Alphonsus de Guimarães

AFONSO Henrique da Costa Guimarães, poeta mineiro, natural de Ouro Preto. Nasceu aos 24 de julho de 1870 e desencarnou em 15 de julho de 1921. Magistrado, jornalista e poeta, notabilizou-se principalmente pela tonalidade mística do seu astro, qual se afirma em suas obras: Dona Mística, Septenário das Dores, Kiriale, Escada de Jacob, etc.

Aos crentes

Ó crentes de uma outra vida,
Que andais no mundo exilados,
Nos caminhos enevoados,
Lendo o missal da amargura!

Esperai a sepultura,
Ó crentes de uma outra vida! …

Tangei harpas de esperança,
Nas lutas de vossa esfera,
Porque a Morte é a primavera
Luminosa, eterna e imensa…

Filhos da paz e da crença
Tangei harpas de esperança!…

Redivivo

Sou o cantor das místicas baladas
Que, em volutas de flores e de incenso,
Achou, no Espaço luminoso e imenso,
O perfume das hóstias consagradas.

Almas que andais gemendo nas estradas
Da amargura e da dor, eu vos pertenço,
Atravessai o nevoeiro denso
Em que viveis no mundo, amortalhadas.

Almas tristes de freiras e sórores,
Sobre quem a saudade despetala
Os seus lírios de pálidos fulgores;

Eu ressurjo nos místicos prazeres,
De vos cantar, na sombra onde se exala
Um perfume de altar e misereres…

Sinos

Escuto ainda a voz dos campanários
Entre aromas de rosas e açucenas,
Vozes de sinos pelos santuários,
Enchendo as grandes vastidões serenas…

E seguindo outros seres solitários,
Retomo velhos quadros, velhas cenas,
Rezando as orações dos Septenários,
Dos Ofícios, dos Terços, das Novenas…

A morte que nos salva não nos priva
De ir ao pé de um sacrário abandonado,
Chorar, como inda faz a alma cativa!

Ó sinos dolorosos e plangentes,
Cantai, como cantáveis no passado,
Dizendo a mesma Fé que salva os crentes!

Santa Virgo Virginum

Sobe da Terra, em ondas luminosas,
Um turbilhão de vozes e delírios,
Buscando-vos nas Luzes Harmoniosas,
Oh! Virgem da Pureza e dos Martírios!

Imagens de turíbulos e rosas
Aromatizam todos os empíreos…
Há na Terra canções maravilhosas
Entre as luzes e as lágrimas dos círios.

Senhora, o mundo inteiro vos festeja,
Em magnificência ampla e radiosa,
Nos altares simbólicos da Igreja!

Eis, porém, que vos vejo nos caminhos,
Onde a vossa virtude carinhosa
Consola e ampara os fracos pobrezinhos…

Alphonsus de Guimaraens (Espírito)

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