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Lamennais – Os Messias do Espiritismo

A vinda do Cristo restabeleceu vossa Terra aos sentimentos que, por um instante, a submeteram à vontade de Deus; mas os homens, cegados por suas paixões, não puderam guardar em seu coração o amor ao próximo, o amor ao Senhor do céu. O enviado do Todo-Poderoso abriu à Humanidade o caminho que conduz à morada bem-aventurada; mas a Humanidade recuou do passo imenso que o Cristo a tinha feito dar; ela caiu no trilho do egoísmo, e o orgulho a fez esquecer-se de seu Criador.
Deus permite que, uma vez ainda, sua palavra seja pregada na Terra e tereis a glorificá-lo daquilo que consentiu vos chamar, os primeiros, a crerem o que mais tarde seria ensinado. Regozijai-vos, porque os tempos estão próximos em que essa palavra se fará ouvir. Melhorai-vos, aproveitando os ensinamentos que ele nos permite vos dar.
Que a árvore da fé, que toma neste momento raízes tão vivazes, traga seus frutos; que esses frutos amadureçam como amadurecerá a fé que anima hoje alguns dentre vós!
Sim, meus filhos, o povo caminhará mais depressa na nova mensagem anunciada pelo próprio Cristo, e todos escutarão essa divina palavra, porque nela reconhecerão a linguagem da verdade e o caminho da salvação. Deus que nos permitiu esclarecer e sustentar vossa caminhada até esse dia nos permitirá ainda vos dar as instruções que vos são necessárias.
Mas vós também que fostes os primeiros favorecidos pela crença, tendes vossa missão a cumprir; tendes que trazer aqueles, dentre vós, que duvidam ainda dessas manifestações que Deus permite; tereis que fazer luzir, aos seus olhos, os benefícios que tanto vos tem consolado; porque, em vossos dias de tristeza e de abatimento, vossa crença não vos sustentou; não fez nascer em vosso coração essa esperança que, sem ela, teríeis ficado no desencorajamento?
Será aí que será preciso partilhar com aqueles que não creem ainda, não por uma precipitação intempestiva, mas com prudência e sem chocar de frente os preconceitos há muito tempo enraizados. Não se arranca uma velha árvore com um só golpe, como um talo de erva, mas pouco a pouco.
Semeai, desde o presente, o que mais tarde quereis colher; semeai o grão que virá frutificar no terreno que preparaste e do qual vós mesmo recolhereis os frutos, porque Deus vos terá em conta do que tiverdes feito por vossos irmãos.
LAMENNAIS, Havre, 1862.

Revista Espírita, fevereiro de 1868

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São Luís – Os Messias do Espiritismo

Meus amigos, venho confirmar a esperança dos altos destinos que espera o Espiritismo. Esse glorioso futuro que vos anunciamos será realizado pela vinda de um Espírito superior que resumirá, na essência de sua perfeição, todas as doutrinas antigas e novas e que, pela autoridade de sua palavra, unirá os homens às crenças novas.
Semelhante ao sol levante, dissipará todos os obstáculos amontoados sobre a eterna verdade pelo fanatismo e a inobservância dos preceitos do Cristo.
A estrela da nova crença, o futuro Messias, cresce na sombra; mas já seus inimigos tremem, e as virtudes dos céus são abaladas.
Perguntais se esse novo Messias é a própria pessoa de Jesus de Nazaré? Que vos importa se é o mesmo pensamento que amima a ambos! São as imperfeições que dividem os Espíritos, mas quando as perfeições são iguais, nada os distingue; formam unidades coletivas sem perderem sua individualidade.
O começo de todas as coisas é obscuro e vulgar; o que é pequeno cresce; nossas manifestações, acolhidas de início com desdém, violência ou indiferença banal da curiosidade ociosa, espalharão as ondas de luz sobre os cegos e os regenerarão.
Todos os grandes acontecimentos tiveram seus profetas, alternativamente incensados e menosprezados. Assim como Moisés conduziu os Hebreus, nós vos conduziremos para a terra prometida da inteligência.
Semelhança chocante! Os mesmos fenômenos se reproduzem, não mais no sentido material destinado a impressionar homens crianças, mas em sua acepção espiritual. As crianças se tornaram adultos; o objetivo crescendo, os exemplos não se dirigem mais aos olhos; a vara de Aarão está quebrada, e a única transformação que operamos é a de vossos corações tornados atentos ao grito de amor que, do céu, repercute na Terra.
Espíritas! Compreendei a seriedade de vossa missão; tremei de alegria, porque a hora não está longe em que o divino enviado alegrará o mundo. Espíritas laboriosos, sede benditos em vossos esforços, e sede perdoados em vossos erros. A ignorância e a perturbação vos esconde ainda uma parte da verdade que só o celeste Mensageiro pode revelar inteiramente.
São Luís, Paris, 1862

