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Definição

Leopoldo Fróis
Disse alguém que a permanência na Terra é semelhante a um baile de máscaras, em que alguns entram, enquanto outros saem. Para mim, no entanto, que me consagrei ao teatro na última romagem por aí, suponho mais razoável a comparação do mundo a velho e sempre novo cenário, onde representamos nossos papéis, ensaiando para exercer funções gloriosas de almas conscientes na eternidade. Cada existência é uma parte no drama evolutivo. Cada corpo é um traje provisório, e cada profissão uma experiência rápida. A vida é a peça importante. O período de tempo, que medeia entre uma entrada pelo berço e uma saída pelo túmulo, é precisamente um ato para cada um de nós no conjunto. Muito importante é a arte de viver cada qual o seu próprio papel. Há lamentáveis distúrbios, no elenco e na plateia, sempre que um dos artistas invada as atribuições do colega, no argumento a ser vivido no palco, sobrevindo verdadeiras calamidades, com desagradável perda de tempo, em todas as ocasiões em que se despreze aquela norma. A representação reclama inteligência, fidelidade, firmeza, emoção e eficiência, com aproveitamento integral dos lances psicológicos, e alta capacidade de autocrítica. Nunca chorar no instante de rir e jamais sorrir no momento das lágrimas. Providenciar tudo a tempo. Tonalizar a voz e medir os gestos, para não converter a tragédia em truanice; respeitar as convenções estabelecidas, a fim de que o artista não desça da galeria do astro ao terreiro do bufão. Segundo o parecer dos sensatos homens da antiguidade, o sapateiro não se deve exceder no salão do pintor, e o pintor, a seu turno, precisa comedir-se na tenda do sapateiro. Encarnando um juiz, um político, um sacerdote, um beletrista (quem ama e cultiva a literatura), um negociante ou um operário, não será aconselhável apresentarmos obra muito diferente do trabalho daqueles que nos precederam, investidos em obrigações idênticas: correríamos o risco da excentricidade e do apedrejamento. Compete ao nosso bom senso talhar o figurino, tendendo para o melhor, sem escandalizar, contudo, os moldes anteriores. O comerciante não deve absorver o papel do filósofo, embora o admita e lhe siga as regras. O homem de ideias, por sua vez, não deve furtar o papel do mercador, apesar de convidá-lo à meditação. Atulhando o edifício em que funciona o teatro, há sempre grande massa de bonecos, no almoxarifado da instituição. É a turba compacta de pessoas que nada fazem pela própria cabeça, constituída por ociosos de todos os feitios, a formarem o “grand-guignol” (teatro em Paris) da vida comum, habitualmente manejados por hábeis ventríloquos da inteligência. E, enchendo o subterrâneo ou cercando as gambiarras e os tangões (via à qual se prendem os bastidores do teatro), temos o exército dos que arrastam escadas e pedras, móveis e cortinas, na qualidade de tecelões do verdadeiro urdimento para as mutações necessárias. São eles os espíritos acovardados ou preguiçosos, que renunciam ao ato de escolher o próprio caminho e que abominam o conhecimento, a elevação e a aventura, entronizando o comodismo em ídolo de suas paixões enfermiças. Demoram-se longo