Da Obsessão

OBSESSÃO SIMPLES – FASCINAÇÃO – SUBJUGAÇÃO – CAUSAS DA OBSESSÃO – MEIOS DE COMBATÊ-LA
237. No número das dificuldades que a prática do Espiritismo apresenta é necessário colocar a da obsessão em primeira linha. Trata-se do domínio que alguns Espíritos podem adquirir sobre certas pessoas. São sempre os Espíritos inferiores que procuram dominar, pois os bons não exercem nenhum constrangimento. Os bons aconselham, combatem a influência dos maus, e se não os escutam preferem retirar-se. Os maus, pelo contrário, agarram-se aos que conseguem prender. Se chegam a dominar alguém, identificam-se com o Espírito da vítima e a conduzem: como se faz com uma criança.
A obsessão apresenta características diversas que precisamos distinguir com precisão, resultantes do grau do constrangimento e da natureza dos efeitos que este produz. A palavra obsessão é portanto um termo genérico pelo qual se designa o conjunto desses fenômenos, cujas principais variedades são: a obsessão simples, a fascinação e a subjugação.
238. A obsessão simples verifica-se quando um Espírito malfazejo se impõe a um médium, intromete-se contra a sua vontade nas comunicações que ele recebe, o impede de se comunicar com outros Espíritos e substitui os que são evocados.
Não se está obsedado pelo simples fato de ser enganado por um Espírito mentiroso, pois o melhor médium está sujeito a isso, sobretudo no início, quando ainda lhe falta a experiência necessária, como entre nós as pessoas mais honestas podem ser enganadas por trapaceiros. Pode-se, pois, ser enganado sem estar obsedado. A obsessão consiste na tenacidade de um Espírito do qual não se consegue desembaraçar.
Na obsessão simples o médium sabe perfeitamente que está lidando com um Espírito mistificador, que não se disfarça e nem mesmo dissimula de maneira alguma as suas más intenções e o seu desejo: de contrariar. O médium reconhece facilmente a mistificação, e como se mantém vigilante raramente é enganado. Assim, esta forma de obsessão é apenas desagradável e só tem o inconveniente de dificultar as comunicações com os Espíritos sérios ou com os de nossa afeição.
Podemos incluir nesta categoria os casos de obsessão física, que consistem nas manifestações barulhentas e obstinadas de certos Espíritos que espontaneamente produzem pancadas e outros ruídos. Quanto a este fenômeno, remetemos o leitor ao capítulo Manifestações Físicas Espontâneas, n° 82.
239. A fascinação tem consequências, muito mais graves. Trata-se de uma ilusão criada diretamente pelo Espírito no pensamento do médium e que paralisa de certa maneira a sua capacidade de julgar as comunicações. O médium fascinado não se considera enganado. O Espírito consegue inspirar-lhe uma confiança cega, impedindo-o de ver a mistificação e de compreender o absurdo do que escreve, mesmo quando este salta aos olhos de todos. A ilusão pode chegar ao ponto de levá-lo a considerar sublime a linguagem mais ridícula. Enganam-se os que pensam que esse tipo de obsessão só pode atingir as pessoas simples, ignorantes e desprovidas de senso. Os homens mais atilados, mais instruídos e inteligentes noutro sentido, não estão mais livres dessa ilusão, o que prova tratar-se de uma aberração produzida por uma causa estranha, cuja influência os subjuga.
Dissemos que as consequências da fascinação são muito mais graves. Com efeito, graças a essa ilusão que lhe é consequente o Espírito dirige a sua vítima como se faz a um cego, podendo levá-lo a aceitar as doutrinas mais absurdas e as teorias mais falsas como sendo as únicas expressões da verdade. Além disso, pode arrastá-lo a ações ridículas, comprometedoras e até mesmo bastante perigosas.
(1) A fascinação é mais comum do que se pensa. No meio espírita ela se manifesta de maneira ardilosa através de uma avalanche de livros comprometedores, tanto psicografados como sugeridos a escritores vaidosos, ou por meio de envolvimento de pregadores e dirigentes de instituições que se consideram devidamente assistidos para criticarem a Doutrina e reformularem os seus princípios. (N. do T.)
Compreende-se facilmente toda a diferença entre obsessão simples e a fascinação. Compreende-se também que os Espíritos provocadores de ambas devem ser diferentes quanto ao caráter. Na primeira, o Espírito que se apega ao médium é apenas um importuno pela sua insistência, do qual ele procura livrar-se. Na segunda, é muito diferente, pois para chegar a tais fins o Espírito deve ser esperto, ardiloso e profundamente hipócrita. Porque ele só pode enganar e se impor usando máscara e uma falsa aparência de virtude. As grandes palavras como caridade, humildade e amor a Deus servem-lhe de carta de fiança. Mas através de tudo isso deixa passar os sinais de sua inferioridade, que só o fascinado não percebe; e por isso mesmo ele teme, mais do que tudo, as pessoas que veem as coisas com clareza. Sua tática é quase sempre a de inspirar ao seu intérprete afastamento de quem quer que possa abrir-lhe os olhos. Evitando, por esse meio, qualquer contradição, está certo de ter sempre razão.
