O primeiro selo

CAPÍTULO VI

“E vi quando o Cordeiro abriu um dos sete selos, e ouvi uma das quatro criaturas viventes dizendo, como em voz de trovão: Vem. Olhei, e eis um cavalo-branco, e o que estava montado sobre ele tinha um arco; e foi-lhe dada uma coroa, e ele saiu vencendo e para vencer”. – Apocalipse, VI, 1 e 2
A abertura do “primeiro selo” representa uma data grandiosa para a Terra, com o RENASCIMENTO do Cristianismo. E o aparecimento do Espiritismo, (2) sistematizado judiciosamente por Allan Kardec em suas obras fundamentais: “O Livro dos Espíritos”, “O Livro dos Médiuns”, “O Céu e o Inferno”, “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, “A Gênese”, e
“Obras Póstumas”.
(2) – São João, XIV, 15, 16, 17 e 26. XV, 26 e 27. XVI, 12, 13 e 14.
O cavaleiro que “trazia um arco”, e a quem foi dada uma coroa e “saiu vencendo e para vencer”, não pode ser outra personagem. E inegável que Allan Kardec “saiu vencendo”, pois as edições e reedições de suas obras, traduzidas em todas as línguas e espalhadas por todo o mundo, são provas concludentes da “sua vitória”. Os milhões de espíritas que, em toda a parte, procuram apresentar ao mundo o Cristianismo renascido, autêntico e belo, e o progresso, verdadeiramente maravilhoso que assinala as ideias espíritas, o atestam.
Não há, com efeito, na História, exemplo de outra doutrina que, em tão curto prazo, contasse tantos adeptos e se impusesse à sabedoria dos sábios, como esta que constitui o maior acontecimento do século 19.
Entretanto, Allan Kardec não concluiu a sua tarefa, e voltará para completar a sua obra (1) e, portanto, para vencer.
(1) – Obras Póstumas, 5a. edição portuguesa, pág. 261 e 269.

