A 2ª viagem de Paulo de Tarso

Chegados ao destino, Paulo expôs o propósito de voltar às comunidades cristãs já fundadas, estendendo a excursão evangélica por outras regiões onde o Cristianismo não fosse conhecido. Ficou estabelecido que Barnabé partiria para Chipre, em companhia de João Marcos e ele iria com Silas, internando-se pelo Tauro, e a igreja de Antioquia ficaria com a cooperação de Barsabás e Tito.
Dentro de breves dias, a caminho de Chipre, onde serviria a Jesus até que partisse, mais tarde, para Roma, Barnabé foi com o sobrinho para Selêucia, depois de se abraçarem, ele e Paulo, como dois irmãos muito amados, que o Mestre chamava a diferentes destinos.
Em companhia de Silas, que se harmonizara com as suas aspirações de trabalho, o ex-rabino partiu de Antioquia, internando-se pelas montanhas e atingindo sua cidade natal, depois de enormes dificuldades.
Na cidade de seu berço, mais senhor das convicções próprias, o tecelão que se consagrara a Jesus, espalhou a mancheias os júbilos do Evangelho da Redenção.
Depois de breve permanência na capital da Cilícia, Paulo e Silas procuraram alcançar os cumes do Tauro, empreendendo nova etapa da rude peregrinação em começo.
Cheios de confiança ativa, chegaram a Derbe, onde o ex-rabino abraçou, comovidamente, os amigos que ali chegara a fazer, após a dolorosa convalescença, quando da primeira excursão.
Cheio de júbilo, após o término de suas tarefas naquela cidade pequenina, o ex-rabino demandou Listra, com ansiedade carinhosa.
Loide o recebeu, bem como a Silas, com a mesma satisfação da primeira vez. Todos queriam notícias de Barnabé, que Paulo não deixava de fornecer, solícito e prazenteiro.
Aproveitando sua passagem por Listra, a bondosa Loide confidenciou-lhe suas necessidades particulares. Ela e Eunice tinham parentes na Grécia, por parte do pai de seu neto, os quais lhes reclamavam a presença pessoal, a fim de que não faltassem com os socorros afetuosos. Os recursos que lhes restavam, em Listra, estavam prestes a esgotar-se. Por outro lado, desejava que Timóteo se consagrasse ao serviço de Jesus, iluminando o coração e a inteligência.
Paulo acedeu de bom grado. Aceitaria a cooperação de Timóteo com sincero prazer. O rapaz, a seu turno, conhecendo a decisão, não sabia como traduzir seu profundo reconhecimento, com transportes de alegria.
Daí a dias, despedindo-se dos irmãos e das generosas mulheres, que ficavam a chorar, com votos de paz em Deus, os missionários demandaram Icônio, cheios de coragem indômita e do firme propósito de servir a Jesus.
No espírito amoroso, de pregação e fraternidade, dilatando o poder do Evangelho redentor sobre as almas, os discípulos visitaram todas as pequeninas aldeias da Galácia, demorando-se algum tempo em Antioquia de Pisídia, onde trabalharam, de algum modo, para se manterem a si mesmos.
Os emissários da Boa Nova atravessaram a Frigia e a Galácia sem perseguições de grande envergadura.
O nome de Jesus era, agora, pronunciado com mais respeito.
O ex-rabino continuava em franca atividade para a difusão do Evangelho na Ásia, quando, uma noite, após as preces habituais, ouviu uma voz que lhe dizia com amoroso acento:
–Paulo, sigamos adiante!… Levemos a luz do céu a outras sombras; outros irmãos te esperam no caminho infinito!… Era Estevão, o amigo de todos os minutos, que, representando o Mestre Divino junto do Apóstolo dos gentios, o concitava à semeadura noutros rumos.