240. A subjugação é um envolvimento que produz a paralisação da vontade da vítima, fazendo-a agir malgrado seu. Esta se encontra, numa palavra, sob um verdadeiro jugo.
A subjugação pode ser moral ou corpórea. No primeiro caso, o subjugado é levado a tomar decisões frequentemente absurdas e comprometedoras que, por uma espécie de ilusão considera sensatas: é uma espécie de fascinação. No segundo caso, o Espírito age sobre os órgãos materiais, provocando movimentos involuntários. No médium escrevente produz uma necessidade incessante de escrever, mesmo nos momentos mais inoportunos. Vimos subjugados que, na falta de caneta ou lápis, tingiam escrever com o dedo, onde quer que se encontrassem, mesmo nas ruas, escrevendo em portas e paredes.
A subjugação corpórea vai às vezes mais longe, podendo levar a vítima aos atos mais ridículos. Conhecemos um homem que, não sendo jovem nem belo, dominado por uma obsessão dessa natureza, foi constrangido por uma força irresistível a cair de joelhos diante de uma jovem que não lhe interessava e pedi-la em casamento. De outras vezes sentia nas costas e nas curvas das pernas uma forte pressão que obrigava, apesar de sua resistência, a ajoelhar-se e beijar a terra nos lugares públicos, diante da multidão. Para os seus conhecidos passava por louco (2), mas estamos convencidos de que absolutamente não o era, pois tinha plena consciência do ridículo que praticava contra a própria vontade, e sofria com isso horrivelmente.
(2) Manias, trejeitos, esgares, tiques nervosos e estados permanentes de irritação provêm em geral de subjugações corpóreas. Contam-se por milhares os casos de curas obtidas em sessões espíritas. Os médicos espíritas, hoje numerosos, geralmente conhecem essa causa e encaminham os clientes a trabalhos apropriados. Os médicos não espíritas continuam a dar de ombros e a rir do que não conhecem, como faziam os seus colegas do tempo de Pasteur a respeito das infecções. (N. do T.)
241. Dava-se antigamente o nome de possessão ao domínio exercido pelos maus Espíritos, quando a sua influência chegava a produzir a aberração das faculdades humanas. A possessão corresponderia, para nós, à subjugação. Se não adotamos esse termo, é por dois motivos: primeiro, por implicar a crença na existência de seres criados para o mal e perpetuamente votados ao mal, quando só existem seres mais ou menos imperfeitos e todos eles suscetíveis de se melhorarem; segundo, por implicar também a ideia de tomada do corpo por um Espírito estranho, numa espécie de coabitação, quando só existe constrangimento. A palavra subjugação exprime perfeitamente a ideia. Assim, para nós, não existem possessos, no sentido vulgar do termo, mas apenas obsedados, subjugados e fascinados.
(3) A terminologia espírita como se vê, é específica e perfeitamente ajustada aos novos conceitos decorrentes das pesquisas mediúnicas. Alguns confrades costumam substituir essa terminologia por outra derivada das Ciências contemporâneas. Não vemos razão para isso nos quadros doutrinários. Cada Ciência possui a sua linguagem própria, e a Ciência Espírita se encontra bem aparelhada nesse sentido. Por outro lado, os conceitos espíritas nem sempre encontram expressão adequada na terminologia científica atual. (N. do T.)
242. A obsessão, como dissemos, é um dos maiores escolhos da mediunidade. É também um dos mais frequentes. Assim, nunca serão demais as providências para combatê-la. Mesmo porque, além dos prejuízos pessoais que dela resultam, constitui um obstáculo absoluto à pureza, à veracidade das comunicações. A obsessão, em qualquer dos seus graus, sendo sempre o resultado de um constrangimento, e não podendo jamais esse constrangimento ser exercido por um Espírito bom, segue-se que toda comunicação dada por um médium obsedado é de origem suspeita e não merece nenhuma confiança. Se, por vezes, se encontrar nela algo de bom, é necessário restringir-se a isso e rejeitar tudo o que apresentar o menor motivo de dúvida.
243. Reconhece-se a obsessão pelas seguintes características:
1. Insistência de um Espírito em comunicar-se queira ou não o médium, pela escrita, pela audição, pela tiptologia etc., opondo-se a que outros Espíritos o façam.
2. Ilusão que, não obstante a inteligência do médium, o impede de reconhecer a falsidade e o ridículo das comunicações recebidas.
3. Crença na infalibilidade e na identidade absoluta dos Espíritos que se comunicam e que, sob nomes respeitáveis e venerados, dizem falsidades ou absurdos.
