Ensejo ao Bem

Jesus, porém, lhe disse: Amigo, a que vieste“? – Então, aproximando-se, lançaram mão de Jesus e o prenderam. (Mateus. 26:50).
É significativo observar o otimismo do Mestre, prodigalizando oportunidades ao bem, até ao fim de sua gloriosa missão de verdade e amor, junto dos homens.
Cientificara-se o Cristo, com respeito ao desvio de Judas, comentara amorosamente o assunto, na derradeira reunião mais íntima com os discípulos, não guardava qualquer dúvida relativamente aos suplícios que o esperavam; no entanto, em se aproximando, o cooperador transviado beija-o na face, identificando-o perante os verdugos, e o Mestre, com sublime serenidade, recebe-lhe a saudação carinhosamente e indaga: – Amigo, a que vieste?
Seu coração misericordioso proporcionava ao discípulo inquieto o ensejo ao bem, até ao derradeiro instante.
Embora notasse Judas em companhia dos guardas que lhe efetuariam a prisão, dá-lhe o título de amigo. Não lhe retira a confiança do minuto primeiro, não o maldiz, não se entrega a queixas inúteis, não o recomenda à posteridade com acusações ou conceitos menos dignos.
Nesse gesto de inolvidável beleza espiritual, ensinou-nos Jesus que é preciso oferecer portas ao bem, até a última hora das experiências terrestres, ainda que, ao término da derradeira oportunidade, nada mais reste além do caminho para o martírio ou para a cruz dos supremos testemunhos.

Emmanuel, psicografia de Francisco Cândido Xavier.

Algo de nós

Site Espírita

Reconhecemos todos que o mundo atravessa agitadas crises de transição.
Mas podes ser, onde estiveres, a escora de fé, em que outros se apoiem.
Surgem calamidades.
Entretanto, nada te impede ser o refúgio em que se alimente pequenina tarefa socorrista.
Golpes de violência demonstram os desvarios de muitos companheiros da Humanidade.
Todavia, o conhecimento superior te autoriza a efetuar o esforço do reajuste.
Labaredas de discórdia rebentam, às vezes, nos melhores grupos sociais.
No entanto, retém os necessários recursos de espírito, a fim de restaurar a obra da união.
Tribulações em família se destacam, aqui e ali, com ímpeto arrasador.
Dispões, contudo, de meios precisos para ser um ponto de amparo e compreensão no reduto doméstico.
Ideias estranhas enxameiam no campo da inteligência, tentando desprimorar valores humanos.
Guardas, porém, a possibilidade de ser fiel à dignidade da vida.
Muitos se inclinam para o ódio.
Se quiseres, consegues personalizar a presença…

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A palavra

A palavra é indubitavelmente um dos fatores determinantes no destino das criaturas.
Ponderada – favorece o juízo.
Leviana – descortina a imprudência.
Alegre – espalha otimismo.
Triste – semeia desânimo.
Generosa – abre caminhos à elevação.
Maledicente – cava despenhadeiros.
Gentil – provoca o reconhecimento.
Atrevida – traz a perturbação.
Serena – produz calma.
Fervorosa – impõe a confiança.
Descrente – invoca a frieza.
Bondosa – ajuda sempre.
Cruel – fere implacável.
Sábia – ensina.
Ignorante – complica.
Nobre – tece o respeito.
Sarcástica – improvisa o desprezo.
Educada – auxilia a todos.
Inconsciente – gera amargura.
Por isso mesmo, exortava Jesus: – “Não procures o argueiro nos olhos de teu irmão, quando trazes uma trave nos teus”.
A palavra é a bússola de nossa alma, onde estivermos.
Conduzamo-la na romagem do mundo para a orientação do Senhor, porque, em verdade, ela é a força que nos abre as portas do coração às fontes luminosas da vida ou às correntes da morte.

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Poema da Fraternidade

 

Carmen Cinira
Carmen Cinira

A vida é sempre a iluminada escola.
Compadece-te e ajuda no caminho.
Por toda parte, há dor que desconsola
E toda gente aguarda a leve esmola
Do sorriso, da prece, do carinho…

Nem sempre vês quem chora e necessita.
Há muita treva, muita sede e fome
Escondidas em laços de ouro e fita,
E, em tudo, há muita máscara bonita
Ocultando a miséria que consome.

Quanta cabeça se ergue à luz dourada
Na multidão festiva que fulgura!
E, a sós, pende tristonha e desvairada,
Aturdida no horror da própria estrada,
Chorando de aflição e de amargura!…

Quanto sonho padece ao desabrigo!
Quanta mágoa contida, vida afora!…
Auxilia o príncipe ao mendigo,
Não atrases o abraço doce e amigo,
Que o companheiro espera, desde agora.

Que a boa luta te não desagrade,
Sê mais amplo no esforço da harmonia…
Semeia a glória da Fraternidade!
Sem a luz da União e da Amizade,
Não há bênçãos da Paz e da Alegria.

Carmem Cinira

Diante do Madeiro

Ante a cruz infamante me prosterno
E contemplo-te, oh! Cristo, os membros lassos,
O duro lenho que te prende os braços
Abre-te em sangue o coração fraterno.

Fitas o olhar de luz, dorido e terno,
Na cerúlea beleza dos Espaços,
Enquanto os homens, lúbricos e crassos,
Trazem ao monte cavernoso inferno.

Rei prostrado ante horrenda lança em riste,
Pende-te a fronte dolorosa e triste,
Sob a traição cruel dos teus mordomos…

E choro e grito amargamente, a esmo,
Carregando, enojado de mim mesmo,
A vergonha dos Judas que ainda somos…

Augusto dos Anjos

Luta e Confia

Não te entregues ao mal. Luta e confia,
De mãos sangrentas pela estrada afora,
Glorificando o bem, sofrendo embora
A tormenta de pranto e de agonia.

Enfrenta a tempestade e a noite fria,
E ante a esfinge insolúvel que devora,
Medita e silencia, sonha e chora,
Mas espera o clarão do novo dia.

Não procures a morte escura e extrema,
A fuga não resolve o teu problema
E a dor prossegue, amargurosa e crua…

Recorda, sem cessar, seguindo avante
Que, em tudo, há uma justiça vigilante
E que a Vida Infinita continua…

Arnold Souza

Ante o Infinito

Além do turbilhão em que a carne se adensa,
Dilatando o pavor na alma triste e intranquila,
Desdobra-se outra luz e novo céu se anila,
Descortinando aos bons excelsa recompensa.

Eis que divinos sóis, prelibados na crença,
Refulgem, aurorais, em portentosa fila!
Além, constelações onde a glória cintila,
Abrindo ao nosso olhar a vida eterna e imensa…

Ante os mundos e heróis que deslumbrado vejo,
Nosso terrestre lar é simples vilarejo,
Escuro serro hostil, entre aflições imerso.

E os homens – ai de nós – somos, de polo a polo,
Vermes de inércia e dor, algemados ao solo,
Insultando a beleza e a pompa o Universo!…

Antônio Americano do Brasil