O valoroso emissário das verdades eternas compreendeu que o Senhor lhe reservava novos campos a desbravar. No dia seguinte, informando Silas e Timóteo, do sucedido, concluía inspirado:
–Tenho, assim, que o Mestre me chama a novas tarefas. É justo. Aliás, reconheço que estas regiões já receberam a semente divina. Decorrida uma semana, lá se foram a pé, procurando a Mísia. E, contudo, intuitivamente, Paulo percebeu que não seria ainda ali o novo campo de operações. Pensou em se dirigir para a Bitínia, mas a voz, que o generoso Apóstolo interpretava como sendo a do “Espírito de Jesus”, sugeriu-lhe a alteração do trajeto, induzindo-os a descer para Tróade. Chegados ao local do destino, acolheram-se, cansadíssimos, numa hospedaria modesta. E Paulo, numa visão significativa do espírito, viu um homem da Macedônia, que identificou pelo vestuário característico, a acenar-lhe ansiosamente, exclamando: – “Vem e ajuda-nos”! O ex-doutor interpretou o fato como ordenação de Jesus, a respeito de seus novos encargos. Cientificou os companheiros, logo de manhã, não sem ponderar a extrema dificuldade da viagem por mar, baldo que estava de recursos. – Entretanto, concluía, creio que o Mestre lá nos facultará o necessário. Silas e Timóteo calaram-se, respeitosos.
Saindo à rua cheia de sol, pela manhã, eis que o Apóstolo fixa o olhar numa casa de comércio e para lá se dirige com ansiosa alegria. Era Lucas que parecia fazer compras.
O ex-rabino aproximou-se, com os discípulos, e bateu-lhe, carinhosamente, no ombro:
– Por aqui? – disse Paulo com grande sorriso. Abraçaram-se alegremente. O pregador do Evangelho apresentou ao médico os novos companheiros, falando-lhe dos objetivos de sua excursão por aquelas paragens. Lucas, a seu turno, explicou que, havia dois anos, era encarregado dos serviços médicos, a bordo de grande embarcação ali ancorada, em trânsito para Samotrácia.
Paulo recebeu a informação com profundo interesse. Muito impressionado com o encontro, deu-lhe a conhecer a revelação auditiva do roteiro, bem como a vidência da véspera. E, convicto da assistência do Mestre, naquele instante, falava com segurança:
– Estou certo de que o Senhor nas envia os recursos necessários na tua pessoa. Precisamos transportar-nos à Macedônia, mas estamos sem dinheiro. – Quanto a isso, respondeu Lucas, com franqueza, não te preocupes. Se não tenho fortuna, tenho vencimentos. Seremos companheiros de viagem e tudo pagarei com muita satisfação. A palestra prosseguiu animada, relatando o antigo hóspede de Antioquia, as suas conquistas para Jesus. Quando contou que estava só no mundo, com a partida da genitora para a esfera espiritual, Paulo convidou-o para cooperar na evangelização da Macedônia.
No dia seguinte, a missão navegava para a Samotrácia. A bordo, como fazia em toda parte, Paulo aproveitou todos os ensejos para a pregação.
Desembarcados, os missionários, enriquecidos com cooperação de Lucas, descansaram dois dias em Neapólis, dirigindo-se em seguida para Filipes. Quase às portas da cidade, Paulo sugeriu que Lucas e Timóteo se dirigissem, por outros caminhos, para Tessalonica, onde os quatros se reuniriam, mais tarde.
Filipes não possuía uma sinagoga e o santuário destinado às preces, embora tomasse o título de “casa”, não era mais que um recanto ameno da natureza, rodeado de muros em ruínas. Muito surpreendidos, entretanto, os missionários não encontraram senão mulheres e meninas em oração. Uma delas, chamada Lídia, viúva digna e generosa, aproximou-se dos missionários e, confessando-se convertida ao Salvador esperado, oferecia-lhes a própria casa para fundarem a nova igreja. Desde aquele minuto, travou-se entre Paulo e sua carinhosa igreja de Filipes a mais formosa amizade. Em seguida, rumou para Tessalonica, escalando em todos os recantos onde houvesse sítios ou aldeias à espera de notícias do Salvador.
Nesse novo centro de lutas, os trabalhos seguiram ativíssimos. Em toda parte, os mesmos choques, judeus preconceituosos, homens de má fé, ingratos e indiferentes, conluiavam-se contra o ex-doutor de Jerusalém e seus devotados companheiros.
Depois de incontáveis atritos com os judeus, em Tessalonica, o ex-rabino resolveu transferir-se para Bereia. Novos labores, novas dedicações e novos martírios. Os trabalhos missionários, iniciados sempre em paz, continuavam debaixo de lutas extremas.
