Gêneros de mediunidade

Resumimos a seguir os principais gêneros de mediunidade a fim de apresentar, de alguma maneira, o seu quadro sinótico, compreendendo os já descritos nos capítulos precedentes, com a indicação dos números em que foram tratados com mais detalhes.
Reunimos as diferentes variedades mediúnicas pelas semelhanças de causas e efeitos, sem que esta classificação seja absoluta. Algumas são encontradas com frequência; outras, pelo contrário, são raras e, até mesmo, excepcionais, o que tivemos o cuidado de mencionar.
Estas indicações foram inteiramente fornecidas pelos Espíritos que, além disso, reviram este quadro com particular cuidado e o completaram com numerosas observações e novas categorias, de tal maneira que ele é, por assim dizer, obra inteiramente deles.
Assinalamos, pondo-as em corpo tipográfico diferente e em medida menor (1) suas observações textuais, quando julgamos dever destacá-las. São, na maioria, de Erasto e de Sócrates.
(1) No original esse destaque foi feito por meio de aspas, de maneira que tivemos de mudara referência às aspas, mas pomos em grifo as palavras da substituição. Trata-se apenas de uma questão de melhor disposição tipográfica. (N. do T.)
187. Podem-se dividir os médiuns em duas grandes categorias:
MÉDIUNS DE EFEITOS FÍSICOS – Os que têm o poder de provocar os efeitos materiais ou as manifestações ostensivas. (Ver n°. 160)
MÉDIUNS DE EFEITOS INTELECTUAIS – Os que são mais especialmente aptos a receber e a transmitir as comunicações inteligentes. (Ver n°. 65 e seguintes).
(2) Essa classificação mediúnica foi duplamente confirmada pela pesquisa científica. Primeiro, pela Metapsíquica, que dividiu os fenômenos em objetivos e subjetivos. Depois, pela atual Parapsicologia, que criou as classificações psigama e psikapa, designando a primeira os fenômenos intelectuais ou subjetivos, e a segunda os fenômenos objetivos ou materiais. Ambas as ciências reconheceram também as duas categorias de sensitivos (médiuns), com as diversas variedades ou classes constantes deste livro. (N. do T.)
As demais variedades se ligam mais ou menos diretamente a uma ou a outra dessas duas categorias, e algumas participam de ambas. Analisando os diversos fenômenos produzidos sob influência mediúnica vê-se que há em todos um efeito físico, e que aos efeitos físicos se junta quase sempre um efeito inteligente.
É às vezes difícil estabelecer o limite entre ambos, mas isso não acarreta nenhuma consequência. Incluímos na classificação de médiuns de efeitos intelectuais os que podem mais especialmente servir de instrumentos para comunicações regulares e contínuas. (Ver n°. 133)
188. Variedades comuns a todos os gêneros de mediunidade:
Médiuns sensitivos – Pessoas suscetíveis de sentir a presença dos Espíritos por uma sensação geral ou local, vaga ou material. Na sua maioria distinguem os Espíritos bons ou maus pela natureza da sensação que causam. (Ver n°. 164)
“Os médiuns delicados e demasiado sensíveis devem abster-se de comunicações com Espíritos violentos ou cuja sensação é penosa, por causa da fadiga resultante”.
Médiuns naturais ou inconscientes – Os que produzem fenômenos espontaneamente, sem querer, e na maioria das vezes à sua revelia. (Ver n°. 161)
Médiuns facultativos ou voluntários – Os que têm o poder de provocar os fenômenos por um ato da própria vontade. (Ver n°. 160)
“Por maior que seja essa vontade, eles nada podem se os Espíritos se recusam, o que prova a intervenção de uma potência estranha”.
(3) Quando Kardec se refere ao poder dos médiuns, à sua força ou potência, trata apenas da capacidade maior ou menor para servir de instrumentos aos Espíritos. Como se vê nessa observação, nenhum médium tem poder para provocar fenômenos ou comunicações se os Espíritos não concordarem. O poderdes médiuns, propriamente dito, decorre de sua elevação moral e consequente relação com Espíritos bons. (N. do T.)
189. Variedades especiais para os efeitos físicos:
Médiuns tiptólogos – Os que produzem ruídos e pancadas. Variedade muito comum, com ou sem a participação da vontade.
Médiuns motores – Os que produzem movimentos dos corpos inertes. Muito comuns (Ver n°. 61).