tempo na imbecilidade e na teimosia, suportando pesos atrozes pela compreensão deficiente. No proscênio (parte anterior de um palco), focalizados por luzes de grande efeito, movimentam-se os atores e as atrizes da ação principal. São pessoas que se impõem no palco vivo. Discutem. Apaixonam-se. Gritam. Criam emoções para os outros e para si mesmos. Agitam-se, imponentes, na grandeza ou na miséria, na glória ou na decadência. Respiram conscientes da missão que lhes cabe. São geralmente calmos na direção e persistentes na ação. Transitam, através dos bastidores, obstinados e serenos, com segurança matemática. Pronunciam frases bem meditadas, usam guarda-roupa adequado e não traem a mímica que lhes compete. Homens e mulheres, acordados para a vida e para o mundo, caminham para os objetivos que traçaram a si mesmos. Entre eles vemos príncipes e sábios, rainhas e fadas, ricaços e pobretões, poetas e músicos, comendadores e caravaneiros, noivas e bruxas, artífices e palhaços. Com diferenças na máscara e no coração, cada um deles funciona dentro da posição que a peça lhes designa. Cada qual responde pela tarefa que lhe é peculiar. O espírito que, durante alguns dias, desempenhou com maldade e aspereza a função da governança, volta à mesma paisagem na situação do dirigido. O juiz que interferiu, indebitamente, no destino de muitas pessoas, regressa ao palco nalgum caso complicado, para conhecer, com mais precisão, o tribunal onde colaborou vestindo a toga, depressa restituída a outros julgadores. O operário inconformado, que se entrega à indisciplina e à rebelião, volta, às vezes, ao grande teatro da vida, exibindo o título de administrador, a fim de conhecer quantas aflições custa o ato de responsabilizar-se e dirigir. O médico distraído na ambição do lucro efêmero volve em algum catre de paralítico, de modo a refletir na importância da Medicina. Sacerdotes indiferentes ao progresso das almas retornam curtindo a desventura dos órfãos da fé. Homens endemoniados, que atravessam a cena quais faunos bulhentos, perturbando as ninfas da virtude e impossibilitando-lhes o ministério maternal, não raro se vestem com trajes femininos e comparecem, de novo, ao palco, sabendo, agora, quanto doem na mulher o abandono e o menosprezo, a ironia e a humilhação. O papel mais pesado é sempre aquele que se reserva aos heróis e aos santos, porque esses atores infelizes vivem cercados pelas exigências do teatro inteiro, embora, no fundo, sejam também personalidades frágeis e humanas. O que conforta de maneira invariável é que há lugar e missão para todos. Cada criatura dá espetáculo para as demais. Entretanto, para a tranquilidade de todos, ninguém se lembra disso. E a peça vai sendo admiravelmente representada, sob os recursos de supervisão que estamos muito longe de aprender. Eis-me, pois, amigo, nestas páginas, que estimularão entre as pessoas sensatas a certeza da sobrevivência da alma. Não tenho qualquer mensagem valiosa a enviar-lhe. Digo-lhe apenas, usando a experiência pessoal que o tempo hoje me confere, que esse mundo é, realmente, um grande teatro. Represente o seu papel com serenidade e firmeza e, decerto, você receberá tarefa mais importante no ato seguinte.