4. Aceitação pelo médium dos elogios que lhe fazem os Espíritos que se comunicam por seu intermédio.
5. Disposição para se afastar das pessoas que podem esclarecê-lo.
6. Levar a mal a crítica das comunicações que recebe.
7. Necessidade incessante e inoportuna de escrever.
8. Qualquer forma de constrangimento físico, dominando-lhe a vontade e forçando-o a agir ou falar sem querer.
9. Ruídos e transtornos contínuos em redor do médium, causados por ele ou tendo-o por alvo.
244. Em face do perigo da obsessão, ocorre perguntar se não é inconveniente ser médium, se não é essa faculdade que a provoca, enfim, se não é isso uma prova da inconveniência das comunicações espíritas. Nossa resposta é fácil e pedimos que a meditem cuidadosamente.
Não tendo sido os médiuns nem os espíritas que criaram os Espíritos, mas sim os Espíritos que deram origem aos espíritas e aos médiuns, e sendo os Espíritos simplesmente as almas dos homens, é evidente que sempre exerceram sua influência benéfica ou perniciosa sobre a Humanidade. A faculdade mediúnica é para eles apenas um meio de se comunicarem, e na falta dessa faculdade eles se comunicam por mil outras maneiras mais ou menos ocultas. Seria errôneo, pois, acreditar que os Espíritos só exercem sua influência através das comunicações escritas ou verbais. Essa influência é permanente e os que não se preocupam com os Espíritos, ou nem mesmo creem na sua existência, estão expostos a ela como os outros, e até mais do que os outros, por não disporem de meios de defesa. É pela mediunidade que o Espírito se dá a conhecer. Se ele for mau, sempre se trai, por mais hipócrita que seja. Pode-se dizer, portanto, que a mediunidade permite ao homem ver o seu inimigo face a face, se assim se pode dizer, e combatê-lo com suas próprias armas. Sem essa faculdade ele age na sombra, e contando com a invisibilidade pode fazer e faz realmente muito mal.
(4) Perguntam algumas pessoas como Deus deixou a Humanidade tanto tempo sem recursos diante desse inimigo invisível. Mas a verdade é que a mediunidade sempre existiu e que as suas manifestações vêm de todos os tempos, como Kardec já explicou. Assim como sempre houve meios empíricos de combater os micróbios, mesmo quando não eram conhecidos, houve-os também de controlar a influência dos Espíritos, desde os tempos primitivos. O Espiritismo veio oferecer os meios racionais e, portanto, científicos de que a Humanidade necessitava. (N. do T.)
A quantos atos não é o homem impelido, para sua desgraça, e que seriam evitados se ele tivesse um meio de se esclarecer. Os incrédulos não supõem dizer uma verdade quando afirmam de um homem que se obstina no erro: “É o seu mau gênio que o impele a perder-se”.
É assim que o conhecimento do Espiritismo, longe de facilitar o domínio dos maus Espíritos, deve ter como resultado, num tempo mais ou menos próximo, quando se achar divulgado, destruir esse domínio, dando a cada um os meios de se manter vigilante contra as suas sugestões. E aquele que então sucumbir só poderá queixar-se de si mesmo.
Regra-geral: quem quer que receba más comunicações espíritas, escritas ou verbais, está sob má influência; essa influência se exerce sobre ele, quer escreva ou não, isto é, seja ou não médium, creia ou não creia. A escrita oferece-lhe um meio de se assegurar da natureza dos Espíritos em ação e de os combater, se forem maus, o que se consegue com maior êxito quando se chega a conhecer os motivos da sua atividade. Se a sua cegueira é bastante para não lhe permitir a compreensão, outros poderão lhe abrir os olhos.
Em resumo: o perigo não está no Espiritismo, desde que este pode, pelo contrário, servir-nos de controle e preservar-nos do risco incessante a que nos expomos sem saber. Ele está na orgulhosa propensão de certos médiuns a se considerarem muito levianamente instrumentos exclusivos dos Espíritos superiores, e na espécie de fascinação que não lhes permite compreender as tolices de que são intérpretes. Mas mesmo os que não são médiuns podem se deixar envolver.
Façamos uma comparação. Um homem tem um inimigo secreto que ele não conhece e que espalha contra ele, às ocultas, a calúnia e tudo o que a mais negra maldade possa engendrar. Vê a sua fortuna se perder, os amigos se afastarem, perturbar-se a sua tranquilidade interior. Não podendo descobrir a mão que o fere, não pode se defender e acaba vencido. Mas um dia o inimigo secreto lhe escreve e se trai, apesar da sua astúcia. Eis descoberto o inimigo, que ele agora pode fazer calar e com isso se reabilitar. Esse o papel dos maus Espíritos, que o Espiritismo nos dá a possibilidade de descobrir e anular.
245. Os motivos da obsessão variam segundo o caráter do Espírito. Às vezes é a prática de uma vingança contra a pessoa que o magoou na sua vida ou numa existência anterior. Frequentemente é apenas o desejo de fazer o mal, pois como sofre, deseja fazer os outros sofrerem, sentindo uma espécie de prazer em atormentá-los e humilhá-los. A impaciência das vítimas também influi, porque ele vê atingido o seu objetivo, enquanto a paciência acaba por cansá-lo. Ao se irritar, mostrando-se zangado, a vítima faz precisamente o que ele quer. Esses Espíritos agem às vezes pelo ódio que lhes desperta a inveja do bem, e é por isso que lançam a sua maldade sobre criaturas honestas.
