeiro, onde se criam as células sadias do organismo coletivo de amanhã.
V. Excelência Não ignora que todas as questões transcendentes, apresentadas como insolúveis às vistas dos sociólogos modernos, complicando o mecanismo da vida dos povos, são de natureza educativa. Os problemas brasileiros são quase todos dessa ordem. Bem sabe que, mesmo em nossa história, existem páginas que implicam em si a veracidade do que afirmamos. Não se lembra da luta armada de Canudos, onde pereceram tantas energias da mocidade brasileira? O resultado dessa campanha seria outro, se, em vez da primeira expedição militar, mandássemos para ali uma dúzia de professores. As armas a serem detonadas naquele ambiente sertanejo deveriam ser as do alfabeto, como asseverava o nosso Euclides. O banditismo do Nordeste, as falanges de “Lampião”, as multidões místicas e delinquentes que, de vez em quando, surgem no quadro mesológico da nossa evolução coletiva, são problemas do livro e nada mais.
Desejaria, pois, o Senhor Prefeito do Distrito Federal absorver-se no partido político, nas intrigas de gabinete, nas homenagens dos louvaminheiros da autoridade pública, esquecendo-se da parte mais importante de suas atribuições, junto à coletividade do seu país?
Não acreditamos, igualmente, que o seu ato seja o fruto de uma represália à atitude desassombrada de criaturas estudiosas, que tentam elucidar as questões da Igreja Católica, da qual é um dedicado servidor. A luta é de princípios e não de personalidades; e esse combate ideológico é indispensável, nos bastidores em que se processa a evolução das consciências e das doutrinas. E para todos os combatentes, irmanados no mesmo idealismo do Evangelho, deverá existir, indubitavelmente, um traço de união acima de todas as polêmicas e de todas as controvérsias, que é o da fraternidade do Cristo. Um homem ou uma instituição podem crescer no conceito das coletividades pelas suas conquistas, pelos seus poderes transitórios, pela sua fortuna, mas serão sempre assinalados pela ilusão, se lhes faltarem os princípios humanos da caridade.
Conta-se aqui, Senhor Prefeito, que um dia quis o Senhor reunir sob os seus olhos todos os sábios que chegavam da Terra. Teólogos eminentes, filósofos, artistas do pensamento e da ação, matemáticos, geômetras e literatos ilustres.
– “Senhor – dizia um deles -, eu ampliei a técnica dos homens, nos problemas das ciências…”
– “Eu – repetia outro – procurei imprimir uma fase nova às letras do mundo”…
– “Minha vida, Senhor – exclamava ainda outro -, foi toda empregada no laboratório, em favor da Humanidade”…
Mas o Senhor replicou-lhes na sua misericórdia:
-“Todas as vossas ciências são respeitáveis, mas valerão muito pouco se não tivestes caridade. Toda sabedoria, sem a bondade, é como luz que não aquece, ou como flor que não perfuma… A questão da felicidade humana está claramente resolvida na prática do meu Evangelho, como a solução algébrica define os vossos problemas de matemática. O Reino do Céu ainda é a mansão prometida aos simples e pobres da Terra, que vêm a mim isentos de soberba e de vaidade”!…
Aqui, Senhor Prefeito, não se mede o espírito pela posição que haja ocupado no mundo. A indumentária nada representa para as leis sábias e justas da espiritualidade. Não obstantes os seus conhecimentos teológicos, não se esqueça que os manuais dos santos são compêndios de teorias da Terra. A prática é bem outra e é desta que voltamos para lhe falar dos argumentos mais firmes.
Aproveite a oportunidade que Jesus lhe colocou em mãos e reconsidere seu ato, reparando-o sua memória será então abençoada pela infância brasileira, votada ao desamparo pelos nossos políticos, que cuidam durante a vida inteira dos seus interesses e dos seus eleitorados. E um dia, quando não for mais o Senhor Prefeito Municipal e sim o nosso irmão Olímpio, seu coração há de sentir, nos mais recônditos refolhos, a suavidade das mãos veludosas do Jardineiro Divino, plantando os lírios perfumados da paz nas profundezas do seu mundo íntimo. E, quando essas flores destilarem nos seus olhos o aroma bendito das lágrimas de gratidão e reconhecimento, uma voz branda e suave murmurará aos seus ouvidos: -“Guarda, meu filho, a minha recompensa. Regozija-te no Senhor, pois que foste meu servo e tiveste caridade”!…

Capítulo 23, do livro Crônicas de Além Túmulo, Espírito de Humberto de Campos, recebida por Chico Xavier

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E a família como vai?

