Nas Trilhas da Caridade

A caridade nunca falha… – Paulo. (I Coríntios, 13:8.)
A caridade possui maneiras múltiplas de ajudar, em tudo aplicando o senso das dimensões.
No atendimento de cada necessidade ei-la que se expressa não somente com a luz da bondade, mas também com o metro da prudência: distribuindo alimento às vítimas da penúria, abstém-se de azedar o pão com o vinagre da reprimenda, respeitando a condição dos que lhe batem à porta; medicando o enfermo, não lhe exige atitudes em desacordo com os desajustes orgânicos em que o socorrido se veja, e sim escolhe os melhores gestos de tolerância e compreensão, de modo a servi-lo; alfabetizando o ignorante, não lhe reclama demonstrações de cultura antes do aprendizado, mas revela paciência e brandura para guiar-lhe a inteligência nos mais simples degraus da escola.
Assim também, se invocamos a caridade a fim de orientar os que se transviam, não nos cabe esquecer as dificuldades em que se encontram. Para recuperar-lhes o equilíbrio não basta identificar-lhes as fraquezas e reprová-las. É imprescindível anotar-lhes a posição desfavorável e socorrê-los sem exigência.
Daí o impositivo de se reconhecer, em qualquer parte, quanto à distribuição da verdade que, se existe um modo distinto para que a beneficência exerça a caridade de saber assistir nos domínios do corpo, nos reinos do espírito é preciso que ela aperfeiçoe igualmente a caridade de saber explicar.

Emmanuel

Diante dos Homens

Pois somos feitura dele, criados em Cristo Jesus para boas obras, as quais Deus, de antemão, preparou para que andássemos nelas. – Paulo (Efésios, 2:10)
Não te deixes dominar pelo derrotismo acerca da natureza humana.
Nem sempre as ações isoladas de um indivíduo são as melhores que se devem esperar dele, mas o homem, visto no conjunto da Humanidade, é um ser dotado de todos os recursos virtuais dos entes superiores em trânsito para a angelitude.
O criador não ergueria a criatura para insuflar-lhe maldição.
Todos os filhos de Deus são potencialmente bons e encerram em si as sementes da grandeza moral a que se destinam.
O pessimismo possivelmente objetará que, em contraposição às nossas afirmativas, encontramos a presença dos homens nas guerras que envilecem nações, nos vários sistemas de cativeiro que ainda rebaixam a espécie humana, nos cadastros policiais que patenteiam a criminalidade existente no mundo e nos vícios que corrompem coletividades inteiras.
Conhecemos tudo isso e a isso nós todos nos referimos nos estudos que vamos realizando em torno de nossa própria natureza, mas, de quando em quando, é justo refletir no exemplo daqueles que nos deram a certeza de que nascemos no Universo para complementar os mais altos Propósitos Divinos.
Pensemos em nós, espíritos em reajuste perante a Lei, como sendo talvez muitos dos tiranos que censuramos nas galerias da História e meditemos na abnegação e no heroísmo de quantos nos legaram tudo de bom que hoje possuímos.
Voltemo-nos para eles, os nossos benfeitores que nos proporcionaram o melhor nas leis, nos costumes, edificações e ideais que nos motivam a evolução no Planeta.
E, perante os irmãos que se afeiçoam ao pessimismo, malsinando-nos as instituições de socorro espiritual, como sejam as religiões e os princípios de elevação do caráter, perguntemos sinceramente a nós mesmos: se ainda nos achamos extremamente imperfeitos, com o auxílio incessante das ciências da alma, que seria de nós sem elas?

Emmanuel

Andar

Andai em amor… – Paulo. (Efésios, 5:2.)
O verbo andar não significa unicamente caminhar mas também proceder, agir, existir.
Compreende-se, pois, que cada criatura é conhecida pelo modo de andar.
Há quem se esmere de forma sacrifical para andar de acordo com a moda, com os hábitos do seu tempo, com os característicos do grupo a que pertence ou na pauta dos preconceitos da sociedade em que vive.
Em toda parte há processos diferentes de agir.
Determinados costumes do Oriente não são os mesmos do Ocidente, e vice-versa.
Cada povo possui modos de proceder que lhe personalizam a presença no Planeta.
Aqui, a comunidade anda segundo a tradição, mais além, conforme o clima… E desde que a boa consciência esteja na base do caminho de cada um, todo estilo de andança é respeitável, mas não nos será lícito esquecer que o Evangelho de Jesus nos oferece modelo imperecível nesse particular. Andai em amor, recomenda-nos o Livro da Vida.
Estejamos, assim, no passo de nossa época, buscando o progresso e fazendo o melhor ao nosso alcance para elevar o nível espiritual do nosso campo de ação. Contudo, é preciso não olvidar que somente conseguiremos caminhar na direção da felicidade e da paz, servindo-nos mutuamente e amando-nos uns aos outros como Jesus nos amou.

Emmanuel