Do livro Falando à Terra – Francisco Cândido Xavier (ano de 1951)

Aos meus filhos

AOS MEUS FILHOS — Humberto de Campos

Meus filhos, eu venho falar a vocês como alguém que abandonasse a noite de Tirésias, no carro fulgurante de Apolo, subindo aos cumes dourados e perfumados do Hélicon. Tudo é harmonia e beleza na companhia dos numes e dos gênios, mas o pensamento de um cego, em reabrindo os olhos nas rutilâncias da luz, é para os que ficaram, lá longe dentro da noite onde apenas a esperança é uma estrela de luz doce e triste.
Não venho da minha casa subterrânea de São João Batista (O espírito se refere ao cemitério de São João), como os mortos que os larápios, às vezes, fazem regressar aos tormentos da Terra, por mal dos seus pecados. Na derradeira morada do meu corpo ficaram os meus olhos enfermos e as minhas disposições orgânicas.
Cá estou como se houvesse sorvido um néctar de juventude no banquete dos deuses.
Entretanto, meus filhos, levanta-se entre nós um rochedo de mistério e de silêncio.
Eu sou eu. Fui o pai de vocês e vocês foram meus filhos. Agora somos irmãos. Nada há de mais belo do que a lei de solidariedade fraterna, delineada pelo Criador na sua glória inacessível. A morte não suprimiu a minha afetividade e a ainda possuo o meu coração de homem para o qual vocês são as melhores criaturas desse mundo.
Dizem que Orfeu, quando tangia as cordas de sua lira, sensibilizava as feras que agrupavam enternecidas para escutá-lo. As árvores vinham de longe, transportadas na sua harmonia. Os rios sustavam o curso nas suas correntes impetuosas, quedando-se para ouvi-lo. Havia deslumbramento na paisagem musicada. A morte, meus filhos, cantou para mim, tocando o seu alaúde. Todas as minhas convicções deixaram os seus lugares primitivos para sentir a grandeza do seu canto.
Não posso transmitir esse mistério maravilhoso através dos métodos imperfeitos de que disponho. E, se pudesse, existe agora entre nós o fantasma da dúvida.
Convidado pelo Senhor, eu também estive no banquete da vida. Não nos palácios da popularidade ou da juventude efêmera, mas no átrio pobre e triste do sofrimento onde se conservam temporariamente os mendigos da sua casa. Minha primeira dor foi a minha primeira luz. E quando os infortúnios formaram uma teia imensa de amarguras para o meu destino, senti-me na posse do celeiro de claridades da sabedoria. Minhas dores eram minha prosperidade. Porém qual o cortesão de Dionísio, vi a dúvida como a espada afiadíssima balouçando-se sobre a minha cabeça. Aí na Terra, entre a crença e a descrença, está sempre ela, a espada de Dâmocles. Isso é uma fatalidade.
Venho até vocês cheio de amorosa ternura e se não posso me individualizar, apresentando-me como o pai carinhoso, não podem vocês garantir a impossibilidade da minha sobrevivência. A dúvida entre nós é como a noite. O amor, entretanto, luariza estas sombras. Um morto, como eu, não pode esperar a certeza ou a negação dos vivos que receberem a sua mensagem para a qual há de prevalecer o argumento dubitativo. E nem pode exigir outra coisa quem no mundo não procederia de outra forma.
Sinto hoje, mais que nunca, a necessidade de me impessoalizar, de ser novamente o filho ignorado de dona Anica, a boa e santa velhinha, que continua sendo para mim a mais santa das mães. Tenho necessidade de me esquecer de mim mesmo. Todavia, antes que se cumpra este meu desejo, volto para falar a vocês paternalmente como no tempo em que destruía o fosfato do cérebro a fim de adquirir combustível para o combustível para o estômago.
– Meus filhos!… Meus filhos!… Estou vivendo… Não me veem?… Mas olhem, olhem o meu coração como ainda está batendo por vocês!…
Aqui, meus filhos, não me perguntaram se eu havia descido gloriosamente as escadas do Petit Trianon; não fui inquirido a respeito dos meus triunfos literários e não me solicitaram informes sobre o meu fardão acadêmico. Em compensação, fui arguido acerca das causas dos humildes e dos infortunados pelos quais me bati.
Vivam, pois, com prudência na superfície desse mundo de futilidades e de glórias vãs.
Num dos mais delicados poemas de Wilde, as Órcades lamentara a morte de Narciso junto de sua fonte predileta, transformada numa taça de lágrimas.
– Não nos admira – suspiram elas – que tanto tenhas chorado!… Era tão lindo!…
– Era belo Narciso? – perguntou o lago.
– Quem melhor do que tu poderás sabê-lo, se nos desprezavas a todas para estender-se nas relvas da tua margem, baixando os olhos para contemplar, no diamante da tua onda, a sua formosura?…
A fonte respondeu:
– Eu adorava Narciso porque, quando me procurava com os olhos, eu via, no espelho das suas pupilas, o reflexo da minha própria beleza.
Em sua generalidade, meus filhos, os homens, quando não são Narciso, enamorados de sua própria formosura, são as fontes de Narciso.
Não venho exortar a vocês como sacerdote; conheço de sobra às fraquezas humanas. Vivam, porém a vida do trabalho e da saúde, longe da vaidade corruptora. E, na religião da consciência retilínea, não se esqueçam de rezar. Eu, que era um homem tão perverso e tão triste, estou aprendendo de novo a minha prece, como fazia na infância, ao pé de minha mãe, na Parnaíba.
– Venham, meus filhos!… Ajoelhemos de mãos postas… Não veem que cheguei de tão longe?! Fui mais feliz que o Rico e o Lázaro da parábola, que não puderam voltar… Ajoelhemos no templo do Espírito; inclinem vocês a fronte sobre o meu coração. Cabem todos nos meus braços? Cabem, sim…
Vamos rezar com o pensamento em Deus, com a alma no infinito. Pai nosso… Que estais no céu… Santificado seja o vosso nome…