Por Alberto Almeida

Estes são dias desafiadores, em que se veem famílias destroçadas por seus próprios membros, assinalando momentos penumbrosos, em tempos de transição planetária.
A família é um sistema que se define como saudável, ou não, conforme esteja operando funcional ou disfuncionalmente, respectivamente.
Quando saudável, reveste-se de relações ricas em emoção – seus membros se comunicam abertamente, e há trocas afetivas gratificantes; o lar obedece a uma hierarquia de funções, na qual a autoridade parental (pai e mãe) fica assegurada para o devido cumprimento dos papéis que lhes cabe perante os filhos: proteção, nutrição, cuidados, afetividade, etc.
No lar equilibrado, existem regras nítidas que regulam as interações entre os subsistemas: conjugal (esposos), parental (pais-filhos) e fraternal (entre irmãos), garantindo bom desempenho doméstico, claramente percebido pela união amorosa entre seus membros e, ao mesmo tempo, pela diferenciação e crescimento de cada um de seus integrantes. Essas normas estruturam a liberdade responsável dentro do lar, por meio de direitos e deveres, que são bem definidos para todos os componentes da família.
A educação nobre, comandada pelos pais, estabelece valores e princípios morais que vão sendo insculpidos gradativamente, em cada elemento da prole criando ambiente e cultura, harmonia e paz, que favorecerá, para todos, um futuro esperançoso e feliz.

Desempenho e comportamento
Quando a família não observa esse desempenho, perde sua função, adoece e mostra que não está bem, por meio de seu membro mais sensível e vulnerável, que assume comportamento alterado, variando desde a simples irritação até a enfermidade orgânica; da ação agressiva destrutiva ao uso de drogas; do desequilíbrio emotivo até o transtorno psiquiátrico…
Isso é o que se observa, nestes casos, quando, com muitas exceções, a família ressente-se da ausência da hierarquia pai-filho, com perda da autoridade e da alteridade, apresentando desmandos, ora consagrados em filhos ditadores, comandando pais inertes; ora por meio de pais castradores e violentos, que esmagam seus filhos com punições rudes, bem longe da boa educação que poderiam lhes oferecer.
Identifica-se, em casa, a diminuição da convivência nos rituais de família (refeições, roda de conversa, entretenimento compartilhado, acompanhamento dos estudos com os filhos, fins de semana juntos, celebrações, etc.), com repercussões negativas para a afetividade, que não tem espaço para ser cultivada e permutada, gerando carências sentimentais inevitáveis. Sem contar os prejuízos psicológicos, em face dos problemas do dia a dia, que vão se acumulando como conflitos, porque deixam de ser tratados numa convivência familiar de cumplicidade.
Percebe-se que os valores cultuados em casa passam a centrar-se no sucesso material e, às vezes, até mesmo sendo estimulado o sacrifício de princípios morais comezinhos, a fim de alcançar os objetivos estritamente mercantis.
Registra-se, no lar, ampla competição entre seus membros, numa ausência de solidariedade, como se fossem oponentes, e não pertencentes ao mesmo clã.
Nota-se que a prole é inclinada ao cumprimento de um culto religioso, sem o incentivo real à vivência da religiosidade…