Revista Espírita, fevereiro de 1868

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Espíritos Marcados – Os Messias do Espiritismo

Há muitos Espíritos superiores que concorrem poderosamente com obra regeneradora, mas nem todos são messias. É preciso distinguir:
Primeiro – Os Espíritos superiores que agem livremente, e de sua própria vontade.
Segundo – Os Espíritos marcados, quer dizer, designados para uma missão importante. Eles têm a irradiação luminosa que é o sinal característico de sua superioridade. São escolhidos entre os Espíritos capazes de cumpri-la; no entanto, como têm seu livre-arbítrio, podem falhar por falta de coragem, de perseverança e de fé, e não estão ao abrigo dos acidentes que podem abreviar seus dias. Mas como os desígnios de Deus não estão a mercê de um homem, o que um não faz, um outro é chamado a fazê-lo. É porque há muitos chamados e poucos escolhidos. Feliz aquele que cumpriu sua missão segundo os objetivos de Deus e sem desfalecimento!
Terceiro – Os Messias, seres superiores chegados ao mais alto grau da hierarquia celeste, depois de terem chegado a uma perfeição que os torna, doravante, infalíveis e acima das fraquezas humanas, mesmo na encarnação. Admitidos no conselho do Mais Alto recebem diretamente sua palavra, que estão encarregados de transmitir e de fazer cumprir.
Verdadeiros representantes da Divindade, da qual têm o pensamento, é entre eles que Deus escolhe seus enviados especiais, ou seus Messias para as grandes missões gerais, cujos detalhes de execução são confiados a outros Espíritos, encarnados ou desencarnados, agindo por suas ordens e sob sua inspiração.
Os Espíritos destas três categorias devem concorrer ao grande movimento regenerador que se opera.

Êxtase sonambúlico, Paris 1866

Revista Espírita, fevereiro de 1868

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Lacordaire – Os Messias do Espiritismo

Eis uma pergunta que se repete por toda parte: O Messias anunciado é a mesma pessoa do Cristo?
Junto de Deus estão os Espíritos numerosos chegados ao cume da escala dos Espíritos puros, que mereceram ser iniciados em seus desígnios, para dirigir-lhes a execução. Deus escolhe entre eles seus enviados superiores encarregados das missões especiais. Podeis chamá-los Cristos: é a mesma escola; são as mesmas ideias modificadas segundo os tempos.
Não vos admireis, pois, de todas as comunicações que vos anunciam a vinda de um Espírito poderoso sob o nome do Cristo; é o pensamento de Deus revelado a uma certa época, e que é transmitido pelo grupo dos Espíritos superiores que se aproximam de Deus, e que dele recebe as emanações para presidir ao futuro dos mundos gravitando no espaço.
Aquele que morreu sobre a cruz tinha uma missão a cumprir, e essa missão se renova hoje por outros Espíritos desse grupo divino, que vêm, eu o repito, presidir aos destinos de vosso mundo.
Se o Messias, do qual falam essas comunicações, não for a personalidade de Jesus, é o mesmo pensamento. É aquele que Jesus anunciou quando disse: “Eu vos enviarei o Espírito de Verdade que deverá restabelecer todas as coisas”, quer dizer, conduzir os homens à sadia interpretação de seus ensinos, porque ele previa que os homens se desviariam do caminho que lhes havia traçado.
Era preciso, aliás, completar o que não havia podido dizer então, porque não teria sido compreendido. Foi porque uma multidão de Espíritos de todas as ordens, sob a direção do Espírito de Verdade, veio em todas as partes do mundo e em todos os povos, revelar as leis do mundo espiritual, das quais Jesus havia adiado o ensinamento, e lançar, pelo Espiritismo, os fundamentos da nova ordem social. Quando todas as bases lhe forem postas, então virá o Messias que deverá coroar o edifício e presidir à reorganização com a ajuda dos elementos que terão sido preparados. Mas não creiais que esse Messias esteja só; haverá vários deles que abraçarão, pela posição que cada um ocupará no mundo, as grandes partes da ordem social: a política, a religião, a legislação, a fim de fazê-las concordar com o mesmo objetivo.
Além dos Messias principais, Espíritos de elite surgirão em todas as partes do detalhe, e que, como lugares-tenentes animados da mesma fé e do mesmo desejo, agirão de comum acordo sob o impulso do pensamento superior.
Será assim que, pouco a pouco, se restabelecerá a harmonia do conjunto; mas é necessário, preliminarmente, que certos acontecimentos se realizem.
LACORDAIRE; Paris, 1862.

