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Se Crês em Deus

Se crês em Deus,
Por mais que te ameacem os anúncios do pessimismo, com relação a prováveis calamidades futuras, conservarás o coração tranquilo, na convicção de que a Sabedoria Divina sustenta e sustentará o equilíbrio da vida, acima de toda perturbação.

Se crês em Deus,
Em lugar nenhum experimentarás solidão ou tristeza, porque te observarás em ligação constante com todo o Universo, reconhecendo que laços de amor e de esperança te identificam com todas as criaturas.

Se crês em Deus,
Nunca te perderás no labirinto da revolta ou da desesperação, ante os golpes e injúrias que se te projetem na estrada, porquanto interpretarás ofensores e delinquentes, na condição de infelizes, muito mais necessitados de bondade e proteção que de fel e censura.

Se crês em Deus,
Jornadearás na Terra sem adversários, de vez que, por mais se multipliquem na senda aqueles que te agridam ou menosprezem, aceitarás inimigos e opositores, à conta de irmãos nossos, situados em diferentes pontos de vista.

Se crês em Deus,
Jamais te faltarão confiança e trabalho, porque te erguerás, cada dia, na certeza de que dispões da bendita oportunidade de comunicação com os outros, desfrutando o privilégio incessante de auxiliar e abençoar, entender e servir.

Se crês em Deus,
Caminharás sem aflição e sem medo, nas trilhas do mundo, por maiores surjam perigos e riscos a te obscurecerem a estrada, porquanto, ainda mesmo à frente da morte, reconhecerás que permaneces com Deus, tanto quanto Deus está sempre contigo, além de provações e sombras, limitações e mudanças, em plenitude de vida eterna.

Emmanuel / Chico Xavier – Livro: “Coragem”

Texto narrado na voz do saudoso Paulo Goulart, falecido no dia 13 de março de 2014

Férias da Sociedade Espírita de Paris

Revista Espírita de Setembro de 1862

Sociedade Espírita de Paris, 1º de agosto de 1862.
Médium senhor E. Vézy.
Ides, pois, separar-vos por algum tempo, nas os bons Espíritos estarão sempre com os que lhes pedirem auxílio e apoio.
Se cada um de vós deixa a mesa do mestre, não é apenas para exercício ou repouso, mas ainda para servir, onde quer que vos espalheis, à grande causa humanitária, sob a bandeira a cujo abrigo vos pusestes.
Bem compreendeis que para o Espírita fervoroso não há horas designadas para o estudo; toda a sua vida não é mais que uma hora, e ainda demasiado curta para o trabalho a que se dedica: o desenvolvimento intelectual das raças humanas!
Os galhos não se destacam do tronco porque destes se afastem: ao contrário, dão lugar a novos impulsos que os unem e os solidarizam.
Aproveitai estas férias que vão espalhar-vos, para vos tornardes ainda mais fervorosos, a exemplo dos Apóstolos do Cristo: saí deste cenáculo fortes e corajosos; que vossa fé e as boas obras liguem em torno de vós milhares de crentes, que abençoarão a luz que espalhareis em vosso redor.
Coragem! Coragem! No dia do encontro, quando a auriflama do Espiritismo vos chamar ao combate e se desdobrar sobre vossas cabeças, que cada um tenha em volta de si os adeptos que houver formado sob sua bandeira, e os bons Espíritos dirão o seu número e o levarão a Deus!
Não durmais, pois, Espíritas, à hora da sesta: velai e orai! Já vos disse e outras vezes vo-lo repetirão, soa o relógio dos séculos, uma vibração retine, chamando os que se acham na noite. Infelizes dos que não a quiserem escutar!
Espíritas! Ide despertar os adormecidos e dizei-lhes que vão ser surpreendidos pelas vagas do mar que sobe em rugidos surdos e terríveis; ide dizer-lhes que escolham um lugar mais iluminado e mais sólido, porque eis que os astros declinam e a natureza inteira se move, treme, agita-se!…
Mas após as trevas eis a luz; e aqueles que não tiverem querido ver e ouvir imigrarão naquela hora para mundos inferiores a fim de expiar e esperar longamente, mui longamente, os novos astros que devem elevar-se e os esclarecer. E o tempo lhes parecerá eternidade, pois não lobrigarão o término de suas penas, até o dia em que começarem a crer e compreender.
Espíritas, não mais vos chamarei crianças, mas homens, homens valentes e corajosos! Soldados de nova fé, combatei valentemente; armai o braço com a lança da caridade e cobri o corpo com o escudo do amor. Entrai na liça! Alerta! Alerta! Calcai aos pés o erro e a mentira e estendei a mão aos que vos perguntarem: “Onde está a luz?” Dizei-lhe que os que marcham guiados pela estrela do Espiritismo não são pusilânimes, que se não deslumbrem com miragens e não aceitem como leis senão aquilo que ordena a razão fria e são; que a caridade é a sua divisa e que não se despojem por seus irmãos senão em nome da solidariedade universal e nunca para ganharem um paraíso que sabem muito bem que não podem possuir senão quando tiverem expiado bastante!… Que conheçam a Deus e que, antes de tudo, saibam que ele é imutável em sua justiça, e, consequentemente, não pode perdoar uma vida de faltas acumuladas por um segundo de arrependimento, como não pode punir uma hora de sacrilégio por uma eternidade de suplício!…
Sim, Espíritas! Contai os anos de arrependimento pelo número das estrelas, mas a idade de ouro virá para aquele que tiver sabido contá-los.
Ide, pois, trabalhadores e soldados e que cada um volte com a pedra ou o seixo que deve auxiliar a construção do novo edifício. Em verdade vos digo, desta vez não mais tereis que temer a confusão, posto que, querendo elevar ao céu a torre que o coroará: ao contrário, Deus estenderá a sua mão ao vosso caminho, a fim de vos abrigar das tempestades.
Eis a segunda hora do dia, eis os servidores que vêm de novo da parte do Mestre procurar trabalhadores: vós, que estais desocupados, vinde e não espereis a última hora!…
Santo Agostinho