Circulo vicioso
Também é nessas horas que a sociedade, com valores bem diversificados e, muitas vezes, ambivalentes, vem, por meio dos grupos sociais que a compõem, replicar para os lares o que deles vem recebendo, realimentando um círculo vicioso.
Assim:
– Multiplicam-se louváveis academias para deixar o “corpo sarado”; mas escasseiam os investimentos nas academias de educação, para permitir ao povo a formação de cidadãos saudáveis.
– Instalam-se, em canais de televisão (aberta e fechada), programas onde vale – tudo – dos gladiadores modernos ao noticiário estritamente de crimes. Todavia, são raras as iniciativas de incremento às programações que incentivem o cultivo da arte (concursos de poesia, de música, de pintura, etc.) e os nobres valores humanos, como nas biografias dos ícones pacifistas, incluindo aqueles que receberam o Nobel da Paz.
– Desdobra-se, ao lado da violência virtual dos vídeos games em casa, a violência real nas ruas (no trânsito, nos assaltos, ,sequestros relâmpagos, etc.), aumentando a insegurança e o medo das pessoas, que passam a cultivar ai a carga de estresse.
– Distende-se a falta de políticas públicas adequadas para a saúde, educação, segurança pública, determinando a ignorância, as enfermidades epidêmicas e a tensão psicossocial no povo.
– Amplia-se a presença de gestores e políticos que malversam o dinheiro público, atuando criminosamente e ficando impunes, diante da revolta da população.
Enfim, com todo esse cenário externo pressionando a estrutura do lar, não é de se estranhar que a violência doméstica assuma graves proporções, especialmente quando se inclui a compreensão da reencarnação, que traz espíritos muitas vezes antipáticos ou inimigos para conviver sob o mesmo teto, objetivando reconciliações adiadas em passado longínquo… Por não encontrarem lares revestidos de suficiente amorosidade, capazes de assegurar o perdão libertador, esses espíritos dão margem ao surgimento das tendências animosas de outrora; reacendendo conflitos pregressos, com consequências imprevisíveis.
Igualmente, não se podem esquecer as influências espirituais negativas, que se aproveitam da falta de análise, vigilância e oração, apregoadas por Jesus, para maximizar a agressividade até o nível da delinquência, denunciando lamentável desconexão entre os membros da família e os espíritos guardiães, que em vão buscam tutelar seus pupilos em nome de Deus.

Alberto Almeida é médico homeopata, terapeuta de família e terapeuta transpessoal.

Transcrito da Folha Espírita de outubro de 2013

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Obsessões pelo prazer

Por Sérgio Luis da Silva Lopes
Psiquiatra e presidente da Associação Médico-Espírita de Pelotas (RS).

No senso comum, a ideia de prazer está diretamente associada à de felicidade, remontando aos séculos essa relação. Na ótica espírita prazer não é pecado, tampouco o Espiritismo utiliza o conceito de pecado.
O prazer é uma condição natural constitutiva do psiquismo e do organismo de várias espécies, inclusive a humana. No nível físico isso é evidente. Não fosse a satisfação sexual e talvez não estivéssemos aqui nesse instante, porque é o instinto que garante a reprodução das espécies. No entanto, a felicidade não é sinônimo de prazer, sendo este, inúmeras vezes, uma armadilha para a plena realização do indivíduo.

Em O Livro dos Espíritos, Kardec pergunta aos espíritos:
É a mesma a força que une os elementos da matéria nos corpos orgânicos e nos inorgânicos?
– Sim, a lei de atração é a mesma para todos.
Na visão espírita a sexualidade está inserida na “lei de atração”, que antecede aos corpos orgânicos, mas já presente desde o universo inorgânico. Dentro de uma visão evolutiva, a vida é regida por princípios únicos em que a sexualidade é a continuidade natural para um sistema de atração que regula a vida e os seres.
Lei natural do Universo serve à Lei de Amor, expressão última e máxima que anima a vida criada por Deus.

