Cataclismos Futuros

11. As grandes comoções da Terra têm-se produzido nas épocas em que a crosta sólida do planeta, em virtude da sua fraca espessura, quase não oferecia nenhuma resistência à efervescência das matérias incandescentes no seu interior. Tais comoções foram diminuindo de intensidade à proporção que aquela crosta se consolidava. Numerosos vulcões já se acham extintos, enquanto outros estão soterrados pelos terrenos de formação posterior.
Certamente ainda poderão produzir-se perturbações locais, por efeito de erupções vulcânicas, da eclosão de alguns vulcões novos, ou em virtude de inundações repentinas de algumas regiões; algumas ilhas poderão surgir do mar e outras ser por ele tragadas; mas o tempo dos cataclismos gerais já passou, como os que assinalaram os grandes períodos geológicos. A Terra adquiriu uma estabilidade que, sem ser absolutamente invariável, coloca doravante o gênero humano ao abrigo das perturbações gerais, a menos que intervenham causas desconhecidas, a ela estranhas e que de modo algum se possam prever.
N. T.: No dia 26 de dezembro de 2004, ondas gigantescas de até 12 metros de altura invadiram o litoral de doze países do sul da Ásia, especialmente a Indonésia, onde causaram maiores danos, mas se estendendo também à Oceania e à costa oriental da África. Chamadas de tsunami, tais ondas foram provocadas por um abalo sísmico submarino cujo epicentro ocorreu no oceano Índico, a 9.000 metros de profundidade, próximo à ilha de Sumatra, tendo atingido 9 graus na escala Richter e provocado, segundo estimativas da ONU, a morte imediata de 150.000 pessoas.
N. E.: Em 15/02/2013, cai na Rússia (região dos Montes Urais) um meteoro. A rocha, estimada em 10 toneladas, entrou na atmosfera e começou a se desfazer; a onda de choque causada por sua queda quebrou vidraças, balançou prédios, causando ferimentos em 1.100 pessoas. (Fonte: Jornal O Globo.)
12. Quanto aos cometas, estamos hoje completamente certos em relação à influência que exercem, mais salutar do que nociva, por parecerem destinados a reabastecer os mundos, se assim nos podemos exprimir, trazendo-lhes os princípios vitais que eles armazenam em sua corrida pelo espaço e na vizinhança dos sóis. Assim, pois, seriam antes fontes de prosperidade do que mensageiros de desgraças.
Por sua natureza fluídica, já bem comprovada (cap. VI, itens 28 e seguintes), não é mais de se temer um choque violento com o nosso planeta, porquanto, se um deles encontrasse a Terra, seria esta última que o atravessaria, como se passasse através de um nevoeiro.
N. E.: Hoje sabemos que o núcleo cometário é sólido, formado por gelo e rocha, e que um impacto direto com a Terra ou outro planeta qualquer poderia causar sérios danos.
Menos temível ainda é a cauda que arrastam, já que não passa do reflexo da luz solar na imensa atmosfera que os envolve, tanto assim que se mostra constantemente dirigida para o lado oposto ao Sol, mudando de direção conforme a posição deste astro. Essa matéria gasosa também poderia, em virtude da rapidez de sua marcha, formar uma espécie de cabeleira, semelhante ao rastro deixado no mar por um navio em marcha, ou à fumaça de uma locomotiva. Aliás, muitos cometas já se têm aproximado da Terra sem lhe causarem qualquer dano; e, em razão de sua densidade respectiva, a Terra exerceria sobre o cometa uma atração maior do que a dele sobre ela.
Somente resquícios de velhos preconceitos podem fazer que a presença de um cometa inspire terror.
Nota de Allan Kardec: O cometa de 1861 atravessou a órbita da Terra num ponto do qual esta se achava a uma distância de apenas 20 horas. A Terra esteve, portanto, mergulhada na atmosfera dele, sem que daí resultasse qualquer acidente.
13. Deve-se igualmente relegar entre as hipóteses quiméricas a possibilidade do encontro da Terra com outro planeta. A regularidade e a invariabilidade das leis que presidem aos movimentos dos corpos celestes tiram toda possibilidade de semelhante encontro.
N. E.: O movimento orbital dos planetas em torno do Sol é regido por três propriedades conhecidas como Leis de Kepler – 1ª. Lei: os planetas descrevem órbitas elípticas em torno do Sol, que ocupa um dos focos da elipse; 2ª. Lei: as áreas percorridas pelo raio vetor (reta que une um planeta ao Sol), são proporcionais ao tempo gasto em percorrê-las; 3ª. Lei: os quadrados dos tempos de revolução são proporcionais aos cubos dos semieixos maiores das órbitas.
A Terra, no entanto, terá um fim. De que maneira? Isso ainda pertence ao domínio das hipóteses; como, porém, ela ainda se acha longe da perfeição que pode alcançar e da ancianidade que lhe indicaria o declínio, seus habitantes atuais podem estar certos de que tal fato não se dará no correr do tempo em que eles vivem. (Cap. VI, itens 48 e seguintes.)
14. Fisicamente, a Terra teve as convulsões da sua infância; entrou agora num período de relativa estabilidade: na do progresso pacífico, que se realiza pelo retorno regular dos mesmos fenômenos físicos e pelo concurso inteligente do homem. Mas ainda está em pleno trabalho de gestação do progresso moral. Aí residirá a causa de suas maiores comoções. Até que a humanidade haja crescido suficientemente em perfeição, pela inteligência e pela prática das Leis divinas, as maiores perturbações serão causadas mais pelos homens do que pela natureza, isto é, serão antes morais do que físicas.

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