Editorial da Folha Espírita

Embora desanimando com os rumos do nosso País em várias direções, o brasileiro vai, aos poucos, às vésperas do torneio mundial do esporte que é a sua paixão, retomando aquilo que lhe é peculiar, a alegria que contagia outros povos e que faz de nós uma nação lembrada e reconhecida por isso.
Sim, e embora alguns não quisessem, #VaiterCopa! Estamos, a partir de doze de junho, sob o olhar atento de todo o planeta. Como a sexta economia do mundo, todos estarão observando não apenas nosso futebol, mas aquilo que somos e o que temos a oferecer.
Turistas de todo o planeta estão chegando e devemos mostrar por que fomos eleitos a Pátria do Evangelho. Precisamos elevar o nosso pensamento a Deus, rogando para que os Espíritos Benfeitores protejam a nossa nação, para que, embebido do mais alto sentimento, o Brasil vibre a energia do bem, receba com alegria os seus visitantes, mostre-se solidário, amigo e solícito.
Não há dúvida de que nosso país, assim como o mundo, vive momentos de grande questionamento, e clama por mudanças, sobretudo no campo ético e moral. No entanto, é preciso que também nos lembremos de que em tempo algum a violência e o embate foram soluções para o avanço da humanidade, pois apesar de gerarem transformações, sempre deixam marcas na esteira do tempo com difíceis resgates.
Que toda a nossa alegria e emergia sejam transmitidas a todo planeta e que essa onda de boas vibrações tome conta de todos os nossos corações, trazendo um clima de esperança e fé que faça com que retomemos as rédeas daquilo que somos e que, por mais que alguns tentem nos tirar, é nosso: a alegria e o orgulho de ser brasileiro.
Que Deus abençoe a nossa nação e nos faça ter orgulho de ser o que somos! Que prossigamos com amor e fé no coração, sem deixar nos levar pelo desânimo. Que possamos olhar para frente, corrigindo a nossa rota com determinação e sem violência, buscando novos caminhos, para, então, vermos nascer uma nova nação, aquela com a qual todos nós sonhamos!