Um deles se apegou como verdadeira tinha (5) a uma boa família nossa conhecida, que não teve aliás, a satisfação de enganar. Interrogado sobre o motivo do ataque a essa boa gente, em vez de apegar-se a homens da sua espécie, respondeu: Esses não me dão inveja. Outros são levados por simples covardia, aproveitando-se da fraqueza moral de certas pessoas, que sabem incapazes de lhes oferecer resistência. Um destes, que subjugava um rapaz de inteligência muito curta, respondeu-nos sobre o motivo da sua escolha: Tenho muita necessidade de atormentar alguém: uma pessoa capaz me repeliria; apego-me a um idiota que não pode resistir.
(5) Micose antigamente muito difundida. Em francês se usa para designar pessoas más. Em português aplicamos ao Diabo: o Tinhoso. (N. do T.)
246. Há Espíritos obsessores sem maldade que são, até mesmo, bons mas dominados pelo orgulho do falso saber: têm suas ideias, seus sistemas sobre as Ciências, a Economia Social, a Moral, a Religião, a Filosofia. Querem impor a sua opinião e para isso procuram médiuns suficientemente crédulos para aceitá-las de olhos fechados, fascinando-os para impedir qualquer discernimento do verdadeiro e do falso. São os mais perigosos porque não vacilam em sofismar e podem impor as mais ridículas utopias. Conhecendo o prestígio dos nomes famosos não têm escrúpulo em enfeitar-se com eles e nem mesmo recuam ante o sacrilégio de se dizerem Jesus, a Virgem Maria ou um santo venerado.
(6) Muitas pessoas aceitam com facilidade as comunicações assinadas por Jesus, Maria, João, Paulo e outras figuras exponenciais da Religião e da História, esquecidas das advertências doutrinárias. Mensagens com assinaturas dessa espécie são sempre suspeitas, pois os Espíritos que habitualmente se comunicam conosco são, pela própria lei de afinidade, mais próximos de nós. (N. do T.)
Procuram fascinar por uma linguagem empolada, mais pretensiosa do que profunda, cheia de termos técnicos e enfeitada de palavras grandiosas, como Caridade e Moral. Evitam dar maus conselhos, por que sabem que seriam repelidos, de maneira que os enganados os defendem sempre, afirmando: bem vês que nada dizem de mau. Mas a moral é para eles apenas um passaporte, é o de que menos cuidam. O que desejam antes de mais nada é dominar e impor as suas ideias, por mais absurdas que sejam.
(7) O argumento citado é hoje frequentemente usado pelos defensores de obras psicografadas dotadas de todas as características mencionadas acima. Claro que o mistificador tem de misturar joio e trigo, pois do contrário ninguém o aceitaria. (N. do T.)
247. Os Espíritos sistemáticos são quase sempre escrevinhadores. É por isso que procuram os médiuns que escrevem com facilidade, tratando de fazê-los seus instrumentos dóceis e sobretudo entusiastas, por meio da fascinação. Esses Espíritos são geralmente verbosos, muito prolixos, procurando compensar pela quantidade a falta de qualidade. Gostam de ditar aos seus intérpretes volumosos escritos, indigestos e muitas vezes pouco inteligíveis, que trazem felizmente como contraveneno a impossibilidade material de ser lidos pelas massas. Os Espíritos realmente superiores são sóbrios nas palavras, dizem muita coisa em poucas linhas, de maneira que essa fecundidade prodigiosa deve ser sempre considerada suspeita. Nunca será demais a prudência, quando se tratar da publicação de semelhantes escritos.
As utopias e as excentricidades, que são neles frequentemente abundantes e chocam o bom senso, provocam impressão muito desagradável nas pessoas que se iniciam, dando-lhes uma ideia falsa do Espiritismo, sem contar ainda que servem de armas aos adversários para ridicularizá-lo. Entre essas publicações há as que, sem serem más e sem provirem de uma obsessão, podem ser consideradas como imprudentes, intempestivas e inábeis.
(8) Muito comum este fato, que vem ocorrendo com espantosa intensidade no Brasil, em virtude da propagação da prática espírita sem o desenvolvimento paralelo do conhecimento doutrinário. Por toda parte aparecem publicações inoportunas, desviando a atenção do público dos problemas fundamentais do Espiritismo, excitando a imaginação e o orgulho de médiuns incultos que, ainda em desenvolvimento, se deixam empolgar pela vaidade pessoal, dando atenção aos elogios de companheiros menos avisados e sendo envolvidos por Espíritos pseudossábios, sistemáticos, imaginosos. Todo cuidado é pouco nesse terreno. (N. do T.)