(4) A Parapsicologia atual se debate em grande dificuldade para provar cientificamente existência dos fenômenos de movimento de objetos, levitações etc. Mas isso decorre dos métodos inadequados de pesquisa e em grande parte da negação sistemática e a priori de muitos parapsicólogos materialistas ou sectários. A chamada escola de Rhine sustenta prova científica feita em laboratório dos fenômenos psikapa ou físicos, enquanto a soviética e os setores católicos a contestam, embora sem unanimidade. (N. do T.)
Médiuns de translações e suspensões – Os que produzem a translação de objetos através do espaço ou a sua suspensão, sem qualquer ponto de apoio. Há também os que podem elevar-se a si próprios. Mais ou menos raros, segundo a intensidade do fenômeno. Muito raros, no último caso. (Ver n°. 75 e seguintes; n° 80)
Médiuns de efeitos musicais – Os que provocam a execução de músicas em certos instrumentos sem contato. Muito raros. (Ver n° 74, pergunta 24)
Médiuns de transporte – Os que podem servir aos Espíritos para transporte de objetos materiais. Variedade dos médiuns motores e translação. Excepcionais. (Ver n°. 96)
Médiuns de aparições – Que provocam as aparições fluídicas ou tangíveis, visíveis para os assistentes. Muito raros. (Ver n°. 100, pergunta 27; e n°. 104)
Médiuns noturnos – Os que só obtêm certos efeitos físicos na obscuridade. Eis a resposta de um Espírito sobre a possibilidade de considerarem esses médiuns como uma variedade:
Certamente se pode fazer desses casos uma especialidade, mas o fenômeno se deve mais às condições ambientes que à natureza do médium ou dos Espíritos. Devo acrescentar que alguns escapam a influência do meio e que a maioria dos médiuns noturnos poderiam, pelo exercício, chegar a produzir tanto na claridade quanto na obscuridade.
Essa variedade de médiuns é pouco numerosa. E é necessário dizer claramente que é graças a essa condição, que deixa toda a liberdade ao emprego dos truques, da ventriloquia e dos tubos acústica que os charlatães têm frequentemente abusado da credulidade, fazendo-se passar por médiuns para ganhar dinheiro.
Mas que importa? Os farsantes de gabinete como os farsantes da praça pública serão cruelmente desmascarados. Os Espíritos lhes provarão que fazem mal de imiscuir-se nos seus trabalhos. Sim, eu o repito: certos charlatães serão apanhados em flagrante de maneira bastante rude para desgostá-los do ofício de falsos médiuns. De resto, tudo isso não durará muito tempo. – Erasto.
(5) Estudos dos professores Imoda, Pichei e Fontenay, publicados no livro do primeiro, “Fotografias de Fantasmas”, referente a experiências com a médium Linda Gazzera, sustentam cientificamente essa mesma tese de Erasto, de que os médiuns noturnos podem passar a agir em plena luz, mediante a evolução do fenômeno. As sessões no escuro são hoje numerosas e seria bom que o aviso de Erasto fosse mais lido e divulgado, em benefício dos próprios médiuns. (N. do T.)
Médiuns pneumatógrafos – Os que obtêm a escrita direta. Fenômeno muito raro e sobretudo muito fácil de imitar pela charlatanice. (Ver n°. 177)
Observação – Os Espíritos insistiram, contra a nossa opinião, para colocarmos a escrita direta entre fenômenos de ordem física, pela razão, segundo disseram, de que: “os efeitos inteligentes são os que o Espírito produz servindo-se dos elementos existentes no cérebro do médium, o que não é o caso da escrita direta. A ação do médium é nesta inteiramente material, enquanto no médium escrevente, mesmo que seja completamente mecânica, o cérebro tem sempre um papel ativo.
(6) Observe-se a curiosa prova de independência dos Espíritos, fazendo incluir a escrita direta entre os fenômenos físicos e justificando plenamente a exigência. Os efeitos inteligentes requerem o concurso dos elementos inteligentes ou culturais do médium (culturais num sentido reencarnacionista). A explicação de não servir a escrita direta para comunicações em forma de conversação está precisamente nisso. A produção do efeito material da escrita exige muito no plano da matéria deixando pouca margem para a troca de ideias. (N. do T.)
Médiuns curadores – Os que têm o poder de curar ou de aliviar os males pela imposição das mãos ou pela prece.
