Gratidão e Esforço

Quando você estiver à beira da inconformação, conte as bênçãos que já terá recebido.
Jamais desconsidere o valor do trabalho.
O dono da mina de ouro, só por isso, não obterá sem esforço a ervilha que lhe enriquece o prato.
Riqueza, na essência, é o aproveitamento real das oportunidades que a vida nos oferece em nome do senhor.
O homem afortunado pode ser o rico da benemerência.
O pobre pode ser o rico de esforço.
A pessoa robusta pode ser o rico de serviço.
A doente pode ser o rico de resignação.
O moço pode amealhar o tesouro da força bem dirigida.
Quem amadureceu na experiência pode organizar valioso patrimônio de ponderações edificantes.
A mulher pode tornar-se um modelo de abnegação.
O homem pode converter-se numa coluna de heroísmo.
A criatura cercada de obstáculos pode enriquecer-se de virtudes excelsas.
Fortuna, de modo algum, será apenas metal ou papel amoedado. É, sobretudo, valor do espírito, bênção da alma, luz do coração.
Deus não criou a pobreza.
O homem, sim, quando perturba a marcha das leis divinas que governam a vida e abusa das graças que recebe, empobrece-se de oportunidades de progresso e gera para ele próprio a escassez, a dor, o remorso, a enfermidade e a expiação que o consomem, por largo tempo, sem destruí-lo, no purgatório necessário da regeneração.
Não esmoreça, ante os obstáculos do caminho de elevação.

André Luiz, psicografia de Chico Xavier

Ouçamos também

Depois, erguendo os olhos ao céu, Jesus disse: Efatá – que quer dizer: Abre-te. – (Marcos, 7: 34.)
A palavra do Cristo, ao surdo e gago, intimava-lhe as faculdades do espírito a se abrirem para a vida.
Quantos de nós precisamos hoje consagrar atenção ao divino apelo? Quantos problemas nos cruciam a alma, por trancá-la às sendas libertadoras que a experiência oferece?
Encerrados, quase sempre, no poço do eu, nada mais lobrigamos que a sombra das ilusões a que nos afazemos, esbanjando tempo e força em lamentáveis reclamações.
O Senhor nos solicita a descerrar passagens no mundo íntimo, a fim de que os dons inefáveis da Espiritualidade Superior nos enriqueçam de alegria e de luz.
Necessário verificar se carregamos sentimentos e raciocínios, olhos e ouvidos, lábios e mãos fechados ao entendimento e ao serviço.
Indispensável abrir o coração à bondade, o cérebro à compreensão, a existência ao trabalho, o passo ao bem, o verbo à fraternidade…
Não só isso.
Imperioso abrir igualmente o livro edificante ao estudo, a bolsa à beneficência, a capacidade à cooperação e o caminho à hospitalidade.
O Sol, para sustentar o mundo, pede horizontes abertos.
Diante do enfermo de espírito, encarcerado em si próprio, disse Jesus: “Abre-te.”
Saibamos acolher a advertência sublime e, perante a luz do Infinito Amor de Deus, rompamos a clausura do eu e ouçamo-la também.

Emmanuel, psicografia de Chico Xavier