Auta de Souza

Auta de Souza
Auta de Souza

Auta de Souza nasceu em Macaíba, pequena cidade do Rio Grande do Norte, à 12 de setembro de 1876.
Sua curta existência na Terra foi assinalada por sofrimentos acerbos. Muito cedo conheceu a orfandade, e, ainda menina, assistiu a morte de um irmão querido vitimado pelas chamas. Aos quatorze anos, manifestaram-se os primeiros sintomas da tuberculose, que lhe roubou o viço em plena juventude e foi causa de sua morte, ocorrida a 7 de fevereiro de 1901, em Natal.
Essa sucessão de golpes dolorosos marcou profundamente a sua alma sensível de mulher, caracterizada por uma pureza cristalina, uma fé ardente e um profundo sentimento de compaixão pelos humildes, “cuja miséria tanto a comovia”. (H. Castriciano, Nota em Horto, 4ª edição, Natal, Fundação José Augusto, 1970).
O sofrimento veio burilar a sua inata sensibilidade, que transbordou em versos comovido e ternos, ora ardentes, ora tristes, lavrados à sombra da enfermidade, no cenário desolado do sertão de sua terra…
Educada no Colégio São Vicente de Paula, em Pernambuco, não teve formação literária mais vasta. Porém, laureando-se na escola da dor, fez-se intérprete fiel das emoções de todos os que sofrem resignadamente. Por esse motivo, sua poesia recebeu a consagração do carinho popular. Foi na alma do povo que seus versos encontraram a mais profunda repercussão.
Escreveu um único volume de poesias chamado HORTO, publicado e, 1900, pouco antes de sua morte, com prefácio de Olavo Bilac.
A primeira edição esgotou-se em dois meses, ocorrendo fato análogo com a segunda edição, em 1911. Até o presente, quatro edições do Horto vieram a público – a terceira prefaciada por Alceu Amoroso Lima, em 1936 e a última editada em 1970.
Todo o livro está impregnado do sentimento cristão que sempre a inspirou. No dizer de Alceu Amoroso Lima (prefácio da 3ª edição do Horto): Auta de Souza sofreu unida à Cruz do Cristo”.
A mesma simplicidade, a mesma fé, a mesma ternura que emanam dos versos escritos em Espírito, pelas mãos de Francisco Cândido Xavier, podem ser identificadas nos poemas da autora encarnada. Entre a lavra da jovem enferma e a da alma liberta, uma só diferença profundamente confortadora para quantos buscam o conforto sem a exclusiva preocupação de identificação de estilo, na existência física atormentada, é a ave cativa que conta seu anseio de liberdade, o coração resignado que busca no Cristo o consolo das bem-aventuranças prometidas aos aflitos da Terra; além do túmulo, é o pássaro liberto e feliz que, tornando ao ninho dos antigos infortúnios, vem trazer aos homens a mensagem de bondade e esperança, o apelo à Fé e à Caridade, indicando o rumo certo para a conquista da verdadeira vida.

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