Os judeus rigorosos, de Tessalonica, não faltaram em Bereia. A cidade movimentou-se contra os discípulos do Evangelho, os ânimos exaltaram-se. Lucas, Timóteo e Silas foram obrigados a afastar-se, perambulando pelas aldeias circunvizinhas. Paulo foi preso e açoitado. À custa de grandes sacrifícios dos simpatizantes de Jesus, deram-lhe liberdade, com a condição de retirar-se dentro do menor prazo possível.
Era noite, quando os irmãos de ideal conseguiram trazê-lo do cárcere para a via pública. O Apóstolo dos gentios procurou informar-se sobre os companheiros e soube das vicissitudes que os assoberbavam. Lembrou que Silas e Lucas estavam doentes, que Timóteo necessitava encontrar-se com a sua mãe no porto de Corinto. Era melhor proporcionar aos amigos uma trégua no vórtice das atividades renovadoras. Não seria justo requisitar-lhes a cooperação, quando ele próprio experimentava a necessidade de repouso.

Decepção em Atenas.
Foi aí que Paulo deliberou por em prática um velho plano. Visitaria Atenas, satisfazendo um velho ideal. Penetrou na cidade possuído de grande emoção. Atenas ainda ostentava numerosas belezas exteriores. Cheio de bom ânimo, resolveu pregar na praça pública, na tarde deste mesmo dia. Ansiava por defrontar o espírito Ateniense, tal como já defrontara as grandezas materiais da cidade.
Seu esforço, no entanto, foi seguido de penoso insucesso. Inúmeras pessoas aproximaram-se no primeiro momento; mas, quando lhe ouviram as referências a Jesus e à ressurreição, grande parte dos assistentes rompeu em gargalhadas de irritante ironia.
No Areópago, os mais irônicos deixavam o recinto com gargalhadas sarcásticas, enquanto os mais comedidos, em consideração a Dionísio, aproximavam-se do Apóstolo com sorrisos intraduzíveis, declarando que o ouviriam de bom grado por outra vez, quando não se desse ao luxo de comentar assuntos de ficção.
Paulo despediu-se com serenidade, mas, tão logo se viu só, chorou copiosamente. Não pode compreender, imediatamente, que Atenas padecia de seculares intoxicações intelectuais, e, supondo-se desamparado pelas energias do plano superior, o ex-rabino deu expansão a terrível desalento.
Por muitos dias, não conseguiu desfazer a nuvem de preocupações que lhe ensombrou a alma. Todavia, encomendava-se a Jesus e suplicava-lhe proteção para os grandes deveres da sua vida.
Nesse bulcão de incertezas e amarguras, surgiu o socorro do Mestre ao Apóstolo bem-amado. Timóteo chegara de Corinto, carregado de boas notícias.
O neto de Loide trazia, ao ex-rabino, muitas novidades confortadoras. Já havia instalado as duas senhoras na cidade, era portador de alguns recursos e falou-lhe do desenvolvimento da doutrina cristã, na velha capital da Acaia. Uma notícia lhe foi, sobretudo, particularmente grata. É que Timóteo mencionava o encontro com Áquila e Prisca. Aquelas duas criaturas, que se lhe fizeram solidárias nas dificuldades extremas do deserto, trabalhavam, agora, em Corinto pela glória do Senhor.
O valoroso pregador saía de Atenas assaz abatido. O insucesso, em face da cultura grega, compelia-lhe o espírito indagador aos mais torturantes raciocínios.
Timóteo notou-lhe a tristeza singular e debalde procurou convencê-lo da conveniência de seguir por mar, em vista das dificuldades no Pireu. Ele fez questão de ir a pé, visitando os sítios isolados no percurso. Assim, venceram mais de sessenta quilômetros, com alguns dias de marcha e intervalos de prédicas. Nessa tarefa entre gente simples, Paulo de Tarso sentia-se mais feliz. Os homens do campo receberam a Boa Nova com maior alegria e compreensão. Pequenas igrejas domésticas foram fundadas, não longe do golfo de Saron.
Enlevado pelas recordações cariciosas de Abigail, atravessou o istmo e penetrou na cidade, movimentada e rumorosa. Abraçou Loide e Eunice numa casinha do porto de Cencreia, e logo procurou avistar-se com os velhos amigos do “oásis de Dan”. Paulo entregou-se, de corpo e alma, ao serviço rude. O labor ativo das mãos proporcionava-lhe brando esquecimento de Atenas. Compreendendo a necessidade de um período de calma, induzira Lucas a descansar em Tróade, já que Timóteo e Silas haviam encontrado trabalho como caravaneiros.