Humberto de Campos
Recebida por Chico Xavier, em Pedro Leopoldo, em 9 de abril de 1935

Leia aqui a biografia de Humberto de Campos

Sintonia

As bases de todos os serviços de intercâmbio, entre os desencarnados e os encarnados, repousam na mente, não obstante a possibilidade de fenômenos naturais, no campo da matéria densa, levados a efeito por entidades menos evoluídas ou extremamente consagradas à caridade sacrificial.
De qualquer modo, porém, é no mundo mental que se processa a gênese de todos os trabalhos de comunhão de espírito a espírito.
Daí procede a necessidade de renovação idealística, de estudo, de bondade operante e de fé ativa, se pretendemos conservar o contato com os Espíritos da Grande Luz.
Simbolizemos nossa mente como sendo uma pedra inicialmente burilada. Tanto quanto a do animal ela pode demorar-se, por muitos séculos, na ociosidade ou na sombra, sob a crosta dificilmente permeável de hábitos nocivos ou de impulsos degradantes, mas se a expomos ao sol da experiência, aceitando os atritos, as lições, os dilaceramentos e as dificuldades do caminho, por golpes abençoados do buril da vida, esforçando-nos por aperfeiçoar o conhecimento e melhorar o coração, tanto quanto a pedra burilada reflete a luz, certamente nos habilitamos a receber a influência dos grandes gênios da Sabedoria e do Amor, gloriosos expoentes da imortalidade vitoriosa, convertendo-nos em valiosos instrumentos da obra assistencial do Céu, em favor do reerguimento de nossos irmãos menos favorecidos e para a elevação de nós mesmos para as regiões mais altas.
A fim de atingirmos tão altos objetivo, é indispensável traçar um roteiro para a nossa organização mental, no Infinito Bem, e segui-lo sem recuar.
Precisamos compreender – repetimos, que os nossos pensamentos são forças, imagens, coisas e criações visíveis e tangíveis no campo espiritual.
Atraímos companheiros e recursos de conformidade com a natureza de nossas ideias, aspirações, invocações e apelos.
Energia viva, o pensamento desloca, em torno de nós, forças sutis, construindo paisagens ou formas e criando centros magnéticos ou ondas, com as quais emitimos a nossa atuação ou recebemos a atuação dos outros.
Nosso êxito ou fracasso dependem da persistência ou da fé com que nos consagramos mentalmente aos objetivos que nos propomos alcançar.
Semelhante lei de reciprocidade impera em todos os acontecimentos da vida.
Comunicar-nos-emos com as entidades e núcleos de pensamentos, com os quais nos colocamos em sintonia.
Nos mais simples quadros da natureza, vemos manifestado o princípio da correspondência.
Um fruto apodrecido ao abandono estabelece no chão um foco infeccioso que tende a crescer incorporando elementos corruptores.
Exponhamos a pequena lâmina de cristal, limpa e bem cuidada, à luz do dia, e refletirá infinitas cintilações do Sol.
Andorinhas seguem a beleza da primavera.
Corujas acompanham as trevas da noite.
O mato inculto asila serpentes.
A terra cultivada produz o bom grão.
Na mediunidade, essas leis se expressam ativas.
Mentes enfermiças e perturbadas assimilam as correntes desordenadas do desequilíbrio, enquanto que a boa-vontade e a boa intenção, acumulam os valores do bem.
Ninguém está só.
Cada criatura recebe de acordo com aquilo que dá.
Cada alma vive no clima espiritual que elegeu, procurando o tipo de experiência em que situa a própria felicidade.
Estejamos, assim, convictos de que os nossos companheiros da Terra ou no Além são aqueles que escolhemos com as nossas solicitações interiores, mesmo porque, segundo o antigo ensinamento evangélico, “teremos o nosso tesouro onde colocarmos o nosso coração”.

