Porque os Espíritas não se preocupam com a morte?

10 — A doutrina espírita muda completamente a maneira de ver-se o futuro. A vida futura não é mais uma hipótese, mas uma realidade. A situação das almas após a morte não se explica por meio de um sistema, mas com o resultado da observação. O véu é levantado. O mundo espiritual nos aparece em toda a sua realidade viva. Não foram os homens que o descobriram através de uma concepção engenhosa, mas os próprios habitantes desse mundo que nos vieram descrever a sua situação.
Vemo-los ali em todos os graus da escala espiritual, em todas as fases da ventura e da desgraça; assistimos a todas as peripécias da vida de além-túmulo. Está nisso a causa da seriedade com que os espíritas encaram a morte, da calma dos seus derradeiros instantes na Terra. O que os sustenta não é somente a esperança, mas a certeza. Sabem que a vida futura não é mais do que a continuação da vida presente em melhores condições, e esperam com a mesma confiança com que aguardam o nascimento do sol depois de uma noite tempestuosa. Os motivos desta confiança estão nos fatos que testemunharam e na concordância desses fatos com a lógica, com a justiça e a bondade de Deus e com as aspirações mais profundas do homem.
Para os espíritas a alma não é mais uma abstração. Ela possui um corpo etéreo que a torna um ser definido, que podemos conceber pelo pensamento. Isso é o suficiente para nos esclarecer quanto à sua individualidade, suas aptidões e suas percepções. A lembrança daqueles que nos são caros repousa, assim, sobre algo real. Não os representamos mais como chamas fugitivas que nada dizem ao nosso pensamento, mas como formas concretas que no-los apresentam melhor como seres vivos.
Além disso, em lugar de estarem perdidos nas profundezas do espaço, estão ao nosso redor: o mundo corpóreo e o mundo espiritual estão em constantes relações e mutuamente se assistem. A dúvida sobre o futuro já não tendo mais lugar, a preocupação com a morte deixa de ter razão. Esperamo-la tranquilamente, como uma libertação, como a porta da vida e não como a do nada.
(11) – A ideia de que as almas dos mortos se tornam chamas fugitivas penetrou fundamente na consciência coletiva dos povos. Vemos a sua sobrevivência até mesmo em pessoas esclarecidas que se tornam espíritas. Nas atas das sessões que realizava, por ele mesmo redigidas, o escritor Monteiro Lobato refere-se constantemente aos espíritos como gases, chamas flutuantes, etc., o que levava alguns dos comunicantes a endossarem a concepção. Um deles lhe respondeu:
Sou agora uma chamazinha errante, referindo-se à sua própria morte; Lobato escreveu que passaria do estado sólido ao gasoso. O Espiritismo nos mostra que a situação do homem após a morte é muito diferente disso. Conservando o corpo espiritual (de que tão precisamente trata o apóstolo Paulo em l Coríntios) o espírito desencarnado conserva até mesmo a forma corporal, as características físicas que o distinguem na vida terrena, e pode assim identificar-se em suas manifestações pela vidência, pelos fenômenos de aparição e pelos de materialização. Isso permite, ainda — o que estranha às pessoas que desconhecem o problema — que o espírito se identifique pela sua própria voz nos fenômenos de audição mediúnica ou de comunicação por voz direta. Para melhor compreensão deste problema leia-se o livro de H. Dennis Bradiey: Rumo às Estrelas, tradução de Monteiro Lobato, reeditado pela Editora LAKE. As teorias de Johannes são puramente pessoais e não têm valor doutrinário. O que importa nesse livro é a descrição das sessões de voz direta e a prova da sobrevivência espiritual.
(N. do T.)

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