Poeta brasileiro, nascido no Rio de Janeiro, em 17 de fevereiro de 1845, e desencarnado em Lisboa com 53 anos de idade. Foi jornalista, comediógrafo e diplomata. Entre suas obras, Carimbos, Noturnos, Lírica, etc., sobressai Sonetos e Rimas, que ainda hoje se lê com encanto. Foi membro da Academia Brasileira de Letras.
Soneto
Na escuridão dos anos procelosos,
Da velhice nos dias mal vividos,
Eu quisera voltar aos tempos idos
Da juventude, aos tempos bonançosos.
Mal podia julgar que inda outros gozos
Mais sublimes que aqueles já fruídos,
Nas esteiras de prantos esquecidos,
Acharia nos céus maravilhosos.
Pairar no Além!… volver ao lar primeiro,
Ressurgido em perene mocidade,
Clarão de paz ao pobre caminheiro!
No limiar das amplidões da Altura
Penetrei, vislumbrando a Imensidade,
Soluçando empolgado de ventura.
Voltando
Após a longa e frígida noitada
Da existência no mundo de invernia,
Busquei contente a paz que me sorria
No fim da áspera senda palmilhada.
Voltei. Nova era a vida, nova a estrada
Que minh’alma extasiada percorria;
Divinal era a luz que resplendia,
Em revérberos lindos de alvorada.
De volta, e os mesmos seres que me haviam
Ofertado na Terra amores santos,
Envoltos em ternuras e em carinhos,
Novamente no Além me ofereciam
Lenitivo às agruras dos meus prantos,
Nas carícias risonhas dos caminhos.
Luiz Guimarães Junior (Espírito).