(Do livro “ROTEIRO”, Chico Xavier/Emmanuel, edição FEB)

LUTA DOS ESPÍRITOS PARA VOLTAR AO BEM

Paris, 24 de março de 1867 – Médium: Sr. Rul
Obrigado, caro irmão, por vossa compaixão por aquele que expia pelo sofrimento as faltas cometidas; obrigado por vossas boas preces, inspiradas por vosso amor aos vossos irmãos. Chamai-me algumas vezes; será um encontro a que jamais faltarei, ficai certos. Disse numa comunicação dada na Sociedade que, depois de ter sofrido, me seria permitido vir dar minha opinião sobre algumas questões de que vos ocupais. Deus é tão bom que, depois de me haver imposto a expiação pelo sofrimento, teve piedade de meu arrependimento, porque sabe que se eu fali, foi por fraqueza, e que o orgulho é filho da ignorância. É-me permitido instruir-me, e se não posso, como os Espíritos bons que deixaram a Terra, penetrar os mistérios da Criação, posso estudar os rudimentos da ciência universal, a fim de progredir e ajudar os meus irmãos a progredirem também.
Dir-vos-ei a relação que existe entre o estado da alma e a natureza dos fluidos que a envolvem em cada meio em que momentaneamente ela é colocada. E se, como vos foi dito, a alma pura saneia os fluidos, crede bem que o pensamento impuro os vicia. Julgai que esforços deve fazer o Espírito que se arrepende, para combater a influência desses fluidos de que é envolvido, aumentada ainda pela reunião de todos os maus fluidos que lhe trazem, para sufocá-lo, os Espíritos perversos. – Não creiais que me baste querer melhorar-me, para expulsar os Espíritos orgulhosos que me rodeavam durante minha estada na Terra. Eles estão sempre perto de mim, procurando reter-me em sua atmosfera insalubre. Os Espíritos bons vêm esclarecer-me, trazer-me a força de que necessito para lutar contra a influência dos Espíritos maus, afastando-se depois e me deixando entregue às minhas próprias forças, para lutar contra o mal. É então que eu sinto a influência benfazeja de vossas boas preces, porquanto, sem o saber, continuais a obra dos Espíritos bons de além-túmulo.
Como vedes, caro irmão, tudo se encadeia na imensidade; todos somos solidários uns com os outros, e não há um só pensamento bom que não leve consigo frutos de amor, de melhora e de progresso moral. Sim, tendes razão de dizer de vossos irmãos que sofrem que basta uma palavra para explicar o Criador; que esta palavra deve ser a estrela que guia cada Espírito, seja qual for o grau da escala espírita a que pertença por todos os seus pensamentos, por todos os seus atos, nos mundos inferiores, como nos superiores; que esta palavra, o evangelho de todos os séculos, o alfa e o ômega de toda ciência, a luz da verdade eterna, é amor!
Amor de Deus, amor de seus irmãos. Ditosos os que oram pelos irmãos que sofrem. Suas provações na Terra tornar-se-ão leves, e a recompensa que os espera estará acima de suas expectativas!…
Como vedes, caro irmão, o Senhor é cheio de misericórdia, visto que, a despeito de meus sofrimentos, permite-me vir falar-vos a linguagem de um Espírito bom.
A…
Allan Kardec

Alegria

Alegria é o cântico das horas com que Deus te afaga a passagem no mundo.
Em toda parte, desabrocham flores por sorrisos da natureza e o vento penteia a cabeleira do campo com música de ninar.
A água da fonte é carinho liquefeito no coração da terra e o próprio grão de areia, inundado de sol, é mensagem de alegria a falar-te do chão.
Não permitas, assim, que a tua dificuldade se faça tristeza entorpecente nos outros.
Ainda mesmo que tudo pareça conspirar contra a felicidade que esperas, ergue os olhos para a face risonha da vida que te rodeia e alimenta a alegria por onde passes.
Abençoa e auxilia sempre, mesmo por entre lágrimas.
A rosa oferece perfume sobre a garra do espinho e a alvorada aguarda, generosa, que a noite cesse para renovar-se diariamente, em festa de amor e luz.