Transcrito da Folha Espírita de Junho de 2014

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Mensagem do Irmão Raphael

Irmãos, Muita paz!
Os dias que virão pedirão a todos uma mudança de posicionamento íntimo, uma nova forma de vibração.
São muitos os que se prendem a construir mentalmente uma derrocada em certos nichos da sociedade.
Creem que as lutas e a desorganização serão úteis para a mudança que veem como necessária.
No entanto, em tempo algum a desordem, a violência e o distúrbio social foram as maneiras mais adequadas para o crescimento de um povo.
São sim, condições que acabam surgindo porque os homens teimam em não escutar o chamado divino, através da doce melodia do amor.
Pensar e irradiar a desordem, crendo que sejam o caminho da “salvação”, é esquecer-se da condição divina que habita o homem e, ainda, que é possível (e se faz necessário) construir um mundo novo, não sobre escombros, mas embasado nas suaves lições do bem e da justiça.
O Brasil vive um momento de enormes dificuldades.
Acrescer a elas as vibrações negativas, crendo que isto modificará o padrão e a estrutura da sociedade é ilusão.
O ódio, a mágoa, o mau desejo, só acrescentam mais posturas infelizes na tão complicada condição social deste povo.
É preciso vibrar harmonia, é necessário converter todas as formas negativas de agir em posturas de sentinelas do Bem.
Crer que apesar de ou com os homens, há um propósito maior para este país e para este planeta.
Não como algo efêmero.
Para isso, no entanto, é fundamental que cada criatura de forma consciente e íntima desperte-se para as nobres vibrações que emanam dos planos mais altos da vida.
Certamente que a tempestade varre a terra e, posteriormente, todos os elementos destruídos iluminados pelo sol divino regenera-se em novos terrenos produtivos e de beleza.
Entretanto, o lavrador, pelo seu trabalho honesto e fiel, pode transformar também o ambiente em melhores condições, sem que haja a necessidade da tormenta, dando ao mundo uma aparência mais sublime.
Cada qual é responsável pelo que pensa, irradia e constrói.
Cuidemos, portanto, para que a Terra e o Brasil recebam de nossos corações apenas aquilo que coaduna com os princípios divinos, os quais já conseguimos amealhar.
Que o nosso quinhão seja o da paz e do amor fugindo de quaisquer destemperos emocionais, de baixa expressão.
Jesus o Mestre dos mestres, convida-nos ao Amor. E através do Amor, no tempo e no espaço certos, alcançaremos o bem que precisamos e que se faz necessário.

Do irmão, Raphael. (Psicografada por Roberto Lúcio, no HEAL no dia 19/05/2014)

