Comunhão de pensamento

Comunhão vem do latim communio, que quer dizer, sociedade, participação mútua, e, segundo Cícero, parentesco, relações comuns de opiniões e crenças.
Pensamento é ato particular do Espírito, ou uma operação de inteligência.
Comunhão de pensamento é, portanto, participação do Espírito.
Comungar vem da palavra communicare, comunicar, conversar, participar, corresponder-se. O Pe. Manuel Bernardes diz:
A confiança com que os santos da Terra se comunicam com os santos do Céu.
Garret diz: Comungava silenciosamente comigo nestas graves meditações.
Comungar em pensamento é ter o mesmo modo de pensar: a mesma crença religiosa, científica, política ou literária.
Os homens de ciência têm a sua exegese implacável; os literatos estão sujeitos a certas e determinadas regras; os políticos têm a sua comunhão exclusivista, e o sectarismo religioso a sua comunhão de pensamento intolerante, como se depara em nossos dias.
Mas o homem verdadeiramente religioso, discípulo de Jesus, deve comungar em pensamento com o seu Mestre.
Por isso é que o Nazareno assim se expressou: A prendei de mim que sou humilde e manso de coração; tomai o meu jugo e o meu fardo; sede um comigo, assim como eu sou um com o Pai Celestial: eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida; só por mim ireis ao Pai.
Se comungamos em pensamento com Jesus, estamos na Caridade, Deus Caritas est, e Deus nos dá a graça da sabedoria do Céu.
Para que comunguemos com os homens, em pensamento, é preciso que os homens comunguem em pensamento com Jesus.
Só em Jesus encontramos a força para domar as nossas paixões, só ele tem a Verdade que esclarece, a Vida que alimenta; só nele vemos o Caminho que nos conduz a Deus.
E para comungar em pensamento com Jesus é preciso estudar seus ensinamentos e pôr em prática suas ordenações.
A humildade, o estudo, o trabalho, o raciocínio, a boa vontade, a prece, são os elementos indispensáveis para chegarmos ao Mestre e com ele aprendermos a ser humildes e mansos de coração, para podermos desvendar as maravilhas da Vida Eterna!

Cairbar Schutel, do livro Parábolas e Ensinos de Jesus, 1ª Edição – 1928.

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