Mensagem do livro IDEAL ESPÍRITA
Médium: Chico Xavier
Espírito: Meimei

Celina

Quando elevamos ao Céu nosso olhar suplicante, há para todos nós, os que se afligem na provação, uma carinhosa e compassiva Mãe que nos ampara e consola…
Compadece-se de nossa dor, contempla-nos com misericórdia e manda-nos, então, o anjo da sua bondade, para balsamizar nosso padecimentos…
É Celina, a suave mensageira da Virgem, a Mãe de todas Mães, o gênio tutelar da Humanidade sofredora…
Quando o pranto aflora nos olhos das que são filhas e irmãs, das que são esposas e mães na Terra, no coração da quais, muitas vezes, se concentra a amargura, vem Celina e toma-as nos seus braços de névoa resplandecente e, através dos ouvidos da consciência, lhes diz com brandura:
– A dor veio bater à sua porta? Coragem…
Não desanimeis nas ásperas lutas que objetivam vosso aprimoramento moral.
Pensai n’Aquela que teve a sua alma recortada de martírios, lacerada de sofrimentos, atormentada de angústias.
Ela se desvela do Céu por todas aquelas almas que escolheram suas pegadas de Mãe amorosa e compassiva.
Foi Ela que, escutando a oração de vossa fé, me enviou para que eu vos desse as flores de seu amor sacrossanto, portadoras da paz, da humildade e, sobretudo, da paciência; porque o acaso não existe e tudo na vida obedece a uma lei inteligente de causalidade que foge aos vossos olhos, que se sentem impossibilitados de ver toda a verdade.
Tomai minhas mãos. Cumpri austeramente todos os vossos deveres, fechai vossos olhos àquilo que pode obstar vossos passos para a luz e caminhai comigo.
Os anos são minúsculas frações de tempo e, um dia, sem vos deterdes com o cansaço, chegareis ao pé d’Aquela que é vossa Mãe desvelada de todos os instantes!…
E todas aquelas que a ouvem, sentem-se sustentadas por braços tutelares, na noite escura das dores, e, vertendo lágrimas amargosas, preparam-se e se iluminam na pedregosa senda da virtude para respirar os ares felizes do encantado país onde desabrocham os lírios maravilhosos da esperança!

Maria João de Deus (Mãe de Chico Xavier) – Psicografia de Chico Xavier em 27.03.1935

Epitáfio de Benjamin Franklin

Um de nossos assinantes de Joinville (Haute-Marne) nos escreveu o que se segue:
“Sabendo da boa acolhida que está reservada a todos os documentos que têm relação com a Doutrina Espírita, apresso-me em vos dar conhecimento de uma passagem da biografia de Franklin, tirada do Mosaique de 1839, página 287; ela prova um vez mais que, em todas as épocas, os homens superiores tiveram a intuição das verdades espíritas. A crença desse grande homem na reencarnação e no progresso da alma se revela inteiramente nas poucas linhas seguintes, formando o epitáfio que ele mesmo compôs; está assim concebido:
“Aqui repousa, entregue aos vermes, o corpo de Benjamin Franklin, impressor, como a cobertura de um velho livro cujas folhas são arrancadas, e o título e a douradura apagados; mas, por isto, a obra não está perdida, porque ele reaparecerá, como o crê, numa nova e melhor edição, revista e corrigida pelo autor.”
Um dos principais cidadãos, de que os Estados Unidos mais se honram, era, pois, reencarnacionista; não só acreditava no seu renascimento sobre a Terra, mas acreditava ali retornar melhorado pelo seu trabalho pessoal; é exatamente o que diz o Espiritismo.
Se se recolhessem todos os testemunhos esparsos nos melhores escritos em favor desta doutrina, reconhecer-se-ia o quanto teve raízes nos pensadores de todas as épocas, e se admiraria menos da facilidade com a qual ela é acolhida hoje, porque pode-se dizer que ela jaz latente na consciência da maioria. Esses pensamentos, semeados aqui e ali, eram as centelhas precursoras que deveriam brilhar mais tarde, e mostrar aos homens o seu destino.

Extraído da Revista Espírita de Agosto de 1865

Se Crês em Deus

Se crês em Deus,
Por mais que te ameacem os anúncios do pessimismo, com relação a prováveis calamidades futuras, conservarás o coração tranquilo, na convicção de que a Sabedoria Divina sustenta e sustentará o equilíbrio da vida, acima de toda perturbação.

