Vocação de Pedro André Tiago João e Mateus

8. Caminhando ao longo do mar da Galileia, Jesus viu dois irmãos, Simão, chamado Pedro, e André, seu irmão, que lançavam suas redes ao mar, pois que eram pescadores, e lhes disse: “Segui-me e eu farei de vós pescadores de homens.” — Logo eles deixaram suas redes e o seguiram.
Daí, continuando, Ele viu dois outros irmãos, Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu irmão, que estavam numa barca com Zebedeu, pai de ambos, os quais estavam a consertar suas redes, e os chamou. — Eles imediatamente deixaram as redes e o pai e o seguiram. (Mateus, 4: 18 a 22.)
Saindo dali, Jesus, ao passar, viu um homem sentado à banca dos impostos, chamado Mateus, ao qual disse: “Segue-me; e o homem logo se levantou e o seguiu.” (Mateus, 9: 9.)
9. Estes fatos nada apresentam de surpreendente para quem conheça o poder da dupla vista e a causa, muito natural, dessa faculdade. Jesus a possuía em grau supremo e pode-se dizer que ela constituía o seu estado normal, conforme o atesta grande número de atos da sua vida e o que explicam hoje os fenômenos magnéticos e o Espiritismo.
A pesca qualificada de miraculosa igualmente se explica pela dupla vista. Jesus não produziu peixes de modo espontâneo onde não os havia; Ele viu, com a vista da alma, como teria podido fazê-lo um lúcido vígil, o lugar onde se achavam os peixes e disse com segurança aos pescadores que lançassem ali suas redes.
A acuidade do pensamento e, por conseguinte, certas previsões, são consequência da vista espiritual. Quando Jesus chama a si Pedro, André, Tiago, João e Mateus, é que já lhes conhecia as disposições íntimas e sabia que eles o acompanhariam e que eram capazes de desempenhar a missão que planejava confiar-lhes. Era preciso que eles próprios tivessem intuição da missão que desempenhariam para, sem hesitação, atenderem ao chamamento de Jesus. O mesmo se deu quando, por ocasião da ceia, Ele anunciou que um dos doze o trairia e o apontou, dizendo ser aquele que punha a mão no prato, e também quando predisse que Pedro o negaria.
Em muitas passagens do Evangelho se lê: “Mas Jesus, conhecendo-lhes os pensamentos, lhes diz…” Ora, como poderia Ele conhecer o pensamento de seus interlocutores, senão pelas irradiações fluídicas desses pensamentos e, ao mesmo tempo, pela visão espiritual que lhe permitia ler-lhes no foro íntimo?
Muitas vezes, supondo que um pensamento se acha sepultado nos refolhos da alma, o homem não suspeita que traz em si um espelho em que se reflete aquele pensamento, um revelador na sua própria irradiação fluídica, impregnada dele. Se víssemos o mecanismo do mundo invisível que nos cerca, as ramificações dos fios condutores do pensamento, a ligarem todos os seres inteligentes, corporais e incorpóreos, os eflúvios fluídicos carregados das marcas do mundo moral, os quais, como correntes aéreas, atravessam o espaço, ficaríamos muito menos surpreendidos diante de certos efeitos que a ignorância atribui ao acaso. (Cap. XIV, itens 15, 22 e seguintes.)

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