Escrevendo a Jesus

Meu Senhor Jesus: Dirijo-vos esta carta quase como nos últimos tempos em que o fazia na Terra, fechado nas perplexidades da incompreensão. Muitas vezes imaginei que estivésseis acessível à visão de todos aqueles que se evadem do mundo pela porta escura da Morte, a fim de premiar os bons e punir pessoalmente os culpados, como os modernos chefes de Estado, que distribuem medalhas de honra nas datas festivas e exaram sentenças condenatórias em seus gabinetes…
Mas, não é assim, Senhor! Todas as ingênuas e doces concepções do Catolicismo se esfumaram minha imaginação. A morte não faz de um homem um anjo; amontoa-nos, aos magotes, onde possa caber toda a imensidade das nossas fraquezas e aí, na contemplação das nossas realidades e das nossas misérias, descerra um fragmento dos véus do seu grande mistério.
Então, sentimo-nos reconfortados pela esperança, e basta esse raio de luz para que sejamos deslumbrados na vossa glória.
Se for verdade que não vos buscávamos nos caminhos da Terra, não era justo que nos viésseis esperar à porta do Céu.
Todavia, Senhor, não é para exprobrar o meu passado, no mundo, que vos dirijo esta carta. É para vos contar que os homens vão reviver novamente a tragédia da vossa morte. Muitos judeus influentes promovem, na atualidade, uma ação tendente a esclarecer o processo que motivou a vossa condenação. É verdade que esses movimentos tardios, para apurar os erros do passado, não são novos. Joana d’Arc foi canonizada após a calúnia, o martírio e o vilipêndio e, ainda agora, – no Brasil, foi revivido o processo que fizera de Pontes Visgueiro um monstro nefando, movimento esse que lhe atenuou a falta, humanizando-se a sua figura através da análise minuciosa dos fatos recapitulados pelo Sr. Evaristo de Morais.
Os descendentes dos vossos algozes querem reparar a violência dos seus avós. Objetivam a reconstrução do mesmo cenário de antanho. A corte provincial romana, o tribunal famoso dos israelitas, copiando a situação com a possível fidelidade. Eu queria, porém, acrescentar, entre parêntesis, que o mesmo Caifás ainda estará no Sinédrio para punir e julgar.
Foi pensando tudo isso, Senhor, que fui a Jerusalém observar detidamente os lugares santos. Se ultimamente contemplei a cidade arruinada dos profetas, no momento em que se comemorava a vossa paixão e a vossa morte, tendo fixado no espírito os quadros dolorosos do vosso martírio, não pude observar detalhadamente as suas ruínas, desde o momento em que a minha atenção foi solicitada pela magnânima figura de Iscariotes.
É verdade que os séculos guardarão aí, para sempre, os traços indeléveis da vossa ligeira passagem pelo Planeta. Jerusalém prosseguirá contando aos peregrinos do mundo inteiro a sua história de lamentações e dores. Reconheci, contudo, a dificuldade para copiarem o passado com as suas coisas e com as suas circunstâncias.
Conta-se que, anos depois da vossa crucificação, o Rabi Aguiba foi, com alguns companheiros, visitar as ruínas do templo onde haviam ecoado as vossas divinas palavras. Mas, o local sagrado onde se venerava o Santo dos Santos era refúgio dos chacais, que fugiram espantados com a presença dos homens.
Hoje, igualmente, Senhor, Jerusalém não possui a fisionomia de outrora. Nos lugares onde se derramava o perfume do incenso e da mirra, há cheiro pronunciado de gasolina e vapores. Os burricos graciosos foram substituídos pelos automóveis confortáveis. Os ingleses vivem ocidentalizando as ruínas abandonadas. Sobre o mar da Galiléia, em Tiberíades, foi construído um balneário elegante; cheio de banhistas com seus trajes multicores, sentindo-se ali como em Copacabana, ou Biarritz. A Judéia está cortada de linhas férreas, de estradas macadamizadas, de cinematógrafos, de iluminações elétricas, de serviços modernos. Há, até, Senhor, um poderoso judeu russo chamado Rutemburgo, que captou energia elétrica nas águas mansas do Jordão à forca de mecanismos e represas. Aquelas águas sagradas e claras, que batizaram os cristãos, movem hoje poderosas turbinas. As usinas estão em toda parte. Todas essas instalações têm alterado a fisionomia da região.
Certamente, Senhor, conhecestes Haifa, que era um ninho tranquilo e doce, à sombra do monte Carmelo, sobre o qual Elias encontrou os profetas de Baal, confundindo-os com a sabedoria das suas palavras. Pois, hoje, palpita ali enorme cidade, guardando uma grande estação de depósito de petróleo, onde a marinha inglesa costuma abastecer-se.
O campo suave de Mizepeh, onde a voz de Samuel se fez ouvir durante trinta dias consecutivos, exortando Israel, transformou-se num imenso aeródromo onde pousam as aves metálicas do progresso, cheias de notícias e de ruídos.
Torna-se difícil reconstituir o ambiente da vossa injusta condenação. Mas os homens, Senhor, nunca dispensaram a teatralidade e as máscaras de suas vidas. É possível que engendrem um dramalhão, no qual, a pretexto de vos reabilitar perante a História, subvertam, ainda mais, no abismo da sua materialidade, à profunda significação espiritual da vossa doutrina.
As multidões não serão inquiridas agora a respeito da sua preferência por Barrabás. Os pontífices do Sinedrim não conseguirão colocar nos vossos braços misericordiosos uma cana à guisa de cetro, nem ferir vossa fronte com a coroa de espinhos. Certamente mandarão erigir ironicamente um colosso de pedra, à vossa semelhança, injuriando a vossa memória. Os chamados crentes ajoelhar-se-ão aos pés dessa estátua impassível, suplicando, no seu cepticismo elegante, a vossa bênção, antes de se levantarem para devorarem-se uns aos outros, como Cains desvairados.
Ah! Senhor! Nós sabemos que do vosso trono estrelado vindes velando por esse orbe tão pequenino e tão infeliz! A manjedoura e a cruz ainda constituem o maior tesouro dos humildes e dos infortunados. Mas, vede, Senhor, como as ervas más se alastram pela Terra.
Cortai-as, Jesus, para que o trigo louro da paz e da verdade resplandeça na vossa seara bendita.
E que os homens, reunidos no mesmo jugo suave da fraternidade que nos ensinastes, descansem embalados no cântico sublime da vossa misericórdia e do vosso amor.