248. Acontece com muita frequência que um médium só pode comunicar-se com um Espírito que se ligou a ele e responde pelos que são evocados. Nem sempre se trata de obsessão, porque isso pode decorrer de uma falta de flexibilidade do médium e de uma afinidade especial de sua parte com este ou aquele Espírito. A obsessão propriamente dita só existe quando o Espírito se impõe e afasta voluntariamente os outros, o que jamais é feito por um Espírito bom. Geralmente, o Espírito que se apossa do médium para dominá-lo não suporta o exame crítico das suas comunicações. Quando vê que elas não são aceitas, mas submetidas à discussão, não deixa o médium mas lhe sugere o pensamento de se afastar, e muitas vezes mesmo lhe ordena que se afaste. Todo médium que se aborrece com as críticas das suas comunicações faz-se eco do Espírito que o domina, e esse Espírito não pode ser bom, desde que lhe inspira o pensamento ilógico de recusar o exame.
O isolamento do médium é sempre prejudicial para ele, que fica sem a possibilidade de controle de suas comunicações. Ele deve não somente esclarecer-se através de terceiros, mas também estudar todos os gêneros de comunicações, para aprender a compará-las. Limitando-se às que recebe, por melhores que lhe pareçam, fica exposto a enganar-se quanto ao seu valor, devendo-se ainda considerar que ele não pode conhecer tudo e que elas giram sempre num mesmo círculo de ideias. (Ver no número 192: Médiuns exclusivos).
249. Os meios de combater a obsessão variam, segundo as características de que ela se reveste. Não existe um perigo real para todo médium que esteja bem convencido de lidar com um Espírito mentiroso, como acontece na obsessão simples. Esta não será para ele mais do que um fato desagradável. Mas precisamente por lhe ser desagradável, o Espírito tem mais uma razão para insistir em aborrecê-lo. Duas medidas essenciais devem ser tomadas pelo médium nesse caso: provar ao Espírito que não foi enganado por ele e que será impossível deixar-se enganar; segundo, cansar-lhe a paciência, mostrando-se mais paciente do que ele. Quando se convencer de que perde o seu tempo, acabará por se retirar, como o fazem os importunos a quem não se escuta.
Mas isso nem sempre é suficiente e pode demorar bastante, porque existem os teimosos, para os quais os meses e os anos pouco significam. O médium deve, além disso, apelar fervorosamente ao seu bom anjo e aos bons Espíritos que lhe são simpáticos, suplicando-lhes assistência. No tocante ao Espírito obsessor, por mau que ele seja, é necessário tratá-lo com severidade, mas, ao mesmo tempo, com benevolência, vencendo-o pelo bom procedimento, orando por ele. Se for realmente um Espírito perverso, a princípio se divertirá com isso, mas submetido com perseverança a um processo de moralização, acabará por emendar-se. É uma conversão que se empreende, tarefa muitas vezes penosa, ingrata, mas cujo mérito está na própria dificuldade, e que uma vez bem realizada traz sempre a satisfação de se haver cumprido um dever de caridade, e frequentemente a de haver reconduzido ao bom caminho uma alma-perdida.
(9) As instruções dadas neste item devem ser bem examinadas pelo leitor, pois ao mesmo tempo que apresentam uma técnica de afastamento dos obsessores, mostram que tudo depende da vontade e persistência do médium. Psiquiatras, psicólogos e parapsicólogos endossariam hoje essas instruções, se quisessem dar-se ao trabalho de examiná-las, embora com restrições à intervenção de um Espírito. Trata-se do caso de obsessão simples, em que o paciente não se apresenta subjugado. A
“conversão” se assemelha bastante aos processos de “sublimação” psicanalítica, ao “caminho da cura” de Jung, à busca da “ressonância” de Kunkel e assim por diante. E a verdade é que esse método tem dado resultados plenamente satisfatórios, o que mostra não ser prejudicial a presença do Espírito obsessor no tratamento. Nos casos mais graves essa presença, como veremos, não pode ser esquecida, sob pena de não se obter a cura.
(N. do T.)
É também conveniente interromper as comunicações escritas quando se reconhece que procedem de um Espírito mau, que nada quer ouvir, para não se lhe dar o prazer de ser ouvido. Em certos casos, pode mesmo ser útil deixar de escrever por algum tempo, regulando-se isso de acordo com as circunstâncias. Mas se o médium escrevente pode evitar essas conversações abstendo-se de escrever, não se dá o mesmo com o médium audiente, que o Espírito obsessor persegue às vezes a todo instante com seu palavreado grosseiro e obsceno, e que não tem nem mesmo o recurso de fechar os ouvidos. De resto, devemos reconhecer que certas pessoas se divertem com a linguagem trivial dessa espécie de Espíritos, que os encorajam e provocam ao rir das suas tolices, em vez de lhes impor silêncio e orientá-los moralmente. Nossos conselhos não podem aplicar-se a esses que desejam afogar-se.
