A besta e os seus caracteres

CAPÍTULO XIII

Chegamos ao capítulo XIII, chamado, pelo vidente, o capítulo da SABEDORIA, porque, para sua interpretação, não basta o auxílio da inspiração; é preciso estudo, conhecimento amplo, preciso, nítido das Escrituras e da História.
BESTA, em linguagem bíblica, significa O PODER INFERIOR, A FORÇA MATERIAL sobrepujando todos os direitos e sufocando todos os nobres sentimentos; é a DEIFICAÇÃO de um HOMEM, para quem se voltam todas as vistas e diante do qual todas as cabeças se curvam.
A história de Nabucodonosor é um exemplo frisante da BESTIALIDADE guindada ao “poder supremo”.
O seu SONHO, (Daniel, II) que representa a sua própria pessoa alçada às culminâncias do PODER, dá a ideia perfeita da BESTA, expressão empregada, pelos profetas, para significar o absolutismo e a ignorância impondo leis e costumes, que só dominavam com o auxílio da FORÇA ARMADA.
No “livro de DANIEL”, este profeta, em suas visões, vê diversas BESTAS, uma que encarna os reis da Média e da Pérsia, outra que encarna o rei da Grécia, esta última representada por um BODE PELUDO. – Daniel, VIII, 21.
A BESTA é sempre um sinal da violência, do poder despótico.
Na idade média, eram chamados BESTAS, os instrumentos de GUERRA. Havia a BESTA DE GARRUCHA, com que se despediam garrochas, virotões, (setas curtas); a do BODOQUE, que servia para atirar balas de barro; a do PELOURO, com que se atiravam balas de chumbo; a do ESCORPIÃO, que arremessava setas ervadas com heléboro, uma erva venenosa, chamada, em Portugal, erva besteira.
Os soldados da idade média chamavam-se BESTEIROS, e se dividiam em besteiros da câmara, besteiros de cavalo, besteiros de garrucha, besteiros de fraldilha, besteiros do mar, besteiros do monte e besteiros do conto.
Estes últimos eram os besteiros arrolados, fornecidos pelos municípios, sendo, cada corpo de tropas, comandado pelo seu anadel (capitão de besteiros) e todos eles pelo anadelmor, e que, usando da BESTA, formavam, em Portugal, uma milícia semelhante à dos Yeomin ingleses, que também eram as bestas das comunas.
Traduzida, pois, a expressão enfática “BESTA”, que designa o PODER DAS TREVAS, em linguagem evangélica, vamos iniciar a tradução do capítulo, que sintetiza, pode-se dizer, todo o Apocalipse.
É pena que não pudéssemos obter um exemplar da obra “SPACIO DELA BESTIA TRIONFANTE” (Expulsão da Besta Triunfante), do inolvidável Giordano Bruno, livro que só conhecemos de nome, mas que dizem ser a sua mais famosa obra, que explica, antecipadamente, o motivo por que a Igreja o mandou queimar no dia 17 de fevereiro de 1600.
Mas entremos no assunto, sem nos esquecermos de que o cap. XIII acha-se intimamente ligado ao cap. XVII.
No cap. XIII, o vidente vê desenrolar-se ante seus olhos o quadro das BESTAS com todos os seus feitos.
No cap. XVII, UM DOS SETE ANJOS dá ao profeta a interpretação da sua visão.
Recomendamos a leitura de ambos os capítulos, para boa compreensão do estudo que fazemos.

A PRIMEIRA BESTA

“O vidente vê sair do MAR uma BESTA que se assemelha muito ao DRAGÃO. Tem sete cabeças e dez chifres; em cada cabeça um nome de blasfêmia. (1) – Apocalipse, XIII, 1.
A BESTA é semelhante ao LEOPARDO; (2) mas os seus pés são de URSO, a boca de LEÃO, e o DRAGÃO deu-lhe o seu poder e o seu trono e grande poderio. (2) – Apocalipse, XIII, 4 e 5.