Se crês em Deus,
Em lugar nenhum experimentarás solidão ou tristeza, porque te observarás em ligação constante com todo o Universo, reconhecendo que laços de amor e de esperança te identificam com todas as criaturas.

Se crês em Deus,
Nunca te perderás no labirinto da revolta ou da desesperação, ante os golpes e injúrias que se te projetem na estrada, porquanto interpretarás ofensores e delinquentes, na condição de infelizes, muito mais necessitados de bondade e proteção que de fel e censura.

Se crês em Deus,
Jornadearás na Terra sem adversários, de vez que, por mais se multipliquem na senda aqueles que te agridam ou menosprezem, aceitarás inimigos e opositores, à conta de irmãos nossos, situados em diferentes pontos de vista.

Se crês em Deus,
Jamais te faltarão confiança e trabalho, porque te erguerás, cada dia, na certeza de que dispões da bendita oportunidade de comunicação com os outros, desfrutando o privilégio incessante de auxiliar e abençoar, entender e servir.

Se crês em Deus,
Caminharás sem aflição e sem medo, nas trilhas do mundo, por maiores surjam perigos e riscos a te obscurecerem a estrada, porquanto, ainda mesmo à frente da morte, reconhecerás que permaneces com Deus, tanto quanto Deus está sempre contigo, além de provações e sombras, limitações e mudanças, em plenitude de vida eterna.

Emmanuel / Chico Xavier – Livro: “Coragem”

Texto narrado na voz do saudoso Paulo Goulart, falecido no dia 13 de março de 2014

Férias da Sociedade Espírita de Paris

Revista Espírita de Setembro de 1862

Sociedade Espírita de Paris, 1º de agosto de 1862.
Médium senhor E. Vézy.
Ides, pois, separar-vos por algum tempo, nas os bons Espíritos estarão sempre com os que lhes pedirem auxílio e apoio.
Se cada um de vós deixa a mesa do mestre, não é apenas para exercício ou repouso, mas ainda para servir, onde quer que vos espalheis, à grande causa humanitária, sob a bandeira a cujo abrigo vos pusestes.
Bem compreendeis que para o Espírita fervoroso não há horas designadas para o estudo; toda a sua vida não é mais que uma hora, e ainda demasiado curta para o trabalho a que se dedica: o desenvolvimento intelectual das raças humanas!
Os galhos não se destacam do tronco porque destes se afastem: ao contrário, dão lugar a novos impulsos que os unem e os solidarizam.
Aproveitai estas férias que vão espalhar-vos, para vos tornardes ainda mais fervorosos, a exemplo dos Apóstolos do Cristo: saí deste cenáculo fortes e corajosos; que vossa fé e as boas obras liguem em torno de vós milhares de crentes, que abençoarão a luz que espalhareis em vosso redor.
Coragem! Coragem! No dia do encontro, quando a auriflama do Espiritismo vos chamar ao combate e se desdobrar sobre vossas cabeças, que cada um tenha em volta de si os adeptos que houver formado sob sua bandeira, e os bons Espíritos dirão o seu número e o levarão a Deus!
Não durmais, pois, Espíritas, à hora da sesta: velai e orai! Já vos disse e outras vezes vo-lo repetirão, soa o relógio dos séculos, uma vibração retine, chamando os que se acham na noite. Infelizes dos que não a quiserem escutar!
Espíritas! Ide despertar os adormecidos e dizei-lhes que vão ser surpreendidos pelas vagas do mar que sobe em rugidos surdos e terríveis; ide dizer-lhes que escolham um lugar mais iluminado e mais sólido, porque eis que os astros declinam e a natureza inteira se move, treme, agita-se!…
Mas após as trevas eis a luz; e aqueles que não tiverem querido ver e ouvir imigrarão naquela hora para mundos inferiores a fim de expiar e esperar longamente, mui longamente, os novos astros que devem elevar-se e os esclarecer. E o tempo lhes parecerá eternidade, pois não lobrigarão o término de suas penas, até o dia em que começarem a crer e compreender.
Espíritas, não mais vos chamarei crianças, mas homens, homens valentes e corajosos! Soldados de nova fé, combatei valentemente; armai o braço com a lança da caridade e cobri o corpo com o escudo do amor. Entrai na liça! Alerta! Alerta! Calcai aos pés o erro e a mentira e estendei a mão aos que vos perguntarem: “Onde está a luz?” Dizei-lhe que os que marcham guiados pela estrela do Espiritismo não são pusilânimes, que se não deslumbrem com miragens e não aceitem como leis senão aquilo que ordena a razão fria e são; que a caridade é a sua divisa e que não se despojem por seus irmãos senão em nome da solidariedade universal e nunca para ganharem um paraíso que sabem muito bem que não podem possuir senão quando tiverem expiado bastante!… Que conheçam a Deus e que, antes de tudo, saibam que ele é imutável em sua justiça, e, consequentemente, não pode perdoar uma vida de faltas acumuladas por um segundo de arrependimento, como não pode punir uma hora de sacrilégio por uma eternidade de suplício!…
Sim, Espíritas! Contai os anos de arrependimento pelo número das estrelas, mas a idade de ouro virá para aquele que tiver sabido contá-los.
Ide, pois, trabalhadores e soldados e que cada um volte com a pedra ou o seixo que deve auxiliar a construção do novo edifício. Em verdade vos digo, desta vez não mais tereis que temer a confusão, posto que, querendo elevar ao céu a torre que o coroará: ao contrário, Deus estenderá a sua mão ao vosso caminho, a fim de vos abrigar das tempestades.
Eis a segunda hora do dia, eis os servidores que vêm de novo da parte do Mestre procurar trabalhadores: vós, que estais desocupados, vinde e não espereis a última hora!…
Santo Agostinho