Do livro Crônicas de Além-Túmulo – Chico Xavier/Humberto de Campos
8 de março de 1937

Consciência e convivência

As boas soluções nem sempre são as mais fáceis e as manifestações corretas nem sempre as mais agradáveis.
A trilha do acerto exige muito mais as normas do esforço maior que as saídas circunstanciais ou os atalhos do oportunismo.
Nos mínimos atos, negócios, resoluções ou empreendimentos que você faça, busque primeiro a substância “post-mortem” de que se reveste, porquanto, sem ela, seu tentame será superficial e sem consequências produtivas para o seu espírito.
Hoje como ontem, a criatura supõe-se em caminho tedioso tão só quando lhe falta alimento espiritual aos hábitos.
Alegria que dependa das ocorrências do terra a terra não tem duração.
Alegria real dimana da intimidade do ser.
Não há espetáculo externo de floração sem base na seiva oculta.
Meditação elevada, culto à prece, leitura superior e conversação edificante constituem adubo precioso nas raízes da vida.
Ninguém respira sem os recursos da alma.
Todos nós carecemos de espiritualidade para transitar no cotidiano, ainda que a espiritualidade surja para muitos, sob outros nomes, nas ciências psicológicas de hoje que se colocam fora dos conceitos religiosos para a construção de edifícios morais.
À vista disso, criar costumes de melhoria interior significa segurança, equilíbrio, saúde e estabilidade à própria existência.
Debaixo de semelhante orientação, realmente não mais nos será possível manter ambiguidade nas atitudes.
Em cada ambiente, a cada hora, para cada um de nós, existe a conduta reta, a visão mais alta, o esforço mais expressivo, a porta mais adequada.
Atingido esse nível de entendimento, não mais é lícita para nós a menor iniciativa que imponha distinção indevida ou segregação lamentável, porque a noção de justiça nos regerá o comportamento, apontando-nos o dever para com todos na edificação da harmonia comum.
Estabelecidos por nós, em nós mesmos, os limites de consciência e conveniência, aprendemos que felicidade, para ser verdadeira, há de guardar essência eterna.
Constrangidos a encontrar a repercussão de nossas obras, além do plano físico, de que nos servirá qualquer euforia alicerçada na ilusão? De que nos vale o compromisso com as exterioridades humanas, quando essas exterioridades não se fundamentam em nossas obrigações para com o bem dos outros, se a desencarnação não poupa a ninguém? Cogitemos de felicidade, paz e vitória, mas escolhamos a estrada que nos conduza a elas sob a luz das realidades que norteiam a vida do Espírito, de vez que receberemos de retorno, na aduana da morte, todo o material que despachamos com destino aos outros, durante a jornada terrestre.
Não basta para nenhum de nós o contentamento de apenas hoje.
É preciso saber se estamos pensando, sentindo, falando e agindo para que o nosso regozijo de agora seja também regozijo depois.