Uma BESTA surge do MAR; é esta que, em primeiro lugar, procuramos decifrar; a outra surge da TERRA.
A expressão MAR não significa – “a grande massa de água salgada que cobre aproximadamente três quartas partes do globo terráqueo”; – foi empregada pelo profeta em sentido figurado, e é uma alusão aos povos, às nações, que haviam de dar importância à BESTA, que, como veremos, depois adotou o título de UNIVERSAL, CATÓLICA.
No versículo 15 do cap. XVII do Apocalipse, quando o vidente escreve a explicação que o anjo lhe dá, explica bem o seu pensamento: “as ÁGUAS QUE VISTE, onde está sentada a prostituta, SÃO POVOS E MULTIDÕES, NAÇÕES E LÍNGUAS”.
As “SETE CABEÇAS”, diz o anjo no capítulo XVII, 9 e 10, “são sete montes sobre os quais está sentada a MULHER”. “São também sete reis; cinco caíram, um está, e o outro não veio ainda, e, quando vier, durará pouco tempo”.
E, no versículo seguinte, acrescenta: “E a besta, que era e já não é, é também o OITAVO REI e É UM DOS SETE e vai ser a perdição”.
Estes trechos fazem já descortinar, às nossas vistas, a grande cidade de ROMA, pois é a única no mundo fundada sobre sete montes: Capitolino, Palatino, Aventino, Coelio, Esquilino, Quirinal e Viminal.
Os SETE REIS devem ser as sete formas de governo que se sucederam em ROMA:
1a.) Monarquia Primitiva, ou o período de domínio dos sete reis: Rômulo, Numa Pompílio, Tulo Ostílio, Anco Márcio, Tarquínio Prisco, Sérvio Túlio e Tarquínio, o Soberbo.
2a.) República Aristocrática, em que governam os cônsules e senadores.
3a.) República Democrática, em que, ao lado dos senadores, havia os tribunos do povo, os quais tinham o direito de recusar as leis do Senado, quando eram prejudiciais ao povo.
4a.) O Triunvirato: o de César, Pompeu e Crasso, (que formam o 1.ª triunvirato); e o de Otávio, Antônio e Lépido (que formam o 2.ª triunvirato).
5a.) A Ditadura, forma de governo que por várias vezes imperou em Roma.
6a.) O Império Romano, que teve início no ano 29 antes de Cristo, do qual foi primeiro imperador Lépido, um dos membros do 2.ª triunvirato, recebendo do Senado o nome de Augusto.
7a.) Reino da Itália, proclamado por Odoacro, no ano de 475, e o reinado posterior da Casa de Saboia.
O OITAVO REI, de que fala o versículo 11, do citado capítulo XVII, não pode ser outro senão o PAPADO, “QUE É DOS SETE”, diz o texto. – Ora, o PAPA, intitulando-se REI DOS REIS, como o fazia, e usando sobre a sua cabeça a tríplice coroa de ouro com brilhantes, é REI, e o É DOS REIS; reveste-se dos característicos de que fala São João.
Mas continuemos o nosso estudo; já interpretamos o mistério das sete cabeças; vamos tratar agora dos DEZ CHIFRES.
Estes são, forçosamente, as DEZ NAÇÕES, que já tinham aparecido no tempo em que São João recebeu a palavra profética de que nos ocupamos, as quais, depois do desmembramento do Império Romano, agiram de acordo com o PAPADO:
1a.) A França, que até 1870 conservou um exército em Roma para proteger o Papa.
2a.) A Espanha que foi um dos braços fortes da Inquisição, e que, até hoje, obedece à política de Roma.
3a.) Portugal, com as suas colônias, foco do fanatismo romano.
4a.) A Inglaterra, onde tanto sangue foi derramado por ocasião da reforma protestante.
5a.) A Itália, berço do Vaticano.
