O início da besta

CAPÍTULO XI

O dom do discernimento. As duas testemunhas e o espírito da profecia o cap. XI, que parece conter um resumo preparatório – os prolegômenos do livro que pelo “anjo foi entregue ao vidente”, – inicia a história da BESTA, bem caracterizada, como se vai ver, no capítulo XIII.
Depois de ter sido dada ao profeta a vara para medir o “templo de Deus, o altar e os que nele adoram” – medida essa que não pode ser outra que o dom do discernimento, (1) – aparecem, ao lado dos “gentios, que pisam a CIDADE SANTA, por quarenta e dois meses”, as duas testemunhas que, como sinal de protesto contra a falsa religiosidade, haviam de profetizar (com sacrifício) por mil duzentos e sessenta dias”.
(1) – lª aos Coríntios, XII, 10.
“Estas são as duas oliveiras e os dois candeeiros postos diante do Senhor da Terra”, (2) disse o anjo.
(2) – Apocalipse, XI, 4.
Entendemos por duas oliveiras, os dois Espíritos encarregados, um do ministério da Lei, outro do ministério dos profetas; (1) – e os candeeiros serão, talvez, os médiuns, através dos quais eles se manifestam. A oliveira produz o óleo, que é o símbolo da fé, e o candeeiro é o suporte, para que o óleo ardente produza a luz.
(1) – S. Mateus, XVII, 3.
Já tivemos ocasião de dizer que a revelação se manifesta por símbolos, por parábolas, para que os homens a interpretem. A palavra espiritual sempre aparece no mundo por meio de alegorias.
Os “poderes” concedidos às “testemunhas” significam a verdade da revelação, cujos fatos subjugarão a todos os seus inimigos.
A morte “por três dias e meio” das “testemunhas”, produzida pela BESTA, é a opressão que sofreu a Revelação, pela antiga e nova Roma, – a chacina dos cristãos, os processos de Loudun, finalmente, o martirológio dos médiuns pelo fogo e pelas mais selvagens torturas, que fizeram calar o mundo espiritual, fato este de que “se regozijaram vários povos, línguas e nações”, (2) que tinham sido atormentados em sua vaidade, em seu orgulho, em suas torpes paixões e vícios execrandos. Livres das censuras, das exortações para renegação, congratularam-se por poderem reerguer os seus ídolos prediletos.
(2) – Apocalipse, XI, 10.
Mas o espírito da profecia ressurgiu, como o Cristo no terceiro dia, e a confusão se estabeleceu entre os seus inimigos; ao soar da sétima trombeta, o céu se abrirá: – “veio o tempo dos mortos”, (haverá grande difusão de Espíritos) – e o mundo espiritual aparecerá aos olhos de todos.
Na interpretação do Apocalipse, como na dos Evangelhos e epístolas, o estudante não pode salientar capítulos e versículos, mas deve observar a relação que existe entre uns e outros, para compreender o pensamento dos escritores.
É assim que já demonstramos as relações existentes entre os Evangelhos e o Apocalipse; assim como – verá o leitor – a exposição de um versículo apocalíptico, que se acha no começo do CAPÍTULO, tem, às vezes, a sua explicação no final desse mesmo capítulo. Por exemplo: o versículo 18 é a explicação do versículo 8, do cap. XVII.

Por Cairbar SchutelPrimeira edição deste livro ocorreu no dia 21 de setembro de 1918.

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