Aumento e Diminuição do Volume da Terra

N.T.: Para mais detalhes, veja-se a Revista Espírita de setembro de 1868.
15. O volume da Terra aumenta, diminui ou permanece estacionário?
Alguns, para sustentar que o volume da Terra aumenta, se baseiam no fato de as plantas darem ao solo mais do que dele tiram, o que é verdade num sentido, mas não em outro. As plantas se nutrem tanto, e até mais, de substâncias gasosas que haurem na atmosfera, quanto das que sugam pelas raízes. Ora, a atmosfera faz parte integrante do globo; os gases que a constituem provêm da decomposição dos corpos sólidos, e estes, recompondo-se, retomam o que lhe deram. É uma troca, ou antes uma perpétua transformação, de tal sorte que o crescimento dos vegetais e dos animais se opera com o auxílio dos elementos constitutivos do globo, e os seus despojos, por mais consideráveis que sejam, não aumentam de um átomo a sua massa. Se, por essa causa, a parte sólida do globo aumentasse de modo permanente, seria à custa da atmosfera, que diminuiria de outro tanto e acabaria por se tornar imprópria à vida, se não recuperasse, pela decomposição dos corpos sólidos, o que perde pela composição deles.
Na origem da Terra, as primeiras camadas geológicas se formaram de matérias sólidas momentaneamente volatilizadas, por efeito da alta temperatura, e que, condensadas mais tarde pelo resfriamento, se precipitaram.
É fora de dúvida que elas elevaram um pouco a superfície do solo, mas sem acrescentar coisa alguma à massa total, visto que ali apenas havia um deslocamento da matéria. Quando a atmosfera, expurgada dos elementos estranhos que continha em suspensão, se encontrou em seu estado normal, as coisas tomaram o curso regular em que depois seguiram.
Hoje, a menor modificação na constituição da atmosfera acarretaria, forçosamente, a destruição dos habitantes da Terra, mas também é provável que novas raças se formassem noutras condições.
Considerada desse ponto de vista, a massa do globo, isto é, a soma das moléculas que compõem o conjunto de suas partes sólidas, líquidas e gasosas, é incontestavelmente a mesma, desde a sua origem. Se o globo experimentasse uma dilatação ou uma condensação, seu volume aumentaria ou diminuiria, sem que a massa sofresse qualquer alteração.
Portanto, se a Terra aumentasse de massa, seria por efeito de uma causa estranha, já que ela não poderia tirar de si mesma os elementos necessários ao seu aumento.
Há uma opinião segundo a qual o globo aumentaria de massa e de volume pelo afluxo de matéria cósmica interplanetária. Esta ideia nada tem de irracional, mas é hipotética demais para ser admitida em princípio.
Não passa de um sistema combatido por sistemas contrários, sobre os quais a Ciência ainda nada estabeleceu. Eis aqui, a tal respeito, a opinião do eminente Espírito que ditou os sábios estudos uranográficos inseridos no capítulo VI desta obra:
“Os mundos se esgotam pelo envelhecimento e tendem a dissolver-se para servir de elementos de formação a outros universos. Restituem pouco a pouco ao fluido cósmico universal do espaço o que dele tiraram para formar-se. Além disso, todos os corpos se gastam pelo atrito; o movimento rápido e incessante do globo através do fluido cósmico tem por efeito diminuir-lhe constantemente a massa, embora a mudança seja de quantidade inapreciável em determinado tempo”.
Nota de Allan Kardec: No seu movimento de translação em torno do Sol, a velocidade da Terra é de 400 léguas por minuto. Sendo de 9.000 léguas a sua circunferência, em seu movimento de rotação ao redor do seu eixo, cada ponto do equador percorre 9.000 léguas em 24 horas, ou 6,3 léguas por minuto.
“Em minha opinião, a existência dos mundos pode dividir-se em três períodos. — Primeiro período: condensação da matéria, período esse em que o volume do globo diminui consideravelmente, mas a massa conserva-se a mesma; é o período da infância. — Segundo período: contração, solidificação da crosta; eclosão dos germens, desenvolvimento da vida até a aparição do tipo mais aperfeiçoado. Nesse momento, o globo está em toda a sua plenitude; é a época da virilidade; ele perde, mas muito pouco, os seus elementos constitutivos. — Período de decrescimento material: À medida que seus habitantes progridem espiritualmente, ele passa ao período de decrescimento material; sofre perdas, não só em consequência do atrito, mas também pela desagregação das moléculas, como uma pedra dura que, corroída pelo tempo, acaba reduzida a poeira. Em seu duplo movimento de rotação e translação, ele entrega ao espaço parcelas fluidificadas da sua substância, até o momento em que se completa a sua dissolução”.
“Mas, então, como o poder de atração é diretamente proporcional à massa, não digo ao volume, diminuída a massa do globo, modificam-se as suas condições de equilíbrio no espaço. Dominado por globos mais poderosos, aos quais ele não pode fazer contrapeso, resultam daí desvios nos seus movimentos e, portanto, profundas mudanças nas condições de vida em sua superfície. Assim, nascimento, vida e morte; ou infância, virilidade, decrepitude, tais são as três fases por que passa toda aglomeração de matéria orgânica ou inorgânica. Só o Espírito, que não é matéria, é indestrutível.”
Galileu, Sociedade Espírita de Paris, 1868.
N. E.: Ver Nota Explicativa, p. 361.

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