6a.) A Alemanha e suas possessões, onde, por ordem do Papa Eugênio IV, foram queimados, em um palheiro, mil partidários de João Huss.
7a.) A Áustria-Hungria, (1) que tanta força tem dado ao Papado.
(1) – Lembremo-nos de que o autor trata dos acontecimentos de acordo com a situação política das nações, na época, situação essa hoje bastante modificada.
8a.) A Rússia.
9a.) A Grécia.
10a.) A Península Escandinava, compreendendo a Suécia e a Noruega.
Foi sobre essas ÁGUAS: “povos, nações e línguas”, (2) que Roma assentou o seu poder e dominou pelo ferro e pelo fogo, como todos sabem. (Leia-se a “História dos Papas” e a “História de Roma”).
(2) – Apocalipse, XVII, 15.
Continuemos o estudo do capítulo XIII: “vi uma de suas cabeças como que ferida de morte, e a sua chaga mortal foi curada, e toda a Terra se maravilhou após a besta; adoraram o dragão que deu à besta o seu poder, dizendo: QUEM É SEMELHANTE A BESTA? QUEM PODERÁ BATALHAR CONTRA ELA?” (3) – Apocalipse, XIII, 4.
A cabeça ferida de morte, e depois curada, é o brado da REFORMA, com as teses afixadas em 31 de outubro de 1517, na principal igreja de Wittenberg, por Martinho Lutero, e a repercussão produzida no mundo pela audácia do grande reformador, que foi seguido por muitos outros, e precedido por homens eminentes que não cessavam de criticar os dogmas absurdos de Roma e a sua ação nefasta, sustentada pelos reis e imperadores.
É Wycliffe, é João Huss, Erasmo e tantos outros que lhes seguiram as pegadas, – Melanchthon, Farel, Calvino, etc… etc…
O último trecho do versículo, que imprimimos com caracteres maiúsculos, é sempre repetido pelos padres e pelos católicos: quando se lhes observa o erro do papado e caducidade de suas doutrinas, eles bradam com todas as suas forças: – QUAL RELIGIÃO É SEMELHANTE À CATÓLICA? QUEM PODERÁ LUTAR CONTRA ELA, QUE SEMPRE FOI BATIDA, MAS NUNCA FOI VENCIDA?
Mas os padres ignoravam talvez que “a boca que lhes fora dada, para falar grandezas e blasfêmias”, (1) não duraria mais de 42 meses.
O poder “para fazer guerra aos santos e vencê-los, e para DOMINAR toda a língua, tribo, nação”, (2) não se podia estender ao infinito; o mal não se pode eternizar; só Deus e a sua Lei são eternos.
Mas procuremos a interpretação dos 42 MESES FATAIS, anunciados por São João. Já dissemos que a linguagem apocalíptica é ordenada de alegorias, catacreses, metáforas; O Evangelho, em geral, é cheio de PARÁBOLAS edificantes, para prender melhor a nossa imaginação e nos obrigar a raciocinar, a estudar a parte esotérica, ou interior, espiritual.
É assim que devemos interpretar meses de trinta anos, em vez de meses de trinta dias, os referidos pelo profeta.
O calendário tem variado segundo os tempos e os povos. Por exemplo: o calendário dos romanos, importado dos sabinos e dos albanos, tinha, primitivamente, 304 dias, distribuídos por 10 meses. Numa Pompílio reformulou esse calendário, instituindo um ano de 355 dias, juntando, aos meses antigos, mais dois: januarius e februarius, e acrescentando (para harmonizar o ano lunar com o ano solar), de dois em dois anos, um mês suplementar a que chamou mercedonius ou mercidinus, que foi colocado entre februarius e maius. Júlio César suprimiu esse mês suplementar e estabeleceu o ano de 365 dias. O mesmo tem acontecido com a contagem do tempo em meses, dias e horas, etc…
As semanas de Daniel, por exemplo, eram de sete anos cada uma. Os Egípcios contavam, antigamente, um dia – Um ano. Depois, chamaram ano a uma só idade da lua, ou mês.