250. Só há, portanto, aborrecimento e não perigo para todo médium que não se deixa enganar, de vez que ele não pode ser confundido. Exatamente o contrário se verifica na fascinação, porque então o domínio do Espírito sobre a vítima não tem limites. A única coisa a fazer é convencê-la de que foi enganada e reverter a sua obsessão ao grau de obsessão simples. Mas isso nem sempre é fácil, se não for algumas vezes impossível. O ascendente do Espírito sobre o fascinado é tal que o t orna surdo a todo raciocínio. Pode mesmo chegar ao ponto de fazê-lo duvidar do acerto da Ciência, quando o Espírito comete alguma grossa heresia científica.
Como já dissemos, o fascinado recebe geralmente muito mal os conselhos. A crítica o aborrece, irrita e faz embirrar com as pessoas que não participam da sua admiração. Suspeitar do seu obsessor é quase uma profanação, e é isso o que o Espírito deseja, que se ponham de joelhos ante as suas palavras.
Um desses Espíritos exercia extraordinária fascinação sobre pessoa nossa conhecida. Evocamo-lo e após algumas fanfarronices, vendo que não podia lograr-nos quanto à sua identidade, acabou confessando que tomara um nome falso. Perguntamos porque abusava tanto daquela pessoa, e ele nos respondeu com estas palavras que revelam nitidamente o caráter dessa espécie de Espíritos:
Eu procurava um homem que pudesse manejar, encontrei-o e ficarei com ele.
– Mas se o esclarecermos ele o expulsará.
– É o que veremos!
Como não há pior cego do que o que não quer ver, quando se reconhece a inutilidade de todas as tentativas para abrir os olhos do fascinado o melhor que se tem a fazer é deixá-lo com as suas ilusões. Não se pode curar um doente que se obstina na doença e nela se compraz.
(10) Estes casos são conhecidos de todos os clínicos como irrecuperáveis. Trata-se de ligações profundas entre o encarnado e o desencarnado, restando-nos orar por ambos, o que sempre é útil. (N. do T.)
251. A subjugação corpórea tira quase sempre ao obsedado as energias necessárias para dominar o mau Espírito. É por isso necessária a intervenção de uma terceira pessoa, agindo por meio do magnetismo ou pela força da sua própria vontade. Na falta do concurso do obsedado, essa pessoa deve conseguir ascendente sobre o Espírito. Mas como essa ascendência só pode ser moral, só pode ser exercida por uma pessoa moralmente superior ao Espírito, e seu poder será tanto maior quanto o for a sua superioridade moral, porque então se impõe ao Espírito, que se vê obrigado a inclinar-se ante ela. Era por isso que Jesus possuía tamanho poder de expulsar os que então se chamavam demônios, ou seja, os maus Espíritos obsessores.
Só podemos dar aqui alguns conselhos gerais, porque não há nenhum processo material, nenhuma fórmula, sobretudo, nem qualquer palavra sacramental que tenham o poder de expulsar os Espíritos obsessores. O que falta em geral ao obsedado é força fluídica suficiente. Nesse caso a ação magnética de um bom magnetizador pode dar-lhe uma ajuda eficiente. Além disso, é sempre bom obter, por um médium de confiança, os conselhos de um Espírito superior ou do seu anjo da guarda.
(11) A ação magnética é hoje reconhecida e utilizada pela Ciência com outro rótulo: Hipnotismo. O conceito de força fluídica é cientificamente rejeitado, mas os Espíritos o sustentam e nada até hoje provou o contrário, apesar das hipóteses em curso. (N. do T.)
252. As imperfeições morais do obsedado são frequentemente um obstáculo à sua libertação. Eis um notável exemplo, que pode servir para a instrução de todos. Desde alguns anos que várias irmãs vinham sendo vítimas de atos estranhos de depredação. Suas roupas eram continuamente espalhadas por todos os cantos da casa e até mesmo pelo telhado. Eram rasgadas, cortadas e crivadas de furos, por mais cuidados que tivessem em guardá-las sob chaves. Essas senhoras, isoladas numa pequena cidade provinciana, jamais tinham ouvido falar de Espiritismo. A primeira ideia que tiveram foi, naturalmente, a de estarem sendo vítimas de brincadeiras de mau gosto. Mas a persistência dos fatos e as precauções que tomavam afastaram essa ideia.
Só muito tempo depois, graças a algumas indicações, acharam que deviam dirigir-se a nós, procurando saber a causa desses transtornos e os meios, se possível, de lhes dar um fim. A causa estava bem clara, mas o remédio era mais difícil. O Espírito que assim se manifestava era evidentemente malfazejo. Mostrou-se, na evocação, de grande perversidade e inacessível aos bons sentimentos. A prece, porém, parecia exercer sobre ele uma boa influência. Mas após algum tempo de descanso, as depredações recomeçaram. Eis a respeito o conselho dado por um Espírito superior:
O que essas senhoras têm de melhora fazer é rogar aos seus Espíritos protetores que não as abandonem. E eu não tenho melhor conselho a lhes dar do que o de mergulharem na própria consciência para se confessarem consigo mesmas, examinando se praticaram sempre o amor ao próximo e a caridade. Não me refiro a caridade que dá e distribui, mas à caridade da língua. Porque infelizmente elas não sabem contê-la, e por outro lado não justificam, por seus atos piedosos, o desejo de se livrarem de quem as atormenta. Gostam bastante de falar mal do próximo e o Espírito que as obseda tira a sua desforra, porque em vida foi para elas um bode expiatório. Basta-lhes sondar a memória para logo descobrirem com quem estão lidando.