Antes, porém, de retomar as pregações começaram a chegar a Corinto, emissários de Tessalonica, de Bereia e outros pontos da Macedônia, onde fundara suas bem amadas igrejas. Sentindo-se em dificuldades para tudo atender com a presteza devida, chamou novamente Silas e Timóteo para a cooperação indispensável.
Confortado pelo concurso dos amigos, Paulo falou, pela primeira vez, na sinagoga. Sua palavra vibrante logrou êxito extraordinário. O tecelão foi convidado a prosseguir nos comentários religiosos, semanalmente. Mas tão logo começou a abordar as relações existentes entre a Lei e o Evangelho, repontaram atritos. Um dia, quando o verbo inflamado e sincero do Apóstolo zurzia os erros farisaicos, com veemência, um dos chefes principais da sinagoga intima-o com aspereza.
– Cala-te, palrador impudente! A sinagoga tem tolerado teus embustes por verdadeiros prodígios de paciência, mas, em nome da maioria, ordeno que te retires para sempre! Não queremos saber do teu Salvador, exterminado como os cães da cruz! Ouvindo expressões tão desrespeitosas ao Cristo, o Apóstolo sentiu os olhos úmidos. Refletiu maduramente na situação e replicou:
– Até agora, em Corinto, procurei dizer a verdade ao povo escolhido por Deus para o sagrado depósito da unidade divina, mas, se não a aceitais desde hoje, procurarei os gentios!… Caiam sobre vós mesmos as injustas maldições lançadas sobre o nome de Jesus Cristo!… Alguns israelitas mais exaltados quiseram agredi-lo, provocando tumulto. Mas um romano de nome Tito Justo, presente na assembléia, e, que desde a primeira pregação, sentira-se fortemente atraído pela poderosa personalidade do Apóstolo, aproximou-se e estendeu-lhe os braços de amigo. Paulo pode sair incólume do recinto, encaminhando-se para a residência do benfeitor, que pôs à sua disposição todos os elementos imprescindíveis à organização de uma igreja.
O tecelão estava jubiloso. Era a primeira conquista para uma fundação definitiva.
Tito Justo, com auxílio de todos os simpatizantes do Evangelho, adquiriu uma casa para início dos serviços religiosos. Áquila e Prisca foram os principais colaboradores, além de Loide e Eunice, para que se executassem os programas traçados por Paulo, de acordo com a querida organização de Antioquia.
Com a presença de Paulo, a igreja de Corinto adquiria singular importância e quase diariamente chegavam emissários das regiões mais afastadas. Eram portadores da Galácia a pedirem providências para as igrejas de Pisídia; companheiros de Icônio, de Listra, de Tessalonica, de Chipre, de Jerusalém. Em torno do Apóstolo formou-se um pequeno colégio de seguidores, de companheiros permanentes, que com ele cooperavam nos mínimos trabalhos. Paulo, entretanto, preocupava-se intensamente. Os assuntos eram urgentes quão variados. Não podia olvidar o trabalho de sua manutenção; assumira compromissos pesados com os irmãos de Corinto; devia estar atento à coleta destinada a Jerusalém; não podia desprezar as comunidades anteriormente fundadas. Aos poucos, compreendeu que não bastava enviar emissários. Os pedidos choviam de todos os sítios por onde perambulara, levando as alvíssaras da Boa Nova. Os irmãos, carinhosos e confiantes, contavam com a sua sinceridade e dedicação, compelindo-o a lutar intensamente.
Sentindo-se incapaz de atender a todas as necessidades ao mesmo tempo, o abnegado discípulo do Evangelho, valendo-se, um dia, do silêncio da noite, quando a igreja se encontrava deserta, rogou a Jesus, com lágrimas nos olhos, não lhe faltasse com os socorros necessários ao cumprimento integral da tarefa.
