Merecimento

Por isso mesmo, vós, reunindo toda a vossa diligência, associai com a vossa fé a virtude… Pedro. (II Pedro, 1:5.)
Não há tanto mérito em que domines essa ou aquela ciência e sim em que lhe utilizes os recursos a fim de ajudar os companheiros da Humanidade a se desvencilharem da insipiência e da ignorância.
Não há tanto mérito em tua pureza de coração, mas sim no esforço que desenvolvas em beneficio dos irmãos chafurdados no erro, de modo a soerguê-los para a restauração necessária.
Não há tanto mérito em tua fé ardente e sim no trabalho a que te apliques com ela no apoio àqueles que ainda não lhe entesouraram a luz, para que não lhes falte à mesa o pão da esperança.
Não há tanto mérito na posse que detenhas, mas sim no emprego que lhe dês em socorro aos que te cercam ou no auxílio aos sofredores e menos felizes, dos quais te vês defrontado na experiência comum.
Não há tanto mérito em teu nome, por mais nobre seja ele, e sim no uso do prestígio que desfrutes amparando a jornada de quantos te compartilhem o esforço do dia-a-dia.
Virtude sem proveito é brilhante no deserto.
Inteligência sem boas obras é tesouro enterrado.
Fita o sol acalentando a lama da Terra e compreenderás o ensino claro da natureza que nos determina, sabiamente, entender e servir, abençoar e auxiliar.
Em qualquer parte a vida te conhece pelo que és, mas apenas te valoriza pelo que fazes de ti.

Emmanuel, em Bênção de Paz

Mudança e Proveito

assim também andemos nós em novidade de vida. – Paulo. (Romanos, 6:4.)
Criaturas existem que se confessam dedicadas ao espírito de mudança que a vida exige de cada um, e tão somente por se referirem a isso alteram obrigações assumidas, logo ao se sentirem incomodadas por singelos motivos de feição pessoal.
Mal começam ação determinada, ou em meio da empresa edificante a que se consagraram, se experimentam o impacto de pequeninos contratempos, asseveram que é preciso mudar para progredir, relegando a outrem problemas e encargos que lhes competem.
Renovação não é alterar o caminho, porque estejamos sob as consequências de ajustes e decisões abraçados por nós mesmos, com vistas à nossa melhoria espiritual; muito mais que isso, é aceitar varonilmente as ocorrências adversas, os golpes da estrada, os desafios da prova e as crises da existência, procurando servir mais e melhor no plano de evolução e trabalho em que a providência divina nos colocou.
Transformação permanente por dentro, metamorfose da alma que encerra consigo bastante poder para transfigurar dificuldade em lição e sombra em luz.
Reformemos sentimentos, ideias, observação, expressão e discernimento, descerrando portas e janelas sempre novas em nosso mundo íntimo, para que a vida nos acrescente os recursos de conhecimento, receptividade, visão e interpretação – mas sejamos fiéis aos nossos compromissos até ao fim.

Emmanuel, em Bênção de Paz

Palavra e Construção

Paulo de Tarso
Paulo de Tarso

A palavra do Cristo habite em vós ricamente. – Paulo. (Colossenses, 3:16).
Comumente nos referimos à penúria, qual se estivéssemos à frente de um monstro instalado em definitivo junto de nós, esquecidos de que o trabalho é infalível extintor da miséria…
Mencionamos conflitos como quem tateia chagas irreversíveis, sem ponderar que o amor opera a extirpação de todo quisto de ódio…
Comentamos provações, dando a ideia de que se erigem à condição de flagelos permanentes, distanciados do otimismo que funciona por dissolvente da sombra…
Reportamo-nos a enfermidades com tamanho luxo de minudências como se fossem males eternos, injuriando os princípios de saúde, capazes de restituir-nos a euforia…
Destacamos a parte menos feliz dos semelhantes com tanto empenho que fornecemos a impressão de rentear com seres irremissivelmente condenados às trevas, ausentando-nos do bem, à luz do qual todos nos redimiremos um dia…
Conversemos segundo a fraternidade e o bom ânimo que o Cristo nos ensinou a cultivar.
Imperfeições, desastres, doenças, desequilíbrios e infortúnios assemelham-se a meros borrões em nossos cadernos de experiência educativa, no aprendizado da existência transitória, a fim de senhorearmos os nossos títulos de herdeiros de Deus na vida eterna. Claro que apagaremos tais desdouros com a lixívia do nosso próprio sofrimento, mas não adianta ampliá-los através da exaltação emotiva ou do comentário inconveniente.
Em baixo, a terra parece uma estância obscura, mas o Sol brilha acima.
Recordemos a exortação de Paulo: A palavra do Cristo habite em vós ricamente.

Emmanuel, no Livro Bênção de Paz

Deus Age

Deus Age

Dificuldades e empecilhos,
Aflições desatadas,
Provações imprevistas,
Tristezas e amarguras,
Farpas de incompreensão,
Contratempos e lágrimas,
Desastres iminentes,
Problemas e conflitos…

Quando essas sombras apareçam,
Ora e silencia,
Guardando tolerância;
Se possível nada digas,
Servindo para o bem,
Sem que te queixes de ninguém.
Então, perceberás,
Que te encontras em paz,
E que uma luz vem vindo,
Para auxílio de todos…

Assim será sempre.
Porque, em todas as crises,
O Céu apaga as horas infelizes,
E se calas e esperas,
Na fé que já te alcança,
Com mais imediata segurança,
Deus permanece agindo.

Meimei, no Livro Amizade

Enfermidade

Enquanto nos escasseie educação, nos domínios da mente, a enfermidade por mortificação involuntária, desempenhará expressivo papel em nossa vida espiritual.
Na maioria das circunstâncias, somos nós quem lhe pede a presença e o concurso, antes da reencarnação, no campo da existência física, à maneira do viajor, encomendado recursos de segurança para a travessia do mar; e, em ocasiões outras, ele constitui auxílio de urgência, promovido pela bondade dos amigos, que se erigem, nas esferas superiores, à condição de patronos da nossa libertação para a Vida Maior.
À face de semelhante motivo, doenças existem de múltiplas significações, como sejam:
Inibições trazidas do berço – moléstias – amparo, comboiando votos de melhoria moral; Dermatoses recidivantes – moléstias – proteção, coibindo desmantelos do sentimento;
Mutilações congênitas – moléstias – refúgio, impedindo a queda em atos de violência ou venalidade;
Incômodos imprevistos – moléstias – socorro, evitando o mergulho da alma em compromissos inferiores;
Males de longo curso – moléstias – abrigo, obstando enredamento da criatura nas tramas da obsessão.
Certamente, ninguém deve acalentar desequilíbrios orgânicos sob a desculpa de buscar a purificação da vida interior.
O corpo físico é para a alma encarnada aquilo que a máquina significa, à frente do operário, – instrumento de serviço e progresso, que ele recebe de autoridade maior, a fim de produzir, a benefício dos outros e de si próprio, cabendo-lhe a obrigação de assisti-la constantemente e restaurá-la sempre que necessário.
Todavia, diante da doença que persiste no corpo, a despeito de todas as medidas acautelatórias e defensivas, é imperioso reconhecer-lhe a função providencial e tratá-la com a certeza de quem carrega consigo a luz de uma benção.

Emmanuel, em Caminho Espírita