Entretanto, se chegarem a melhorar, seus anjos da guarda voltarão para elas e sua presença será suficiente para afastar o Espírito mau, que se apegou, sobretudo, a uma delas porque o seu anjo da guarda teve de afastar-se, diante dos seus atos repreensíveis ou dos seus maus pensamentos. O que elas precisam é de fazer preces fervorosas pelos que sofrem, e acima de tudo praticar as virtudes que Deus recomenda a cada um, segundo a sua condição.
À observação de que essas palavras nos pareciam um pouco severas, e que talvez se devesse abrandá-las para as transmitir, o Espírito acrescentou:
Eu tenho a dizer isso que disse e como disse, porque as pessoas em causa acostumaram-se a pensar que não fazem nenhum mal pela língua, quando na verdade o fazem e muito. Eis porque é necessário chocar-lhes o espírito de maneira que isso lhes sirva de séria advertência.
Disso resulta um ensinamento de grande alcance, o de que as imperfeições morais dão acesso aos Espíritos obsessores, e de que o meio mais seguro de livrar-se deles é atrair os bons pela prática do bem. Os Espíritos bons são naturalmente mais poderosos que os maus e basta a sua vontade para os afastar, mas assistem apenas àqueles que os ajudam, por meio dos esforços que fazem para se melhorarem. Do contrário se afastam e deixam o campo livre para os maus Espíritos, que se transformam assim em instrumentos de punição, pois os bons os deixam agir com esse fim.
253. Mas é necessário evitar atribuir à ação direta dos Espíritos todas as nossas contrariedades, que em geral são consequência da nossa própria incúria ou imprevidência. Certo dia um lavrador nos mandou escrever que há doze anos todas as desgraças caíam sobre os seus animais. Ora morriam as vacas e deixavam de dar leite, ora morriam os cavalos, os carneiros ou os porcos. Fez muitas novenas que não remediaram o mal, o mesmo se dando com as missas que mandou rezar e com os exorcismes que mandou fazer. Acreditou, então, segundo as superstições do campo, que haviam feito algum mal para os seus animais. Julgando-nos sem dúvida com maior poder de conjurar que o padre da sua aldeia, pediu-nos um conselho. Eis a resposta que obtivemos:
“A mortandade ou as doenças dos animais desse homem provêm dos seus currais infectados, que ele não manda limpar porque isso custa”.
254. Encerraremos este capítulo com as respostas dos Espíritos a algumas perguntas, vindo em apoio do que dissemos:
1. Por que certos médiuns não podem livrar-se de Espíritos maus que a eles se ligam, e como os Espíritos bons que eles chamam não têm força suficiente para afastar os outros e comunicar-se por seu intermédio?
– Não falta poder ao Espírito bom. É o médium que quase sempre não está em condições de auxiliá-lo. Sua natureza é mais adequada a outras relações, seu fluido se identifica mais com um Espírito do que com outro. É isso o que dá tamanha força aos que querem enganá-lo.
2. Parece-nos, entretanto, que há pessoas bastante meritórias, de moralidade irrepreensível, e não obstante impedidas de comunicar-se com os Espíritos bons.
– Não é uma prova. E quem te pode dizer que não trazem o coração um tanto manchado de mal? Que o orgulho não controla um pouco essa aparência de bondade? Essas provas revelam ao obsedado a sua fraqueza e devem incliná-lo para a humildade. Há alguém na Terra que se possa dizer perfeito? Aquele mesmo que tem todas as aparências da virtude pode ter ainda muitos defeitos ocultos, um velho fermento de imperfeição. Assim, por exemplo, dizes daquele que não pratica o mal, que é leal nas suas relações sociais: E um homem bom e digno! Mas sabes se essas qualidades não estão manchadas pelo orgulho? Se não há nele um fundo de egoísmo? Se ele não é avarento, invejoso, rancoroso, maledicente e muitas outras coisas que não percebes, porque as tuas relações com ele não te deram motivo a descobri-las? O meio mais poderoso de combater a influência dos Espíritos maus é aproximar-se o mais possível da natureza dos bons.
3. A obsessão que impede um médium de receber as comunicações que deseja é sempre um sinal de indignidade de sua parte?
– Eu não disse que se trata de um sinal de indignidade, mas que pode haver obstáculos a certas comunicações. Ele deve empenhar-se em vencer os obstáculos, que estão nele mesmo. Sem isso, suas preces e suas súplicas nada farão. Não basta a um doente dizer ao médico: Dá-me a saúde, quero passar bem. O médico nada pode, se o doente não faz o necessário.
4. A privação de comunicar-se com certos Espíritos seria uma espécie de punição?
– Em certos casos pode ser uma verdadeira punição, como a possibilidade de comunicar-se com eles é uma recompensa que deves procurar merecer. (Ver Perda e suspensão da mediunidade, n° 220).