Mesmo no catolicismo romano há o DIA ARTIFICIAL; assim se chama o momento em que o Sol aparece no horizonte e há luz para os tratos e ofícios religiosos.
As HORAS DOS HEBREUS abrangiam, cada uma, três das nossas, AS HORAS DO ANO são as quatro estações, cada uma de três meses; inverno, primavera, estio, outono. Por isso Homero (como explica Eustáquio) introduz quatro deusas HORAS na sua Ilíada, as quais tinham por ofício: duas fechar o Ano, desde que os dias mínguam, e duas abri-lo, desde que crescem.
Contando, pois, como dissemos, um dia apocalíptico por um ano, temos 30 x 42 = 1260 anos, que correspondem, justamente, aos 1260 dias, também de anos, tempo este predito pelo profeta no cap. XII, a acerca da fuga da mulher para o deserto, onde Deus lhe havia preparado um lugar para ser alimentada.
Newton, que escreveu um livro sobre as PROFECIAS DE DANIEL, que, como o Apocalipse, diz serem as BESTAS os inimigos do Reino de Deus, fez estudos elucidativos dessas ALIMÁRIAS, baseado na lista dos eclipses notados por Ptolomeu, e, estendendo-se em largas considerações astronômicas, citou o testemunho de muitos historiadores antigos, que trataram dos anos lunares e dos anos solares, nas suas interpretações bíblicas. É argumento deles que, tendo Deus “criado o sol e a lua para iluminarem a Terra, aquele para GOVERNAR o dia, e a outra para GOVERNAR a noite”, (1) o tempo poderia ser contado como ano solar ou lunar. (1) – Gênese, de Moisés cap. I, 14 a 16.
E dessas deduções fazem considerações sobre as velhas bestas que representam o Reino Babilônico, o Império Medo-persa, etc…
Mas continuemos a análise dos 120 dias do ano, e examinemos se, com efeito, não foi esse o período em que o PAPADO exerceu toda a soberania.
A História narra o surgimento do PAPADO no sétimo século, justamente no ano de 610 depois de Cristo. No ano 607, o Imperador Focas elevou o Papa ao supremo poder, mas só em 610, e, daí em diante, é que ele pôde exercer amplamente a sua supremacia. De 607 a 1866, temos exatamente, 1260 anos solares. Em 1866, como se sabe, acentuou-se uma ação terrível, em toda a parte, contra as doutrinas da IGREJA ROMANA e o PAPADO, o que fez estremecer os alicerces de Roma.
Com o intuito de reforçá-los, Pio IX reuniu um Concílio, que decretou, em 1870, a INFALIBILIDADE DO PAPA. (2) No dia imediato, foi declarada a guerra franco-alemã. Em consequência da derrota da França, as tropas francesas, que guardavam Roma, servindo de braço forte ao Papa, foram retiradas e, no dia 20 de setembro, as tropas de Victor Emmanuel entraram em Roma e despojaram o Papa do seu PODER TEMPORAL. (2) – “Roma e o Evangelho”, discurso do Bispo Strossmayer.
Interessante é que Focas, assassinado por ordem de Heracílio, morreu a 5 de outubro do ano de 610, e, dessa data a 1870, temos justamente 1260 anos. São coincidências estas, mas que também concordam com as profecias apocalípticas que estamos estudando.

A OUTRA BESTA

O primeiro aspecto que o vidente nos apresenta a outra BESTA, “que subiu da terra”, (1) já nos dá a pensar na COMPANHIA DE JESUS – OS JESUÍTAS. (1) – Apocalipse, XIII, 11.