O SEGUNDO SELO

As nações, assim como as sociedades e os indivíduos, têm a sua liberdade de ação, donde resulta o mérito ou o demérito de cada qual.
Grande é a “liberdade individual”, maior é a das sociedades, e ainda mais ampla, é a das nações, e todos nós para o futuro só colheremos os frutos das sementes que plantarmos bons, quando estas são boas, e maus, quando forem más. Não existem nos “arquivos celestiais” livros que registrem antecipadamente os destinos dos indivíduos, das sociedades, das nações, mas, sim, “livros em branco onde se vão escrevendo os feitos dos indivíduos e da coletividade”, visto que há a liberdade individual e a coletiva. Mas, assim como nós podemos prever, da árvore que hoje nasce, o tempo da frutificação, a qualidade dos seus frutos, igualmente os Espíritos de grande elevação, para quem o TEMPO e o ESPAÇO não são medidos pelo metro e pelo pêndulo, podem remontar às profundezas do passado ou fazer com que seus olhares perscrutadores se estendam a uma parcela considerável do futuro, que os olhares humanos não podem abranger.
No caso de que tratamos, do Apocalipse, em que são abertos os “selos” do grandioso “Livro do Futuro”, nós já vimos que, apesar de tantos eleitos haver nas Regiões da Luz, só UM conseguiu reunir todos os atributos dos sete Espíritos, para poder chegar ao ponto culminante da HISTÓRIA DO MUNDO, que marcará o REINADO DE DEUS NA TERRA.
Em cada Espírito se assinala o DOM DA PREVISÃO; uns têm-no em pequena escala, outros em maior, de acordo sempre com a sua elevação moral e capacidade científica; mas para ver o que se acha descrito no Apocalipse, e foi transmitido ao Médium Extático desterrado em Patmos, eram precisos “SETE OLHOS”, que só AQUELE QUE VENCEU TODOS OS OBSTÁCULOS possuía, para “romper os sete selos” (1).
(1) – Apocalipse, V, 2 e 6.
Estas considerações deviam preceder a abertura do segundo selo, para que se não nos atribua a crença num “Deus Vingativo”, que tem às suas ordens “Espíritos do Mal”, a quem manda produzir a morte, a peste, a fome. Cremos que existem “instrumentos” que, no uso de sua liberdade, podem produzir o mal, assim como há missionários para o Bem. Cada um responderá pelos seus feitos. O mesmo Apocalipse, na parte referente ao Juízo, diz: “cada um foi julgado segundo SUAS OBRAS”
(2) – Apocalipse XX, 12.
Vamos, agora, à interpretação do exposto no “segundo selo”:
“Saiu outro cavalo, VERMELHO, e ao que estava montado nele foi-lhe dado que tirasse da Terra a paz, e para que os homens se matassem uns aos outros, e foi-lhe entregue uma grande espada.
Não é preciso ter o dom de discernimento muito apurado para ver o Imperador da Alemanha, o Kaiser encarnando a personagem referida pelo profeta.
O trecho que se leu está em relação com o SERMÃO PROFÉTICO, (1) que descreve, com precisão matemática, tudo o que o mundo tem passado nestes últimos 19 séculos e o que vai passar para a realização do REINADO CRISTÃO na Terra.
(1) – S. Mateus XXIV.
Ainda uma consideração, acerca do último trecho do cap. VI do Apocalipse, versículo 4: “E foi-lhe entregue uma grande espada”.
Foi entregue por quem? – perguntará o leitor. Por todos aqueles, respondemos, que desviados dos preceitos evangélicos concorreram para a ereção da FORÇA contra o DIREITO.
TERCEIRO, QUARTO, QUINTO E SEXTO SELOS
Aberto o terceiro selo, aparece um cavalo PRETO e um cavaleiro que trazia uma balança na mão; é o COMERCIALISMO ganancioso, uma das grandes causas das tormentas por que passa o mundo. “Uma voz diz: uma medida de trigo por um dinheiro, três medidas de cevada por um dinheiro”: (1) – é a FOME.
(1) – Medida de um litro.
Ninguém ignora que a fome faz milhares de vítimas na Europa, na Ásia, na África, e já vem chegando à América. A carestia é a nota do dia e será a causa das revoluções intestinas de amanhã.
Ao abrir o quarto selo, João vê um cavalo AMARELO e, montado sobre ele, a MORTE; o Hades o seguia; “Foi-lhe dado poder sobre a quarta parte da Terra, para matar com a espada, com a fome, com a peste e pelas feras da Terra”. Esses grandes flagelos que açoitam a humanidade são consequências do rebaixamento do caráter. O cavalo AMARELO representa o desespero e a repulsa de tudo o que é santo, divino e verdadeiro e o declínio da humanidade para a animalidade, entregando-se, assim, à morte. O cavalo AMARELO encarna todos os “orientadores do povo” que criaram a falsa Política, a falsa Ciência e a falsa Religião.
A abertura do quinto selo aparece um início bem acentuado da DIFUSÃO ESPIRITUAL. (1) Os Espíritos dos mártires, os que trabalharam pela realização do Ideal Cristão se esforçam por uma
RESSURREIÇÃO visível e tangível, no mundo, mas recomenda-se-lhes que “esperem um pouco até que seja completado o número dos co-servidores e irmãos”.
(1) – Joel II, 28 a 32; Atos dos Apóstolos II, 14 a 21 e 39; 1º. Aos Coríntios XII, 4 a 11; XIV.
Na página “selada com o sexto selo” se veem caracterizados os fenômenos sísmicos, os cataclismos pelos quais o mundo tem ultimamente passado, e por que ainda há de passar. Os terremotos, as inundações, os maremotos últimos, que tantas vítimas já têm feito, não são estranhos a essas previsões que assinalam o fim do capítulo VI do Apocalipse.
“As estrelas caindo do céu, como caem os figos de uma figueira agitada pelo vento” (2) – nos parecem bem uma manifestação ostensiva de Espíritos orientados por Jesus, para a implantação da Fé nos corações. E, com essas manifestações, os grandes e poderosos, os infratores da Lei começarão a fugir espavoridos; e, fustigados pelo remorso, serão abatidos dos falsos tronos que construíram para sua própria perdição. Eles não quiseram compreender o DEUS DE AMOR, e ficarão aterrorizados diante da Luz que os ofuscará.
(2) – Apocalipse VI, 12 a 17.

AINDA O SEXTO SELO

Fenômenos Psíquicos – Começo da Espiritualização. Neste capítulo ainda está incluída parte dos fatos arquivados sob o “sexto selo”: – fenômenos atmosféricos, que prejudicarão as plantações, – quem sabe se uma grande seca? – mas que talvez não perdure a ponto de o prejuízo ser total, devido à intervenção de um ESPÍRITO SUPERIOR, (1) para que sejam primeiro “marcados” os servidores do CORDEIRO, (2) escolhidos “cento e quarenta e quatro mil”, de todas as partes do mundo, de todas as raças, representadas nas DOZE TRIBOS DE ISRAEL. (3).
(1) – Apocalipse, VII, 1.
(2) – Apocalipse, VII, 4 a 8.
(3) – Apocalipse, VII, 9 a 17.
No versículo 9, começa a grande espiritualização, confirmada pelas “comunicações espíritas”, dadas em todos os países. E, aos cristãos porque estão PASTOREADOS pelo BOM PASTOR, Deus enxugará toda a lágrima dos seus olhos, e eles beberão nas fontes da ÁGUA DA VIDA. (4) – Apocalipse, VII, 17.

Por Cairbar SchutelPrimeira edição deste livro ocorreu no dia 21 de setembro de 1918.

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