5. Não se pode também combater a influência dos maus Espíritos orientando-os moralmente?
– Sim, mas é o que não se faz e não se pode deixar de fazer. Porque é frequentemente uma tarefa que foi dada e que devias cumprir caridosa e religiosamente. Por meio de bons conselhos pode-se levá-los ao arrependimento e apressar-lhes o adiantamento.
5-a. Como pode um homem ter mais influência, nesse caso, do que os próprios Espíritos?
– Os Espíritos perversos se aproximam mais dos homens, que procuram atormentar, do que dos Espíritos, pois destes se afastam o mais possível. Nessa aproximação aos humanos, quando encontram quem os tenta moralizar, a princípio não lhe dão ouvidos e até riem-se dele, mas depois, se este soube prendê-los, acabam por sentir-se tocados. Os Espíritos elevados só podem falar-lhes em nome de Deus, e isso os apavora. O homem não tem, é evidente, mais poder que os Espíritos superiores, mas a sua linguagem é mais acessível à natureza inferior, e vendo a influência que podem exercer os Espíritos inferiores, compreende melhor a solidariedade existente entre o Céu e a Terra. Além disso, o ascendente que o homem pode ter sobre os Espíritos está na razão de sua superioridade moral. Ele não domina os Espíritos superiores, nem mesmo os que, sem serem superiores, são bons e benevolentes. Mas pode dominar os Espíritos que lhe forem moralmente inferiores. (Ver n° 279).
6. A subjugação corpórea, em seu desenvolvimento, poderia levar à loucura?
– Sim, a uma espécie de loucura cuja causa é desconhecida do mundo, mas que não tem relação com a loucura ordinária. Entre os que são tratados como loucos há muitos que são apenas subjugados. Necessitariam de um tratamento moral, enquanto os tornam loucos verdadeiros com os tratamentos corporais. Quando os médicos conhecerem bem o Espiritismo, saberão fazer essa distinção e curarão maior número de doentes do que o fazem com as duchas. (Ver n° 221)
(12) Existe uma teoria psiquiátrica espírita que ressalta claramente deste livro. A falta de sua formulação precisa, e a rejeição do Espiritismo a grosso modo pelos psiquiatras e cientistas preconceituosos são responsáveis pelo atraso da Medicina nesse campo e pelos sofrimentos inenarráveis de milhares de vítimas. O médico Bezerra de Menezes, no livro “A Loucura Sob Novo Prisma”; o médico Ignácio Ferreira (Sanatório Espírita de Uberaba), com “Novos Rumos à Medicina”; e o médico KarI Wikland, da Faculdade de Medicina de Chicago (EUA), com “Trinta Anos Entre os Mortos”, provam, entre outros, a importância do tratamento psiquiátrico espírita. A parapsicologia favorece, atualmente, a compreensão do problema, pelos menos em termos anímicos. Vejam-se os livros de Jan Ehrenwaid, J. Eisenbud, A. Eilis e outros a respeito das influências parapsíquicas nas doenças mentais. (N. do T.)
7. O que se deve pensar dos que, vendo algum perigo no Espiritismo, julgam que o meio de evitá-lo seria proibir as comunicações espíritas?
– Se eles podem proibir a certas pessoas de se comunicarem com os Espíritos, não podem impedir as comunicações espontâneas a essas mesmas pessoas, pois não podem suprimir os Espíritos nem impedir que exerçam a sua influência oculta. Essa atitude se assemelha à das crianças que fecham os olhos e pensam que a gente não as vê. Seria loucura, só porque os imprudentes podem cometer abusos, querer suprimir uma coisa que proporciona grandes vantagens. O meio de prevenir os inconvenientes é, pelo contrário, fazer que a conheçam a fundo.
(13) Em seu livro “O Novo Mundo da Mente” (publicado em português como “O Novo Mundo do Espírito”, o prof. Joseph Banks Rhine declara: “Da coleção existente na Universidade de Duke, de mais de três mil casos de ocorrências psi espontâneas, selecionou-se uma centena de casos que sugerem a ação de certo agente espiritual, com muito maior força que qualquer outra explicação”. A professora Louise Rhine, em seu livro “Os Canais Ocultos da Mente”, esclarece melhor esse problema. O prof. Jan Ehrenwaid propõe em seu livro já citado o aprofundamento das pesquisas sobre infiltrações telepáticas nas sessões psicoanalíticas (aliás já verificadas e referidas pelo próprio Freud), e cita vários casos de sua experiência clínica, mencionando estudos de M. Ullman, Paderson-Krag, J. Merloo, G. Booth, Hans Bender, H. J. Urbain e outros a respeito. A influência espírita, como vemos neste livro, é da mesma natureza e já está sendo admitida pelos parapsicólogos como necessária para explicação de muitos casos, pois oferece a única explicação possível. Os próprios cientistas já estão compreendendo, portanto, que é preciso conhecer a fundo o problema colocado pelo espiritismo. (N. do T.)
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