“Ela tem dois chifres SEMELHANTES AO DO CORDEIRO, mas fala como o DRAGÃO”. Já dissemos ser o chifre o símbolo da força. No CORDEIRO o vidente viu sete chifres, que indicam todo o PODER, que aquele possui no mais alto grau.
Nesse OUTRO CORDEIRO (1), o profeta só vê DOIS CHIFRES, que podem representar os dois poderes, na aparência, distintos, mas que encarnam ambos a mesma ideia de domínio: PADRES E FRADES. – Nós vemos o Papa negro e o Papa branco, ALIMÁRIAS que se reforçam mutuamente. – Apocalipse, XIII, 11.
A outra BESTA surgiu do mar, mas esta surgiu da terra. Vamos procurar, pois, o seu nascimento, ou melhor ainda, o seu “surgimento”.
Diz a História que Inácio de Loiola, depois de ter fraturado a perna direita no cerco de Pamplona, vendo esvair-se os seus sonhos de glória militar, iniciou a leitura da “VIDA DOS SANTOS”, livro que lhe trouxeram, no seu leito de dor. Esse livro o impressionou tão vivamente que não tardou ele, Inácio de Loiola, a ter visões e êxtases.
Maravilhado pelo que via, dedicou-se ao estudo da “Teologia Católica”, e fundou, a 15 de agosto de 1534, a COMPANHIA DE JESUS.
Lutero já havia dado começo ao seu movimento reformatório, e Inácio de Loiola, concebendo o projeto de fortalecer o Catolicismo, assegurando-lhe o império sobre as almas, não relutou em pôr mãos à obra, obtendo do papa Paulo III, pela bula Regimini militantis Eclesia, datada de 17 de setembro de 1540, o reconhecimento da referida Companhia. Diz a História que “quando Loiola, Lainez e Lefevré apresentaram, ao Papa, os estatutos da ordem que queriam fundar, este ficou encantado pelo seu zelo e, sobretudo, pelo voto que eles faziam de se colocarem inteiramente à disposição da Santa Sé.”
Essa BESTA que “exerce todo o poder da primeira BESTA na sua presença e faz que a Terra e os que nela habitam adorem a primeira Besta, cuja chaga mortal foi curada, e faz grandes sinais e engana os habitantes da Terra”, (1) não pode ser mesmo outra senão o JESUITISMO. – Apocalipse, XIII, 11-14.

A sua semelhança com o CORDEIRO vem do nome de Jesus, que ela adotou, mas se diferencia do Senhor, porque fala como o DRAGÃO.
Os versículos 16 e 17 dizem: “E faz que todos, pequenos e grandes, ricos e pobres, livres e servos, ponham um sinal na sua mão direita ou nas suas testas, e que ninguém possa comprar ou vender senão aquele que tiver o sinal, ou nome da besta, ou o número do seu nome”.
E conclui o evangelista com o seguinte trecho: “Aqui há sabedoria.
Aquele que tem entendimento conte o número da besta, porque é o NUMERO DE UM HOMEM; e o seu número é 666″. (1) – Apocalipse, XIII, 18.
OS SINAIS APOCALÍPTICOS E O NÚMERO 666 A RELIGIÃO ROMANA é uma instituição em que predominam o SÍMBOLO E O MISTÉRIO.
Todos os seus sacramentos são sinais: o batismo é um sinal (diz o catecismo); a crisma é um sinal; o casamento é um sinal; enfim, todos os seus ritos não passam de sinais dos dogmas decretados pelos papas e pelos concílios, dogmas que têm por explicação final: MISTÉRIO!
O próprio “deus” concebido pelo Catolicismo de Roma não passa de um MISTÉRIO. “Em Deus há três pessoas, que formam o MISTÉRIO da Santíssima Trindade”, diz o Catecismo.
Sendo os MISTÉRIOS diversos, os SINAIS também são muitos, para que cada sinal possa representar um mistério.