Do livro “Estude e Viva”. Chico Xavier/André Luiz

Hoje e nós

Tempo e nós, vida e alma. Nós e hoje, alma e vida.
Tempo capital inesgotável ao nosso dispor. Hoje, cheque em branco que podemos emitir, sacando recursos, conforme a nossa vontade.
Comparemos a Providência Divina a estabelecimento bancário, operando com reservas ilimitadas, em todos os domínios do mundo. Pela Bolsa de Causa e Efeito, cada criatura retém depósito particular, com especificação de débitos e haveres, nitidamente diversos, mas, pela Carteira do Tempo, todas as concessões são iguais para todos.
Para sábios e ignorantes, felizes ou menos felizes, a hora se constitui do valor matemático e invariável de sessenta minutos.
Hoje é a partícula de crédito que possuis, em condomínio perfeito com todos aqueles que conheces e desconheces, que estimas ou desestimas, dom que te cabe, a fim de angariares novos dons.
Aproveita, assim, o agora em renovação e promoção. Renovação é progresso, promoção é serviço.
Não te prendas ao passado por aquilo que o passado te apresente de cadeias e sombras e nem te transtornes pelo futuro por aquilo que o futuro encerre de fantasia ou de incerteza.
Pelas forças do espírito, estamos enredados aos pensamentos do pretérito, à feição do corpo físico que permanece saturado de agentes da hereditariedade. Conquanto vinculados aos nossos ancestrais, nenhum de nós é chamado a terra para reproduzir a existência deles, e, por muito devamos às ideias dos instrutores que nos estenderam auxílio, estamos convocados a expressar as nossas.
Respeitemos quantos nos ajudaram e dignifiquemos os pioneiros do bem que nos prepararam caminho; no entanto, sejamos nós próprios.
Espíritos eternos, saibamos construir a nossa felicidade pelo atendimento às leis do amor e justiça. Esquecer o mal e fazer o bem, estudar e realizar, trabalhar e servir, renovar e aperfeiçoar sempre e infatigavelmente. Para isso, reflitamos: o ontem nos terá trazido à luz da experiência e amanhã decerto nos sugere luminosa esperança. A melhor oportunidade, entretanto, não se chama ontem nem amanhã. Chama-se hoje. Hoje é o dia.

Do livro “Estude e Viva”. Chico Xavier/Emmanuel

Amor para amar

O amor para amar criou o maior prodígio do mundo.
Tudo aconteceu com o Eterno Amigo da Humanidade, considerado, em seu tempo, na condição de companheiro vulgar.
Ele não possuía o mínimo recanto, em que pudesse repousar a cabeça, no entanto, inspirou o levantamento da mais elevada civilização de todas aquelas que já existiram na Terra.
Não escreveu página alguma, a não ser curta frase na areia, quando defendia pobre mulher sofredora, contudo, até agora, suscita a formação dos livros mais belos do gênero humano.
Não participou das administrações públicas, mas solucionou com simplicidade o problema do relacionamento entre governantes e governados, ensinando aos semelhantes que se deve “dar a César o que é de César e a Deus o que é de Deus”.
Não lecionou penalogia, no entanto, em favor da paz e da felicidade entre as criaturas, aconselhou o perdão das ofensas e, sob a luz de suas lições inolvidáveis, os férreos cárceres da antiguidade, pouco a pouco, estão sendo transformados em escolas de trabalho e reeducação.
Não militou na medicina e, até hoje, cura as almas doentes ou conturbadas pelo poder da fé e através da prática do amor.
Nunca pediu medidas de solidariedade compulsória, entretanto, em seus exemplos, acendeu a chama da caridade, plasmando as obras da assistência social que honorificam a vida terrestre.
Na exposição das ideias renovadoras que trazia, além do diálogo aberto com os discípulos e acompanhantes, incluindo mulheres e crianças desprotegidas, se realizou algum comício de grandes proporções, esse foi aquele do Sermão da Montanha, no qual reuniu os estropiados e os enfermos, os aflitos e os infelizes, entregando-lhes as palavras inesquecíveis do mais alto documento da Humanidade, consagrando os valores da paciência e da compreensão, da misericórdia e da humildade.
Era ele tão forte que nunca se rendeu às sugestões sombrias dos perseguidores e tão sensível que chegou a chorar sobre o túmulo de um amigo morto.
Esse Homem que tudo deu de si às criaturas da Terra, transmitindo-lhes o que Deus lhe doara, que aparentava a fragilidade dos seres humanos e transportava consigo a grandeza dos anjos tem o nome de Jesus Cristo.
Conquistadores diversos do Planeta sempre desceram do fastígio do poder para as grandes transformações, entretanto, Ele se engrandece, cada vez mais, de século para século.
E, há quase dois milênios, a Sua Mensagem é a esperança dos povos e a Sua Presença divina é a luz das nações.