Perigo no excesso
O nosso cérebro físico apresenta estruturas relacionadas ao prazer. São os sítios orgânicos que têm por função básica garantir a sobrevivência da espécie, particularmente os circuitos de recompensa do cérebro contidos no sistema límbico, mais particularmente na via mesocorticolímbica. No entanto, esses mesmos circuitos, que fazem parte da estrutura normal do sistema nervoso, estão implicados no mecanismo das dependências químicas que envolvem a saturação desses sistemas de recompensa. Hoje sabe-se que todas as drogas de abuso atuam sobre a neurotransmissão dopaminérqica, mais especificamente sobre a via mesocorticolímbica, que se projeta da área tegumentar ventral (ATV) do mesencéfalo para o núcleo accumbens (NAcc) e para o córtex pré-frontal (CPF), que compõem o sistema de recompensa cerebral (SRC).
Vemos, com isso, que a mesma via da neurofisiologia do prazer, que em condições normais é natural e desejável, pode tornar-se perigosa se for acionada em excesso. A estimulação aumentada dessas vias promove um incremento da dopamina, neurotransmissor responsável pela sensação de prazer, e sua hiperestimulação promove uma subversão do sistema de recompensa. A consequência disso é que o prazer, que seria natural em condições comuns, é sentido como insuficiente no passar do tempo.
Não é apenas pelo uso de substâncias que o sistema cerebral de recompensa é subvertido, mas também por todos os estímulos exagerados que acentuam a sensação normal de satisfação, como é o caso do comer, do jogar, do comprar, do consumir e, naturalmente, da sexualidade. O mecanismo é o mesmo, envolve os mesmos circuitos cerebrais de recompensa e vai estabelecendo-se pela continuidade do estímulo. Na base desse processo existe o sentimento de insatisfação e carência afetiva, que são de natureza profunda ou existencial.
Quando o prazer comanda a vida da pessoa, ele pode ser perigoso e construtor de enfermidades. Não há como não ver que nos dias de hoje o ser humano tenha perdido a capacidade de ter prazer naturalmente. A mídia, o apelo dos valores narcísicos, a cultura do belo, do imediato e da satisfação a qualquer preço têm gerado nas pessoas a sensação de que falta sempre alguma coisa para a realização plena. A cultura religiosa do passado dizia que nascemos para sofrer e a cultura materialista da atualidade suscita que nascemos para ser felizes a qualquer custo. Isso é uma verdadeira doença porque geradora do sentimento de que está sempre faltando alguma coisa. À medida que estamos permanentemente estimulados a procurar mais prazer, construímos o sentimento de que, com o que temos ou somos, não é possível sermos felizes, ou seja, mantemos um sentimento de infelicidade continuada, em que o vazio existencial se apresenta na forma de diversas carências.

Sintonia para as obsessões
Consideramos que a obsessão dos nossos dias é a fascinação.
A partir do que até aqui analisamos, podemos depreender que a sociedade materialista na qual estamos inseridos cria o ambiente propício para o estabelecimento de sintonias mentais compatíveis ao prazer extremo e à fuga para a superficialidade. Como espíritas, sabemos que existe o concomitante espiritual nisso tudo. Vivemos num universo de sintonias. Se não estamos buscando o enriquecimento interior, inevitavelmente empobrecemos espiritualmente e conectamo-nos com mentes desencarnadas de mesma condição. São espíritos ainda muito ligados ao plano físico e às sensações, nada interessados em progredir espiritualmente, permanecendo ligados ao plano das sensações físicas.
Além desse grupo de espíritos, outros mais maquiavélicos inspiram a desordem da sociedade, a dissolução da família, em um bem urdido plano de ação desagregadora na qual, mentes ardilosas do plano espiritual inferior agem em regime de obsessão coletiva na propagação dos vícios e dos comportamentos sem que possam ser percebidos, porque se insinuam em hábitos que parecem ser naturais numa “sociedade moderna”. Enquanto o ser humano se distrai na busca da realização pelo prazer, perde tempo precioso em executar sua própria evolução, motivo principal da reencarnação. Essa cortina de ilusão é voluntariamente fomentada pela espiritualidade inferior que age conscientemente nesse propósito e, de maneira coletiva, inspira e estimula a festa dos sentidos.
Em O Livro dos Médiuns, no capítulo XXIII, Allan Kardec estuda as obsessões… Isto é, o domínio que alguns espíritos logram adquirir sobre certas pessoas.
Sobre esse assunto, Kardec divide o tema em três principais variedades, que são as obsessões simples, as fascinações e as subjugações. Queremos nos deter nas fascinações.
O médium fascinado não acredita que o estejam enganando: o espírito tem a arte dê lhe inspirar confiança cega, que o impede de ver o embuste e de compreender o absurdo do que escreve, ainda quando esse absurdo salte aos olhos de toda gente.
Não são apenas os médiuns ostensivos que estão sujeitos às obsessões, uma vez que todas as pessoas apresentam mediunidade em algum grau.
O grande risco nesse tipo de obsessão é que a pessoa não se dá conta que está obsedada. Na fascinação o indivíduo não se sente mal, ao contrário, sente-se poderoso e o senhor da verdade.
Está sujeito, dessa forma, às obsessões pelo prazer, que nascem no orgulho e na vaidade e na necessidade exagerada de reconhecimento e satisfação.
Para vivermos no mundo não são exigidas de nós posturas rígidas e nem estamos impedidos de participar da vida social, no entanto estamos sendo convidados sempre à disciplina e ao autoexame, a fim de permanecermos responsáveis por nós mesmos e não perder tempo com trivialidades. Na estrada do desenvolvimento espiritual e da ética não há atalhos. Por isso, na sociedade hedonista em que vivemos, vale a reflexão sobre os riscos do prazer. Conforme Paulo de Tarso. “Tudo posso, mas nem tudo me convém.”
(Coríntios, cap. 6 vers. 12)