Assim, temos o batismo, com um sinal na cabeça (a água); a crisma, com um sinal na face; e o casamento, com um sinal na mão, e assim por diante. Por sua vez os sacerdotes são assinalados na cabeça – a tonsura – para representar a auréola da santidade; os graduados, como os cônegos, monsenhores, bispos, trazem o anel na mão direita. E, para que possam exercer o seu comércio, quer dizer, as suas relações religiosas, é indispensável o SINAL. Por exemplo: um homem ou mulher que não sejam batizados ou não sejam católicos romanos não podem participar dos sacramentos, nem mesmo indiretamente, como para batizar uma criança.
O que não tiver ordens, anel ou tonsura, não pode ministrar as “graças de Deus”. “É preciso ter o nome da BESTA ou o seu número”, diz o cap. XIII, 17.
Dito isto, passemos a esquadrinhar, com ESPÍRITO de sabedoria, o número 666, que é portador de grandes revelações.
Sendo ROMA a única cidade no mundo assentada sobre sete montes, e afirmando o anjo que “as sete cabeças são os sete montes sobre que está sentada a mulher”, (1) vamos a ver se ela tem o número fatídico, visto pelo profeta. (1) – Apocalipse, XVII, 9 e 10.
ROMA, em hebraico, é ROMIITH. Se aproveitarmos as letras-algarismos, usadas em hebraico, e as somarmos, verificaremos que coincidem, exatamente, com a vidência do apóstolo.
Assim:
R O M I I TH
200 + 6 + 40 + 10 + 10 + 400 = 666
Mas S. João acrescenta que o número da BESTA é número de um homem (2).
(5) – Apocalipse, XIII,18.
Ora, ninguém ignora que o PAPA se intitula: VICARIVS GENERALIS DEI IN TERRIS: VICARIVS FILII DEI; DVX CLERI, (que significam: Vigário Geral de Deus na Terra; Vigário do Filho de Deus, Príncipe Chefe do Clero).
Aproveitando, em cada um desses títulos as letras que têm valor como algarismos romanos (desprezadas as mais), temos, do primeiro:
V I C I V L I D I I I
5 + 1 + 100 +1 + 5 + 50 + 1 + 500 + 1 + 1 + 1 = 666
Do segundo:
V I C I V I L I I D I
5 + 1 + 100 + 1

5 + 1 + 50 + 1+ 1 + 500 +1= 666
Do terceiro:
D V X C L I
500+5 + 10+100+50+1=666
Também ninguém ignora que o idioma que a Igreja de Roma usa, em todos os seus atos oficiais, é o latino, e S. Irineu, discípulo de Policarpo, lembra o nome grego LATEINOS, isto é, latino, como satisfazendo plenamente a interpretação do enigma 666, proposto por S. João.
L A T E I N O S
30 + 1 + 300 + 5 + 10 + 50 + 70 + 200 = 666
E já que analisamos o alfabeto grego para a interpretação da numeração apocalíptica, não nos esqueçamos de que TEITAN (grego) significa SATANÁS, e a soma das letras daquela palavra dá 666.
T E I T A N
300+5+10+300+1+50=666
Satanás é uma expressão bíblica, que longe de intitular um ente eternamente devotado ao mal, quer dizer adversário, inimigo do Bem, da Verdade.
Que o Catolicismo, com os seus dogmas, cultos e mistérios, é o Teitan (adversário) do Cristianismo, ninguém ousará negar. E como a soma dos números-letras do Papado dá o mesmo produto, ou representa a mesma cousa que os de TEITAN…
É interessante, ainda, a coincidência que se dá com a palavra ROMA, cujas letras estão colocadas em sentido inverso da palavra AMOR.
Quereria o “destino”, em sua sábia previdência, demonstrar que ROMA, apesar de se inculcar DIVINA, seria o inverso, a antítese da Divindade?

Por Cairbar SchutelPrimeira edição deste livro ocorreu no dia 21 de setembro de 1918.

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