Mensagem do Irmão Raphael

Irmãos, Muita paz!
Os dias que virão pedirão a todos uma mudança de posicionamento íntimo, uma nova forma de vibração.
São muitos os que se prendem a construir mentalmente uma derrocada em certos nichos da sociedade.
Creem que as lutas e a desorganização serão úteis para a mudança que veem como necessária.
No entanto, em tempo algum a desordem, a violência e o distúrbio social foram as maneiras mais adequadas para o crescimento de um povo.
São sim, condições que acabam surgindo porque os homens teimam em não escutar o chamado divino, através da doce melodia do amor.
Pensar e irradiar a desordem, crendo que sejam o caminho da “salvação”, é esquecer-se da condição divina que habita o homem e, ainda, que é possível (e se faz necessário) construir um mundo novo, não sobre escombros, mas embasado nas suaves lições do bem e da justiça.
O Brasil vive um momento de enormes dificuldades.
Acrescer a elas as vibrações negativas, crendo que isto modificará o padrão e a estrutura da sociedade é ilusão.
O ódio, a mágoa, o mau desejo, só acrescentam mais posturas infelizes na tão complicada condição social deste povo.
É preciso vibrar harmonia, é necessário converter todas as formas negativas de agir em posturas de sentinelas do Bem.
Crer que apesar de ou com os homens, há um propósito maior para este país e para este planeta.
Não como algo efêmero.
Para isso, no entanto, é fundamental que cada criatura de forma consciente e íntima desperte-se para as nobres vibrações que emanam dos planos mais altos da vida.
Certamente que a tempestade varre a terra e, posteriormente, todos os elementos destruídos iluminados pelo sol divino regenera-se em novos terrenos produtivos e de beleza.
Entretanto, o lavrador, pelo seu trabalho honesto e fiel, pode transformar também o ambiente em melhores condições, sem que haja a necessidade da tormenta, dando ao mundo uma aparência mais sublime.
Cada qual é responsável pelo que pensa, irradia e constrói.
Cuidemos, portanto, para que a Terra e o Brasil recebam de nossos corações apenas aquilo que coaduna com os princípios divinos, os quais já conseguimos amealhar.
Que o nosso quinhão seja o da paz e do amor fugindo de quaisquer destemperos emocionais, de baixa expressão.
Jesus o Mestre dos mestres, convida-nos ao Amor. E através do Amor, no tempo e no espaço certos, alcançaremos o bem que precisamos e que se faz necessário.

Do irmão, Raphael. (Psicografada por Roberto Lúcio, no HEAL no dia 19/05/2014)

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