Revista Espírita, fevereiro de 1868

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Baluze – Messias do Espiritismo

Quando uma transformação da Humanidade deve se operar, Deus envia em missão um Espírito capaz, por seus pensamentos e por uma inteligência superior, de dominar seus contemporâneos, e de imprimir, às gerações futuras, as ideias necessárias para uma revolução moral civilizadora.
De tempos em tempos, assim, veem-se elevarem-se, acima do comum dos homens, seres que, como faróis, os guiam no caminho do progresso, e lhes fazem transpor, em alguns anos, as etapas de vários séculos. O papel de alguns está limitado a um país ou a uma raça; são como oficiais conduzindo cada um sob sua ordem, uma divisão do exército; mas há outros cuja missão é agir sobre a Humanidade inteira, e que não aparecem senão nas épocas mais raras que marcam a era das transformações gerais.
Jesus Cristo foi um desses enviados excepcionais; do mesmo modo tereis para os tempos chegados, um Espírito superior que dirigirá o movimento do conjunto, e dará uma coesão poderosa às forças esparsas do Espiritismo.
Deus sabe a propósito modificar nossas leis e nossos hábitos, e quando um fato novo se apresente, esperai e orai, porque o Eterno não faz nada que não seja segundo as leis de divina justiça que regem o universo.
Para vós que tendes a fé e que consagrastes a vossa vida à propaganda da ideia regeneradora, isso deve ser simples e justo; mas só Deus conhece o que é prometido; limito-me a vos dizer: Esperai e orai, porque o tempo é chegado, e o novo Messias não faltará: Deus saberá designá-lo a seu tempo, aliás, será por suas obras que ele se afirmará.
Podeis esperar muitas coisas, vós que vedes tantas estranhas com relação às ideias admitidas pela civilização moderna.
(BALUZE; Paris, 1862.)

Revista Espírita, fevereiro de 1868

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Fénelon – Os Messias do Espiritismo

Incontestavelmente, está reconhecido que vossa época é uma época de transição e de fermentação geral, mas ela ainda não chegou a esse grau de maturidade que marca a vida das nações. É ao vigésimo século que está reservado o retoque da Humanidade; todas as coisas que vão aqui se cumprir não são senão os preliminares da grande renovação. O homem chamado a completá-la, ainda não está amadurecido para cumprir sua missão, mas ele já nasceu, e sua estrela apareceu na França marcada com uma auréola, e vos foi mostrado na África há pouco tempo. Seu caminho está marcado antecipadamente. A corrupção dos costumes, as infelicidades que serão a consequência do desencadeamento das paixões, o declínio da fé religiosa, serão os sinais precursores de seu advento.
A corrupção, no seio das religiões, é o sintoma de sua decadência, como ela é o da decadência dos povos e dos regimes políticos, porque é o indício de uma falta de fé verdadeira; os homens corrompidos arrastam a Humanidade a um pendor funesto, de onde ela não pode sair senão por uma crise violenta. Ocorre o mesmo com as religiões que substituem, ao culto da Divindade, o culto do dinheiro e das honras, e que se mostrem mais ávidos de bens materiais da Terra do que de bens espirituais do céu.
(FÉNELON, Constantinopla, dezembro de 1861).

Revista Espírita, fevereiro de 1868