Transcrito na Folha Espírita de Agosto de 2013.

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Retrato de mãe

Uma simples mulher existe que, pela imensidão de seu amor, tem um pouco de Deus;
E pela constância de sua dedicação, tem muito de anjo;
Que, sendo moça, pensa como uma anciã e, sendo velha, age com as forças todas da juventude.
Quando ignorante, melhor que qualquer sábio desvenda os segredos da vida, e, quando sábia, assume a simplicidade das crianças;
Pobre, sabe enriquecer-se com a felicidade dos que ama, e, rica, empobrece-se para que seu coração não sangre ferido pelos ingratos;
Forte, entretanto estremece ao choro de uma criancinha, e, fraca, entretanto se alteia com a bravura dos leões.
Viva, não lhe sabemos dar valor porque à sua sombra todas as dores se apagam, e, morta, tudo o que somos e tudo o que temos daríamos para vê-la de novo, e dela receber um aperto de seus braços, uma palavra de seus lábios.
Não exijam de mim que diga o nome dessa mulher, se não quiserem que ensope de lágrimas este álbum porque eu a vi passar no meu caminho.
Quando crescerem seus filhos leiam para eles esta página: eles lhe cobrirão de beijos a fronte; e dirão que um pobre viandante, em troca de suntuosa hospedagem recebida, aqui deixou para todos o retrato de sua própria mãe…

Dom Ramon Angel Yara, bispo de La Serena, Chile.
Tradução de Guilherme de Almeida.

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Oração do Pai Nosso

Pai nosso, que estais nos céus
Na luz dos sóis infinitos
Pai de todos o aflitos
Deste mundo de escarcéus.

Santificado, Senhor
Seja o teu nome sublime
Que em todo o universo exprime
Ternura, concórdia e amor.

Venha ao nosso coração
O teu reino de bondade
De paz e caridade
Na estrada da redenção.

Cumpra-se o teu mandamento
Que não vacila nem erra
No céu como em toda a terra
De luta e de sofrimento.

Evita-nos de todo o mal
Dá-nos o pão do caminho
Feito da luz e do carinho
Do pão espiritual.

Perdoa-nos, meu senhor
Os débitos tenebrosos
De antepassados escabrosos
De iniquidade e de dor.

Auxilia-nos também
Nos sentimentos cristãos
Amar aos nossos irmãos
Que vivem longe do bem.

Com a proteção de Jesus
Livra a nossa alma do erro
Neste mundo de desterro
Distante da tua luz.

Que a nossa ideal Igreja
Seja o altar da caridade
Onde se faça a vontade
Do teu amor… Assim Seja.

De D. Monsenhor José Silvério Orta
Falecido em Mariana – Minas Gerais.
Psicografada por Chico Xavier.

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