Pelo Espírito Emmanuel. Psicografia de Francisco Cândido Xavier.
Livro Tesouro de Alegria. Lição nº 01. Página 51.

Aborto não realizado

A gravidez veio na hora indesejada, lembrava-se Laura. Veio na hora errada e ainda trazia riscos de várias ordens. A saúde debilitada, problemas familiares, o desemprego…
Seu primeiro impulso foi o aborto. Tomou uns chás que, em vez de “resolver”, a debilitaram ainda mais.
Recuperada, buscou uma dessas pessoas que arrancam, ainda no ventre, o chamado problema das mães que não desejam levar adiante a gestação.
Naquele dia, a parteira havia adoecido e faltara.
Laura voltou para casa preocupada, mil situações lhe passavam pela mente.
À noite, deitou-se e custou a adormecer, mas foi vencida pelo sono. No sonho viu um belo jovem pedindo-lhe algo que, na manhã seguinte não soube definir.
Durante todo o dia não conseguiu tirar aquela imagem da mente, de sorte que esqueceu a gravidez.
Na noite seguinte voltou a sonhar com o mesmo jovem, só que acordou com a agradável sensação de tão doce quanto agradável “obrigado”.
Era como se ainda visse seus lábios pronunciando palavras de agradecimento, enquanto de seu coração irradiava uma paz indefinível.
Desistiu do aborto. Enfrentou tudo, superou todos os riscos e saiu vitoriosa…
Hoje, passados 23 anos do episódio, ela ouve consternada seu belo e jovem filho pronunciar, do púlpito da solenidade de sua formatura, ante uma extasiada multidão:
…agradeço, sobretudo à minha mãe, que me alimentou o corpo e o espírito, dando-me não só comida, mas carinho, companhia, amor e, principalmente, vida.
E, olhando-a nos olhos, o filho pronunciou, num tom inconfundível:
- Obrigado!
Ela não teve dúvidas. Foi o mesmo obrigado, doce e agradável de um sonho, há 23 anos…

A mulher que nega o ventre ao filho que Deus lhe confia, nega-se a si mesma a oportunidade de ouvir a cantiga alegre da criança indefesa a rogar-lhe carinho e proteção.
Perde a oportunidade de dar à luz um espírito sedento de evolução, rogando-lhe uma chance de reencarnar, para juntos superarem dificuldades e estreitarem laços de amizade e afeto.
Se você mulher, está passando pela mesma situação de Laura, mire-se no seu exemplo e permita-se ser mãe.
Permita-se sentir, daqui há alguns meses, o agradecimento no olhar do pequenino que lhe roga o calor do colo e uma chance de viver.
Conceda-se a alegria, de daqui há alguns anos ornamentar o pescoço com a joia mais valiosa da face da terra: os bracinhos frágeis da criança, num abraço carinhoso a lhe dizer: obrigado mamãe, por ter me permitido nascer e crescer, e fazer parte desse mundo negado a tantos filhos de Deus.

Equipe de Redação do Momento Espírita, com base em História publicada no Jornal “Caridade” de maio e junho de 1997 pág. 3.

Qualidade do amor

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