Geração Espontânea

N. T.: Allan Kardec, neste como em outros pontos, serviu-se dos conhecimentos científicos da época em que viveu, e não podia ir além. Hoje, porém, está sobejamente comprovado pela Ciência que não existe geração espontânea, nem mesmo para os seres “das ordens mais inferiores” da Criação, como vírus e bactérias, por exemplo. Não se deve esquecer, entretanto, que Kardec teve o cuidado de apresentar a teoria da geração espontânea como hipótese provável, e não como princípio constitutivo da Doutrina Espírita. (Ver item 23.)
20. É natural perguntar-se por que já não se formam seres vivos nas mesmas condições em que se formaram os primeiros que surgiram na Terra.
N. E.: O planeta não apresenta as mesmas condições que possibilitaram a existência de seus primeiros habitantes.
A questão da geração espontânea, que tanto preocupa a Ciência, embora ainda esteja diversamente resolvida, não pode deixar de lançar luz sobre esse ponto. O problema proposto é este: formam-se atualmente seres orgânicos pela simples reunião dos seres que os constituem, sem germens previamente produzidos pelo modo habitual de geração ou, por outra, sem pais nem mães?
Os partidários da geração espontânea respondem afirmativamente, apoiando-se em observações diretas que parecem concludentes. Pensam outros que todos os seres vivos se reproduzem uns pelos outros, firmados sobre o fato, que a experiência comprova, de que os germens de certas espécies vegetais e animais, mesmo dispersos, conservam latente vitalidade durante um tempo considerável, até que as circunstâncias lhes favoreçam a eclosão. Esta maneira de entender deixa sempre em aberto a questão da formação dos primeiros tipos de cada espécie.
21. Sem discutir os dois sistemas, convém notar que o princípio da geração espontânea evidentemente só se pode aplicar aos seres das ordens mais inferiores dos reinos animal e vegetal, àqueles nos quais a vida começa a despontar em organismo, relativamente simples e, de certo modo, rudimentar.
Foram esses, de fato, os primeiros que apareceram na Terra e que a formação houve de ser espontânea. Assistiríamos assim a uma criação permanente, análoga à que se produziu nas primeiras idades do mundo.
22. Mas, então, por que não se formam da mesma maneira os seres de complexa organização? É fato positivo que esses seres não existiram sempre, logo, tiveram um começo. Se o musgo, o líquen, o zoófito, o infusório, os vermes intestinais e outros podem produzir-se espontaneamente, por que não se dá o mesmo com as árvores, os peixes, os cães, os cavalos?
Param aí, por enquanto, as investigações; desaparece o fio condutor e, até que ele seja encontrado, o campo fica aberto às hipóteses. Seria, pois, imprudente e prematuro apresentar meros sistemas como verdades absolutas.
23. Se a geração espontânea é fato demonstrado, por mais limitado que seja, não deixa de constituir um fato capital, uma baliza capaz de indicar o caminho para novas observações. Se os seres orgânicos completos não se produzem dessa maneira, quem sabe como eles começaram? Quem conhece o segredo de todas as transformações? Vendo o carvalho sair da bolota, quem pode afirmar que não exista um laço misterioso entre o pólipo e o elefante? (Item 25.)
126 N. E.: Atualmente temos a Teoria da Evolução Química ou Molecular, que postula que a vida surgiu a partir do processo de evolução química de compostos inorgânicos, dando origem a moléculas orgânicas e, depois, às primeiras e mais simples formas de vida.
No estado atual dos nossos conhecimentos, não podemos estabelecer a teoria da geração espontânea permanente, senão como hipótese, mas como hipótese provável e que um dia, talvez, tome lugar entre as verdades científicas incontestáveis.
Nota de Allan Kardec: Veja-se na Revista Espírita de julho de 1868, o desenvolvimento da teoria da geração espontânea. (Artigo: A geração espontânea e a gênese.)

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