Terminada a oração, sentiu-se envolvido em branda claridade. Teve a impressão nítida de que recebia a visita do Senhor. Genuflexo, experimentando indizível comoção, ouviu uma advertência serena e carinhosa:
– Não temas, – dizia a voz –, prossegue ensinando a verdade e não te cales, porque estou contigo. O Apóstolo deu curso às lagrimas que lhe fluíam do coração. Aquele cuidado amoroso de Jesus, aquela exortação em resposta ao seu apelo, penetravam-lhe a alma em ondas cariciosas. A alegria do momento dava para compensar todas as dores e padecimentos do cominho. Desejoso de aproveitar a sagrada inspiração do momento que fugia, pensou nas dificuldades para atender às várias igrejas fraternas. Tanto bastou para que a voz dulcíssima continuasse: – Não te atormentes com as necessidades do serviço. É natural que não possas assistir pessoalmente a todos, ao mesmo tempo. Mas é possível a todos satisfazeres, simultaneamente, pelo poderes do espírito. Procurou atinar com o sentido justo da frase, mas teve dificuldade íntima de o conseguir.
Entretanto, a voz prosseguia com brandura:
– Poderás resolver o problema escrevendo a todos os irmãos em meu nome; os de boa vontade saberão compreender, porque o valor da tarefa não está na presença pessoal do missionário, mas no conteúdo espiritual do seu verbo, da sua exemplificação e da sua vida. Doravante, Estevão permanecerá mais conchegado a ti, transmitindo-te meus pensamentos, e o trabalho de evangelização poderá ampliar-se em beneficio dos sofrimentos e das necessidades do mundo. O dedicado amigo dos gentios viu que a luz se extinguira; o silêncio voltara a reinar entre as paredes singelas da igreja de Corinto; mas, como se houvera sorvido a água divina das claridades eternas, conservava o Espírito mergulhado em júbilo intraduzível. Recomeçaria o labor com mais afinco, mandaria às comunidades mais distantes as notícias do Cristo.
De fato, logo no dia seguinte, chegaram portadores de Tessalonica com notícias desagradabilíssimas. Os judeus haviam conseguido despertar, na igreja, novas e estranhas dúvidas e contendas. Timóteo corroborava com observações pessoais. Reclamavam a presença do Apóstolo com urgência, mas este deliberou por em prática o alvitre do Mestre, e, recordando que Jesus lhe prometera associar Estevão à divina tarefa, julgou não dever atuar por si só e chamou Timóteo e Silas para redigir a primeira de suas famosas epístolas.
E Paulo continuou a escrever sempre, ignorando, contudo, que aqueles documentos sublimes, escritos, muitas vezes, em hora de angústias extremas, não se destinavam a uma igreja particular, mas à cristandade universal.
Após um ano e meio de permanência em Corinto, o Apóstolo, reunindo a comunidade do Evangelho, declarou que desejava partir para a Ásia, a fim de atender a insistentes chamadas de João, na fundação definitiva da igreja de Éfeso.
Dentro de um mês, partiu em demanda de Éfeso, levando consigo Áquila e a esposa, que se dispuseram a acompanhá-lo.
João lutava seriamente para que o esforço evangélico não degenerasse em polêmicas estéreis. Mas os tecelões chegados de Corinto deram-lhe mão forte na cooperação imprescindível.
Em meio das acaloradas discussões que houve de manter com os judeus, na sinagoga, o ex-rabino não olvidou certas realizações sentimentais, que almejava desde muito. Com delicadeza extrema, visitou a Mãe de Jesus na sua casinha singela, que dava para o mar. Impressionou-se fortemente com a humildade daquela criatura simples e amorosa, que mais se assemelhava a um anjo vestido de mulher. Paulo de Tarso interessou-se pelas suas narrativas cariciosas, a respeito da noite do nascimento do Mestre, gravou no íntimo, suas divinas impressões e prometeu voltar na primeira oportunidade, a fim de recolher os dados indispensáveis ao Evangelho que pretendia escrever para os cristãos do futuro. Maria colocou-se a disposição, com grande alegria.
O Apóstolo, entretanto, depois de cooperar algum tempo na consolidação da igreja, considerando que Áquila e Prisca se encontravam bem instalados e satisfeitos, resolveu partir para Jerusalém, alegando que precisa levar a Simão Pedro o fruto da coleta de anos consecutivos, nos lugares que percorrera.
Como já se encontrassem, novamente a seu lado, Silas e Timóteo fizeram-lhe companhia nessa nova excursão.

A terceira viagem

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