“Esta faculdade não é essencialmente mediúnica, pois todos os verdadeiros crentes a possuem, quer sejam médiuns ou não. Frequentemente não é mais do que a exaltação da potência magnética, fortalecida em caso de necessidade pelo concurso dos Espíritos bons”.(Ver n°. 175)
(7) Trata-se do magnetismo e da mediunidade generalizada, faculdades humanas naturais, que todas as criaturas possuem. Kardec assinala que não é essencialmente mediúnica para não confundi-la com a mediunidade específica, de que trata este capítulo. (N. do T.)
Médiuns excitadores – Os que têm a faculdade de desenvolver nos outros, por sua influência, a faculdade de escrever.
190. Médiuns especiais para efeitos intelectuais; aptidões diversas.
Médiuns audientes – Os que ouvem os espíritos. Muito comuns. (Ver n°. 165)
Há muitas pessoas que imaginam ouvir o que só existe na sua própria imaginação.
Médiuns falantes – Os que falam sob influência dos Espíritos. Muito comuns. (Ver n°. 166)
Médiuns videntes – Os que veem os Espíritos em estado de vigília. A visão acidental e fortuita de um Espírito, em determinada circunstância, é muito frequente, mas a visão habitual ou facultativa dos Espíritos, sem qualquer distinção, é excepcional. (Ver n°. 167)
A condição atual do nosso organismo físico ainda se opõe a essa aptidão, eis porque é conveniente não acreditar sempre, sem provas, nos que dizem ver os Espíritos.
Médiuns inspirados – Os que recebem os pensamentos sugeridos pelos Espíritos, na maioria das vezes sem o saberem, seja para as atitudes ordinárias da vida ou para os grandes trabalhos intelectuais. (Ver n°. 182)
Médiuns de pressentimento – Os que, em certas circunstâncias, têm uma vaga intuição de ocorrências vulgares do futuro. (Ver n°. 184)
Médiuns proféticos – Variedade de médiuns inspirados ou de pressentimento que recebem, com a permissão de Deus e com maior precisão que os médiuns de pressentimento, a revelação de ocorrências futuras de interesse geral, que estão encarregados de transmitir aos outros para fins instrutivos.
“Se há verdadeiros profetas, há também os falsos e ainda em maior número, que tomam os devaneios da própria imaginação por revelações, quando não se trata de mistificadores que o fazem por ambição”. (Ver nº. 624 de O Livro dos Espíritos sobre as características do verdadeiro profeta.)
Médiuns sonâmbulos – Os que, em transe sonambúlico, são assistidos por Espíritos. (Ver n°. 172)
Médiuns extáticos – Os que, em estado de êxtase, recebem revelações dos Espíritos.
“Muitos extáticos são joguetes da própria imaginação e de Espíritos enganadores que se aproveitam da sua exaltação. São muito raros os que merecem inteira confiança”.
(8) Esta uma das razões porque o Espiritismo rejeita o método de observação do mundo invisível pelo desprendimento espiritual. As observações dos estáticos, dos sonâmbulos e dos médiuns de desdobramento estão sujeitas a muitos erros e não oferecem possibilidade de controle científico da pesquisa mediúnica. (N. do T.)
Médiuns pintores ou desenhistas – Os que pintam ou desenham sob influência dos Espíritos. Tratamos dos que obtêm produções sérias, pois não se poderia dar esse nome a certos médiuns que os Espíritos zombadores fazem produzir coisas grotescas que desacreditariam o estudante mais atrasado.
Os Espíritos levianos são imitadores. Quando apareceram os notáveis desenhos de Júpiter, surgiu grande número de pretensos desenhistas, com os quais os Espíritos brincalhões se divertiram, fazendo-os produzir as coisas mais ridículas. Um deles, para eclipsar os desenhos de Júpiter, senão pela qualidade ao menos pelo tamanho, fez um médium desenhar um monumento que exigiu o número suficiente de folhas de papel para atingir os seus dois andares. Muitos outros fizeram desenhar supostos retratos que eram verdadeiras caricaturas. (Ver Revista Espírita de agosto de 1858).
Médiuns musicais – Os que executam, compõem ou escrevem músicas sob influência dos Espíritos. Há médiuns musicais mecânicos, semimecânicos, intuitivos e inspirados, como se dá com as comunicações literárias. (Ver o tópico sobre Médiuns de Efeitos Musicais)

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