Espírito de justiça

Cairbar Schutel
Cairbar Schutel

Um dos principais fatores da ordem é a justiça.
Quando a justiça cambaleia, a humanidade desarmoniza-se, as nações periclitam.
Procurai a causa dos grandes males sociais e logo encontrarei o predomínio da injustiça como o seu fator supremo.
Onde a justiça não impera, domina a anarquia, e na anarquia não há ordem, não há sabedoria, não há virtudes: a ordem é a revolta, a sabedoria é a confusão de idéias, a virtude é a exaltação do forte subjugando o fraco.
A justiça é a base da civilização, é a ordenadora da fraternidade, na família, na sociedade, na nação. Todas as empresas que se divorciam dos princípios de justiça não podem prevalecer.
A falta de justiça desequilibra o cérebro e endurece o coração, pois não pode haver verdadeiro raciocínio e generosos sentimentos onde a mentira e a falsidade, envergando a toga, dirigem as sociedades.
Qual a causa do mal-estar e da confusão que se observa em toda a parte, senão a ausência dos princípios de justiça que mantêm os nossos sagrados direitos? E a renúncia da Justiça não pode deixar de ser obra das religiões dominantes que proclamam o poder de um “deus” injusto, cruel e dissolvente que se compraz em galardoar os maus e a oprimir a virtude. Erguido o mundo sob as bases de uma única existência na Terra, em que o sacerdócio dita leis obsoletas para a salvação, sem explicação satisfatória do motivo da diversidade de seres e condições que assinalam a desigualdade social, arvorando o determinismo da injustiça que domina a pobre humanidade, como poderia despontar nas inteligências os deveres de equidade e de justiça, para o respeito ao forte e o auxílio ao fraco, que produziriam, sem dúvida, o equilíbrio social, início dos elevados surtos para melhores destinos que esperam?
Uma das maiores lutas que Jesus sustentou na Terra foi contra as injustiças que dominavam a sua época.
Como, atualmente, os dirigentes dos povos e os guias das almas, sacrificavam, então a justiça aos títulos honoríficos, ao privilégio de castas, de raças, de família.
Foi o que levou o Nazareno a dizer aos seus ouvintes: “se a vossa justiça não exceder a dos escribas e fariseus, de modo algum entrareis no reino dos céus”.
Se a “salvação dos povos é a suprema lei” só os princípios de justiça poderão servir de sólidas bases para a construção desse monumento sagrado.
É preciso que desde o berço o homem seja iluminado com a luz da justiça, única capaz de desdobrar aos seus olhos os horizontes em que tem de agir para bem cumprir seus deveres.
A mocidade sem os princípios de justiça há de sempre ser bastarda no desempenho de suas obrigações, assim como nenhum respeito assiste à velhice sem ideal e sem esperanças que, enraizada na injustiça, só se vê resvalar para o túmulo, onde o nada é a sua última ilusão!
Equilibre-se o mundo no eixo da Justiça que sabe orientar com amor e, muito em breve, surgiremos num novo céu, como uma nova terra nos aparecerá, movimentando-se sob os suaves influxos das leis naturais regidas pelo Supremo Arquiteto do Universo.

Cairbar Schutel

O Clarim de 22 de fevereiro de 1930.
Republicado na edição de agosto de 2003.

Topo
Índice
Início

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: